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‘Não há nada mais desmobilizador hoje do que 2018. Entre nós e 2018 há um abismo’

Juarez Guimarães: “Se não enfrentarmos a possibilidade do abismo corremos o risco de ser tragado por ele”. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

“O golpe em curso no Brasil se insere no processo internacional da contrarrevolução neoliberal que está construindo estados constitucionais não democráticos pelo mundo inteiro. Os golpistas estão divididos e enfrentam dificuldades para lidar com a crise de legitimidade decorrente do golpe, mas estão unificados programaticamente. E esse programa põe em questão princípios fundamentais do pensamento democrático do pós-guerra, gerando um cenário de instabilidade , ódio e intolerância”. A avaliação é do cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta graves conseqüências desse quadro nos planos nacional e internacional. “Os valores fundamentais da paz, da liberdade, dos direitos humanos, do pluralismo e da tolerância estão em questão e é por isso que falo que estamos vivendo uma crise civilizacional”, diz o cientista político em entrevista ao Sul21.

Juarez Guimarães analisa os acontecimentos recentes da vida política brasileira sob a perspectiva de uma linha histórica mais longa, aponta um déficit de consciência da esquerda sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, defende a centralidade da campanha por Diretas Já e adverte sobre os riscos de depositar todas as esperanças em 2018 para a superação da crise atual. Para ele, quem achar que estamos vivendo apenas um intervalo no processo de normalidade democrática, pode avaliar, por exemplo, que a sentença do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula deve ser reformada em segunda instância, uma vez que não tem base jurídica nem provas. No entanto, diz, estamos vivendo um estado de excepcionalidade onde a exceção é a regra. “Moro é corrompido politicamente e está exercendo seu mandato de juiz de forma partidária”. E acrescenta:

“Qualquer pensamento político que se estreitar no plano da legalidade jurídica estará cometendo um gravíssimo erro. Com o STF, tal qual está funcionando, com a Constituição tantas vezes violada como foi, qual a dificuldade em praticar mais uma violação? Não nada mais desmobilizador, hoje, do que 2018, porque entre nós e 2018 há o abismo. Se não enfrentarmos a possibilidade do abismo corremos o risco de ser tragado por ele”. (Leia aqui a entrevista na íntegra)

Trump e Temer, a mesma ameaça

“Este mercado, com suas lógicas, suas guilhotinas que cortam direitos, ameaçam a terra e hipotecam o mundo e o povo brasileiro”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Flavio Koutzii

Trump ameaça o planeta. Em nome dos negócios da América.

Temer ameaça o povo brasileiro com as reformas que o mercado quer.

Este mercado, com suas lógicas, suas guilhotinas que cortam direitos, ameaçam a terra e hipotecam o mundo e o povo brasileiro.

“Führer” tresloucado lá, “Führer” cínico aqui.

É trágico perceber como o fundamentalismo capitalista não tem limites e não respeita as necessidades do planeta e os direitos elementares das pessoas.

Hoje é um dia trágico para o mundo como estão sendo trágicas as reformas que os usurpadores e delinquentes querem para o Brasil.

A emergência de grupos de ultra direita e neofacistas que proliferam no mundo tem o mesmo DNA: ultranacionalismo, xenofobia, desrespeito pelas diferenças e valores humanitários.

A Globo anda lembrando que “os dias eram assim”, título inspirado na canção que Ivan Lins compôs e eternizou e que no final dizia com melancólica esperança:

“Quando brotarem as flores

Quando crescerem as matas

Quando colherem os frutos

Digam o gosto pra mim”

Mas hoje, OS DIAS SÃO ASSIM.

Querem acabar com as flores, as matas e os frutos.

“Palestina só terá alguma esperança se mudar a correlação de forças mundial”, diz sociólogo

30/11/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Entrevista com o palestino Lejeune Mirhan. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Lejeune Mirhan: “As atenções estão todas voltadas para a Síria e a Palestina saiu do foco”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O agravamento da guerra na Síria nos últimos meses contribuiu para tirar a questão palestina da linha de frente do noticiário internacional. Os desdobramentos do resultado desse conflito, porém, podem influenciar o futuro do processo de negociações visando a criação e o reconhecimento de um estado palestino. Na avaliação do Lejeune Mirhan, sociólogo, escritor e arabista, a correlação de forças internacional hoje é desigual para aqueles que querem um mundo melhor. No caso da luta do povo palestino pela criação de sua nação, defende, ela só terá alguma esperança quando for alterada essa correlação de forças na direção de uma conjuntura mais progressista. Em entrevista ao Sul21, Lejeune Mirhan fala sobre a atualidade da questão palestina e sobre como fatos recentes da política internacional, como a guerra na Síria e a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, podem mudar o mapa geopolítico global.

Mirhan esteve em Porto Alegre esta semana participando de um debate promovido pela Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino e pelo núcleo do Rio Grande do Sul do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz-RS), no Sindicato dos Bancário de Porto Alegre e Região. Lejeune Mirhan é membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa e da International Sociological Association, além de ser o organizador da obra coletiva “E se Gaza cair” e de outros quatro livros. (Leia aqui a íntegra da entrevista)