Dia da Consciência Negra

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Por Flavio Aguiar

Em 20 de novembro de 2018, Dia da Consciência Negra no Ano Zero da era de Ku-Klux Koizo

Minha terra tem Palmares
Onde canta Ganga Zumba, Zumbi,
Lanceiros Negros
Luiz Gama e Clementina de Jesus
Minha terra tem Quilombo
Onde canta Liberdade
Minha terra tem de tudo
Negr@, Branc@, Índi@, Japa
Mulher, Homo, Hetero,
Brasileir@ e Estrangeir@
Por igual e tanto faz
Tem criança, adulto e idoso
Divindade, Capeta e Tinhoso
Orixá, Tupã, Buda, Iemanjá
Ateu, Pachamama e o Escambau
Tem malandro e trabalhador
E ninguém vai roubar nossa alegria
Nem mesmo candidato a ditador.

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Entidades entram com ação contra Sartori e Ana Pellini por danos ambientais e patrimoniais na FZB

Relatório aponta uma situação “precária e lastimável” de danos à estrutura do Cactário da FZB. (Arquivo pessoal)

Quatro entidades ambientalistas ingressaram, dia 14 de novembro, com uma ação civil pública, na 10a. Vara da Fazenda Pública do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, contra o governador do Estado, José Ivo Sartori, a secretária de Estado do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini, e o ex-presidente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Luiz Fernando de Oliveira Branco, por dano ambiental e negligência na conservação do patrimônio público. Na ação, a União pela Vida, a Associação Sócio-Ambientalista (IGRÉ), a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiental Natural (Agapan) e o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (INGÁ) denunciam a morte de diversos exemplares de espécies ameaçadas de extinção, que estavam sob guarda da Fundação Zoobotânica.

No dia 26 de dezembro de 2017, essas mesmas entidades interpelaram as autoridades citadas a fim de que adotassem “medidas técnicas necessárias para assegurar a incolumidade de todos os exemplares de conservação ex-situ (fora de seu local de origem) sob guarda da Fundação Zoobotânica inclusive durante todo o período de recesso natalino e de ano novo, no qual é sabido que as elevadas temperaturas podem causar danos a estes exemplares”. Na mesma oportunidade, Sartori, Ana Pellini e Luiz Fernando de Oliveira Branco foram notificados de que caso praticassem “atos de demissão ou quaisquer outros” que prejudicassem as funções da Fundação Zoobotânica, essas entidades iriam acioná-los judicialmente para que, “com seu patrimônio pessoal ou de seus sucessores”, indenizassem os danos ambientais às espécies ameaçadas de extinção sob guarda da FZB. Alem disso, anunciaram que ingressariam com ação por danos morais coletivos e pediriam a apuração de “atos de improbidade administrativa e crimes de omissão de obrigação de relevante interesse ambiental”.

Cactário com telhado parcialmente danificado, em outubro de 2017. (Arquivo pessoal)

A ação protocolada no dia 14 de novembro assinala que, apesar das solicitações e alertas enviados por autoridades nacionais e internacionais na área da conservação da biodiversidade, as autoridades do governo estadual “agiram de forma flagrantemente negligente na conservação do patrimônio público mediante ações e omissões que levaram ao perecimento de diversas espécies ameaçadas de extinção em conservação ex-situ, assim como a provável perda de outras dezenas”. A ação cita ainda um relatório elaborado em outubro deste ano, por servidoras da Fundação, sobre a situação das coleções vivas do Jardim Botânico nos últimos seis meses. Esse relatório aponta uma situação “precária e lastimável de danos à estrutura do Cactário da FZB”, que teria sido completamente negligenciada.

Essa coleção da família Cactaceae, assinala o relatório, é uma das mais antigas do Jardim Botânico e existe há mais de 50 anos. Cerca de 80% das espécies do Rio Grande do Sul estão, ou estavam representadas na coleção. O texto do relatório detalha a situação dessa coleção: “Nos últimos seis meses, tivemos muitas baixas e doenças nas plantas das coleções vivas do Jardim Botânico de Porto Alegre devido à falta de manutenção das estruturas e às demissões e à transferência de técnico especializado. A coleção de cactáceas do Rio Grande do Sul é a mais prejudicada devido à falta de manutenção no telhado da casa de vegetação que foi avariado com o temporal em outubro de 2017 e não foi restaurado pela atual gestão”. O documento é acompanhado de fotos mostrando o telhado da coleção parcialmente danificado pelo temporal, em 2017, e totalmente sem telhado, em setembro de 2018. Alem disso, apresentam as espécies que já morreram, em razão dessa situação, e as que estão em vias de perecer.

“Não são quaisquer plantas, são plantas ameaçadas de extinção”

Marcelo Mosmann, um dos advogados responsáveis pela ação, observa que uma lei estadual permitia ao governo repassar as atividades a outros órgãos e assim extinguir a fundação. “As plantas mortas comprovam que o governo só se preocupou com a segunda parte. Foram demitindo funcionários sem contratar outros para o serviço, e ainda deixaram o local em péssimas condições, o que só podia levar a morte destas plantas, e sabiam disso porque nós mesmos avisamos por meio de notificações e interpelações judiciais no ano passado”.

“Ocorre que não são quaisquer plantas”, acrescenta Mosmann, são plantas ameaçadas de extinção que quase não existem mais na natureza; foi como um incêndio do Museu Nacional, com o agravante que as plantas estavam vivas e sob a guarda da fundação”. Essa postura tem sido recorrente, acrescenta. “Hoje mesmo estamos ajuizando mais uma ação contra Ana Pellini por uma conduta que causou degradação ambiental no Parque Estadual do Turvo, a unidade de conservação mais importante do Estado. Foi negligente, para dizer o mínimo”.

Curadora das coleções do Jardim Botânico, Andréia Carneiro, avalia que as plantas que estão doentes dificilmente conseguirão se recuperar. “Não se trata apenas da falta de telhado, mas também de falta de gente. Não temos mais pessoal especializado para enfrentar esse tipo de problema. O técnico que trabalhava nesta área foi transferido para o Zoológico. É lamentável. Essa é a maior coleção do Brasil. É minha obrigação falar sobre o que está acontecendo”.

Ação do MP e disputa judicial

Cactário totalmente sem telhado (Setembro de 2018). (Arquivo Pessoal)

As autoridades do governo citadas, aponta a ação, realizaram uma intervenção na Fundação Zoobotânica, demitindo funcionários sem realizar a sua substituição e a assunção de suas funções, contrariando inclusive determinação do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul. Além disso, acrescenta, “removeram técnicos de carreira de suas funções, determinaram a retirada de materiais das repartições, sustaram o pagamento de diárias e a contratação de serviços terceirizados, tudo levando à situação que ora se apresenta”.

Em 2016, o MP ingressou com uma ação de caráter preventivo solicitando a proibição da extinção da FZB até que o governo do Estado apresentasse um plano que garantisse a preservação de suas funções. Em dezembro de 2017, a Justiça concedeu liminar neste sentido. Em outubro deste ano, o desembargador Sérgio Luiz Grassi Beck, do TJ-RS, determinou a suspensão dos efeitos do Decreto Estadual nº 54.268/2018, assinado pelo governador José Ivo Sartori, determinando a o encerramento das atividades da Fundação Zoobotânica.

Segundo a decisão do desembargador a suspensão valerá até o o julgamento final do agravo de instrumento, a fim de que “a transferência definitiva dos bens e dos servidores do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais seja precedida de um plano para a extinção da FZB que garanta a plena continuidade e a mesma qualificação de todos os serviços e atividades do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais”.

Sobre a valoração dos danos

 Os danos ao patrimônio ambiental sob guarda da Fundação podem ser ainda maiores, afirmam as entidades signatárias da ação, que pedem medidas urgentes para “a colheita de elementos concretos sobre o numero exato e características de cada espécie bem como a situação atual do recinto”. O biólogo Paulo Brack, professor do Departamento de Botânica, do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e coordenador geral do INGÁ, fez uma estimativa de valoração do dano ambiental já causado, segundo critérios propostos pela bibliografia científica especializada, bem como as características e peculiaridades das espécies lesadas e do ambiente local.

Patrimônio já lesado na FZB consiste em 29 exemplares de 17 espécies ameaçadas de extinção. (Divulgação)

De acordo com esse parecer, “a valoração do dano pela extinção de uma espécie, considerando apenas os seus serviços ambientais e sem considerar o valor intrínseco da biodiversidade que é imaterial, em um prejuízo material que poderia atingir entre R$ 7.333.333,00 e R$ 30.000,000,00 no período de dez anos”. O patrimônio já lesado na FZB, segundo os autores da ação, consiste em 29 exemplares de 17 espécies ameaçadas de extinção, algumas delas com menos de 500 indivíduos na natureza.

Segundo Brack, “somente uma prova técnica quanto à exata extensão dos danos, assim como a análise da situação atual das espécies, poderá apurar o valor exato a ser indenizado”. A título provisório, considerando apenas o prejuízo econômico da perda da espécie, ele aponta como estimativa inicial o valor de R$ 1.530.000,00. Caso seja confirmada a responsabilidade dessas autoridades pelos danos causados, as entidades pedem a decretação de bloqueio de bens ativos e imóveis das mesmas, atribuindo-se como estimativa inicial o valor de R$ 1.530.000,00 para garantir a reparação dos danos.

A ação pede também a reparação por danos morais coletivos em função da “violação ao dever estatal de tutela e resguardo de patrimônio sob sua guarda”. Além disso, sustenta que a conduta das autoridades citadas, alem de ter causado grave dano ambiental, constitui ato de improbidade administrativa, por ter causado lesão de patrimônio público em função de ações e omissões de responsabilidade das mesmas. As entidades pedem a imediata intimação do Ministério Público e o envio de requisição à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil para que apure a materialidade dos fatos bem como a sua autoria. E solicitam a designação de interventor judicial da Fundação Zoobotânica para que, no prazo de cinco dias, apresente “plano de ações e medidas emergenciais para resguardar os exemplares em conservação ex-situ e demais atividades ambientais que sofreram descontinuidade”.

O advogado Marcelo Mosmann assinala que ela corre junto com a ação movida pelo Ministério Público. “A ação do MP tem um caráter preventivo. No entanto, os danos que ela pretende evitar já estão ocorrendo, alguns deles de forma irreparável. Estamos diante de um caso de negligência absurda”.

O Sul21 tentou entrar em contato, por telefone e e-mail, com a Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para ouvir a manifestação da pasta sobre o caso, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta a esses contatos.

(*) Publicada originalmente no Sul21.

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A nova fase da luta que se abre no Brasil neste 28 de outubro

Foto: Guilherme Santos/Sul21

A campanha eleitoral de 2018 no Brasil abriu uma luta que não se encerra no dia 28 de outubro, independentemente do resultado favorável a Bolsonaro. Essa luta, na verdade, sempre esteve presente, de forma mais ou menos latente, na sociedade brasileira, cuja história está marcada por um passado colonial racista, anti-povo e extremamente violento com os povos indígenas que aqui viviam antes do “descobrimento” e com os povos africanos, trazidos para cá acorrentados e escravizados. Essa história, que ainda está para ser contada, emergiu com força inédita agora, na figura de Jair Bolsonaro, um candidato que assumiu como símbolos e práticas as armas de fogo, a morte, a intolerância, o preconceito e a propagação massiva de mentiras. A morte, como ameaça, está presente em praticamente toda a, se é possível chamar assim, construção discursiva e simbólica do ex-capitão do Exército.

Não por acaso, Bolsonaro escolheu como seu principal homenageado o coronel Carlos Brilhante Ustra, militar apontado como responsável pela tortura de diversos presos políticos durante a ditadura. Mais do que isso, defendeu abertamente a prática da tortura, disse que a ditadura deveria ter matado mais para limpar o país dos esquerdistas e recomendou a seus seguidores que “metralhassem a petezada”, conselho que, parece, já vem sendo posto em prática por apoiadores do candidato. O antropólogo Luiz Eduardo Soares definiu assim esse processo de autorização, em um texto publicado em sua página no Facebook, durante a campanha do primeiro turno:

“A mensagem já foi passada à sociedade. E a mensagem se resume a uma autorização. Autorização à barbárie. A morte foi convocada. A barbárie está autorizada. O horror saiu do armário. Os espectros do fascismo estão aí, entre nós, a nos assombrar e ameaçar. Estão aí porque já existiam inclusive no espírito de alguns sujeitos que não imaginavam que pudessem ser contaminados” (“A barbárie está autorizada. O horror saiu do armário”).

A luta demarcada pela simbologia do próprio Bolsonaro, portanto, é uma luta entre civilização e barbárie, entre a vida e a morte. Essa simbologia só floresceu e ganhou ampla expressão política porque havia solo fértil para ela ser semeada. Ao longo do processo de colonização do país, os traços de racismo, violência e intolerância foram sendo escondidos e transmutados em um suposto espírito de cordialidade e democracia racial que faria do Brasil um país único no mundo. Com Bolsonaro, esses espectros saíram do armário onde estavam trancados e tomaram ruas, corações e mentes. O discurso do anti-petismo foi utilizado para dar um suposto verniz moral a essa verdadeira infestação ideológica ultra-conservadora.

Essa luta não se encerra no dia 28 de outubro por várias razões. Uma delas é que a luta entre civilização e barbárie acompanha a humanidade desde seus primeiros passos. Vários povos já passaram por ela e, agora, cabe ao povo brasileiro enfrentá-la. Esse enfrentamento exigirá, entre outras coisas, que nos olhemos no espelho como indivíduos e como sociedade e vejamos qual é mesmo a nossa história. Não é só que o Brasil não acertou suas contas com a ditadura. Há um acerto de contas a ser feito com nosso passado colonial, com os crimes terríveis que foram cometidos nele contra povos indígenas e africanos, contra as mulheres também. Trazer esses fatos à luz causa repulsa a Bolsonaro, que vive nas sombras.

O crescimento da candidatura de extrema-direita e de sua agenda marcada pelo símbolo da morte e pelo discurso da intolerância teve, por outro lado, um efeito colateral inédito: a conformação de uma aliança de indivíduos e forças sociais da esquerda, do centro e mesmo de setores civilizados da direita em defesa da democracia, dos direitos e das liberdades. O cineasta Jorge Furtado definiu assim essa unidade, em um texto intitulado “Nada será esquecido” (publicado em sua página no Facebook):

“Esta foi diferente de todas as outras. Não foi uma escolha entre dois candidatos, ou dois partidos, ou dois programas de governo. Foi uma escolha entre duas maneiras diferentes de ver o mundo, de se relacionar com as pessoas, de sentir e pensar a vida. Não foi uma escolha política, foi uma escolha moral. A partir de segunda-feira, haja o que houver, precisaremos reconstruir nossa democracia, e o ponto de partida será a união das pessoas que votaram no Haddad no segundo turno”.

O desafio principal agora é manter essa unidade em defesa da democracia, dos direitos e das liberdades. Isso será necessário, entre outras razões, pelo fato de que todas as formas de opressão estão conectadas e Bolsonaro é a personificação dessa conexão. Isso quer dizer que todas as lutas por direitos estão conectadas também, exigindo uma sólida unidade, como a que se construiu nas últimas semanas. Militantes de movimentos sociais, lideranças políticas e sindicais vêm sendo criminalizados, atacados e mortos em todas as regiões do país, sem que o poder Judiciário atue para frear essa escalada de violência. Portanto, não há muito tempo para lamentações. O exemplo dado por Fernando Haddad e de Manuela D’Ávila que se entregaram de corpo e alma numa luta incansável na linha de frente do combate pela democracia e contra o fascismo está aí para nos inspirar. Esse é o ponto onde estamos e que nos toca viver.

 

 

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Já estamos proibindo e rasgando livros. Quando começaremos a queimá-los?

Livros de direitos humanos da Biblioteca Central da UnB foram rasgados por viúvas da ditadura. (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Slavoj Zizek observou que o supremo desfecho da grande catarse moral-política, expressa na campanha Mãos Limpas na Itália, foi a chegada de Silvio Berlusconi no poder. “Sua vitória é uma lição deprimente sobre o papel da moralidade na política”, escreveu o filósofo esloveno em 2002. Mais de quinze anos depois, a Operação Lava Jato, a versão brasileira dessa grande catarse moral-política, ameaça lançar o Brasil num período de trevas. Seus protagonistas constituem uma mistura sinistra de juízes e procuradores subletrados, apaixonados pelos holofotes da mídia, ministros de tribunais superiores cuja vaidade compete com a cumplicidade na destruição do país. E uma mídia que atualiza de modo exemplar a advertência que Joseph Pulitzer fez há cerca de um século: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

E aí estamos: livros sendo proibidos nas escolas, livros sendo rasgados em bibliotecas de universidades, pessoas sendo agredidas nas ruas, cães mortos a tiros por uma horda de seguidores de um candidato de extrema-direita racista, machista, homofóbico, ignorante e totalmente comprometido com o sistema financeiro e o grande capital. Não há nenhum caráter panfletário em afirmar isso. São as manchetes da mídia desse capital que o afirma: o mercado vem comemorando com muito entusiasmo cada subida desse candidato nas pesquisas. Para o “mercado” uma ditadura como a de Pinochet no Brasil seria um ótimo negócio. Também não há nenhuma novidade nisso.

Qual é mesmo o legado da Lava Jato?

O Judiciário tem uma responsabilidade especial neste episódio. Em especial, os ministros do Supremo Tribunal Federal que assistem a tudo isso de modo impávido, com suas longas capas pretas e liturgias alienadas absolutamente dissociadas da realidade do povo brasileiro. Foi assim em 1964 também. O golpe civil militar que mergulhou o Brasil em um período de trevas contou com um misto de omissão e protagonismo do STF e do Judiciário de modo geral. Falta, entre outras coisas, coragem para romper esse ciclo. Uma mistura de vaidade, covardia e, em alguns casos, total cumplicidade com os projetos do grande capital, embalam a conduta do Judiciário no processo político brasileiro. Historicamente, o Judiciário brasileiro está de costas para seu povo.

Enquanto isso, a maior liderança popular que o Brasil já produziu está trancafiado em uma cela da Polícia Federal em Curitiba, acusado de receber um apartamento que nunca recebeu. O surrealismo brasileiro tem as marcas da crueldade e da perversidade que marcam a história da colonização deste país por uma elite racista que segue até hoje no poder. Enquanto isso, livros começam a ser proibidos em escolas e rasgados em bibliotecas. Só faltam começar as fogueiras, o que não deve demorar muito dada a ojeriza dos seguidores do candidato fascista à palavra, à linguagem e ao pensamento. Não por acaso, seu principal símbolo, é o gesto escroto de disparar uma arma. Uma horda de iletrados, homens brancos de classe média em sua maioria, adoradores de armas, carros e de seu grande líder que foge dos debates para não expor o seu vazio intelectual e espiritual.

É aí que estamos, esse é o legado da Lava Jato para o Brasil até aqui. Sobreviveremos a isso? Saberemos as chances nos próximos dias. Sempre é bom lembrar que o país que deu nomes como Kant e Goethe ao mundo, não sobreviveu e mergulhou numa espiral de loucura que custou a vida de milhões de pessoas. Há momentos na vida e na história em que somos convocados a tomar decisões que delimitam dois campos: o da coragem e o da omissão. Tod@s nós tomaremos uma decisão sobre isso neste domingo.

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Dos acampamentos na beira de estradas às retomadas: a luta do povo guarani pelo ‘lugar onde se é’

Na Aldeia Mata Sagrada, em Maquiné, guaranis lutam pela preservação de sua cultura e do seu modo de ser. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Todos os dias, uma cena se repete nas margens de rodovias gaúchas, mostrando um lado sonegado da história da colonização do Estado. Famílias de indígenas guarani mbya e kaingang vivem acampadas em pequenas faixas de terra na beira de estradas ou em pequenas porções de terras e matas em uma situação de extrema vulnerabilidade. No artigo “Demarcação das terras e os direitos dos povos indígenas”, publicado no Relatório Azul 2017 (da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha), o professor João Mauricio Farias e Roberto Liebgott, coordenador do CIMI Sul, apresentam uma síntese sobre a realidade de 25 comunidades indígenas que estão vivendo em acampamentos ou áreas degradadas. Essas famílias convivem diariamente com a fome, falta de moradia, de saúde, educação, de terra para plantar e cultivar sua cultura, além de outros riscos como o da ameaça de atropelamento em rodovias de intenso movimento.

A maioria das terras indígenas no Rio Grande do Sul, apontam ainda João Mauricio Farias e Roberto Liebgott, não estão demarcadas. De um total de 90 áreas, apenas 14% estão regularizadas. As restantes estão envolvidas em processos paralisados ou em estudos de identificação que ainda nem começaram. Mesmo que a soma dessas áreas não atinja 1% do território gaúcho, fazendeiros e seus representantes políticos trabalham contra as demarcações. O esquecimento a que essas comunidades são relegadas parece andar de mãos dadas com a tentativa de esconder a história de como essas famílias indígenas chegaram ali, vivendo na beira das estrada, espremidas entre o asfalto e a cerca das fazendas. Neste processo, as terras indígenas foram divididas entre as oligarquias regionais e loteadas por empresas de colonização. É um capítulo da história do Estado que muita gente prefere não conhecer ou fingir que não existe. No século XVII, viviam aqui pelo menos 40 povos indígenas diferentes. Quatro séculos depois, restam pouco mais de 30 mil indígenas vivendo no Estado.

Durante dois dias, o Sul21 visitou quatro acampamentos de guaranis mbya localizados na beira de movimentadas rodovias do Rio Grande do Sul e a primeira retomada guarani no Estado, que é um símbolo de esperança e resistência para os indígenas. Todos os dias, uma parte importante da economia gaúcha passa em alta velocidade por esses acampamentos que reúnem os descendentes de povos originários que foram massacrados e expulsos de suas terras e que lutam até hoje um pedaço de terra inferior a 1% do território do Estado. Mas a luta guarani não se resume à terra. Na aldeia Tekoà Ka Aguy Porá, que surgiu da retomada em Maquiné, no litoral norte do Estado, desenrola-se também uma luta silenciosa pela sobrevivência da língua, da cultura e da espiritualidade guarani. (Leia aqui a íntegra da matéria)

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Corrida por terras ameaça comunidades tradicionais e áreas indígenas, diz professor da UnB

Sérgio Sauer: “Os fundos de pensão estão mais preocupados com o tema dos juros e da valorização da terra, ou seja, da especulação”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A demanda crescente por terras, em nível nacional e internacional, está aumentando a pressão de grandes investidores sobre territórios de comunidades tradicionais, unidades de conservação e terras indígenas. Há uma corrida mundial por terras em curso pelo menos desde 2008, que se reproduz também no Brasil por meio de projetos de investimentos produtivos e especulativos. O governo Temer vem trabalhando com a lógica de acelerar esses investimentos alimentando a pressão exercida por interesses do agronegócio, da indústria de mineração, de energia e de fundos de pensão internacionais.

“Os fundos de pensão estão menos preocupados com a produção e muito mais preocupados com o tema dos juros e da valorização da terra, ou seja, da especulação. As linhas de fronteira entre o que é um investimento produtivo e um investimento especulativo acabaram se mesclando muito”, diz Sérgio Sauer, professor da Universidade de Brasília e pesquisador de temas relacionados à Reforma Agrária, terra e território. Sauer esteve em Porto Alegre na última sexta-feira (14), participando de um debate sobre a lei 3465/2017, batizada de “Lei da Grilagem”. O encontro foi promovido pela Rede de Advogados e Advogadas Populares (Renap), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Fórum Justiça, movimentos populares e outras entidades.

Em entrevista ao Sul21, Sérgio Sauer fala sobre os interesses que estão por trás dessa lei, sobre a possibilidade dela aumentar a concentração de terras no país e aponta outras propostas que estão tramitando, como a de liberar a mineração em terras indígenas e a de transferir para o Congresso Nacional a prerrogativa de aprovar a demarcação de terras indígenas e quilombolas, que atualmente é responsabilidade do Executivo. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

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A necessária unidade da esquerda

“Temos que aprender e evitar processos anteriores”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Raul Pont (*)

As últimas eleições no Rio Grande mostram que precisamos aprender com elas e não cometer erros que são evitáveis.

Polarizações iniciais nem sempre chegam ao final e surgem terceiras vias, alternativas disfarçadas e alavancadas pela mídia, com o mesmo programa e objetivos conservadores, mas que se apresentam como algo diferente, como o novo.

Foram assim que candidaturas como Rigotto, Yeda e, na última eleição, Sartori, aparecendo por fora da polarização na época, elegeram-se como alternativas novas, contra o “radicalismo” e pela “unidade do Rio Grande”. No último pleito, o “Rio Grande” chegou a virar partido no discurso do gringo que – agora está provado – NÃO deu certo!

Esse discurso prospera porque, apesar de ser meramente ideológico, enganador e oportunista, é alavancado pela mídia que ao longo dos anos cria estereótipos e inventa versões dos fatos que se transformam em verdades.

Nesta eleição, a bola da vez é o preferido da RBS que o vem cevando há anos como exemplo de moderação, simpatia e equilíbrio. O moço é tão equilibrista que se apresenta na TV como sendo de esquerda e de direita, simultaneamente. Um verdadeiro fenômeno da ciência política. Na realidade, não passa do velho oportunismo, do disfarce tucano para esconder a política real praticada. Ele e seu partido estão no governo golpista com Temer e apoiaram, votaram e são responsáveis por todas as políticas anti-povo trabalhador (salários, previdência, leis trabalhistas) e anti-nação (entrega das reservas do pré-sal, liquidação da Petrobrás, negociata da Embraer, privatizações). Ele e seu partido estão juntos com Sartori no governo e na Assembleia Legislativa. Votaram juntos todas as matérias que prejudicam os funcionários, aposentados e a estrutura administrativa do Rio Grande.

A excelência administrativa como prefeito, só existe nas colunas da mídia pois TODAS as obras relevantes em Pelotas são fruto da forma republicana que o Governo Dilma tratava as Prefeituras em todo o país. As responsabilidades do município, porém, já não eram tão republicanas como provam os contratos criminosos com as terceirizações nos exames de saúde.

Não vamos esquecer que o PSDB do Marchezan Júnior, do ex-prefeito de Pelotas e o PMDB do “gringo que NÃO deu certo” são os formuladores, os responsáveis pela política da “Ponte para o Futuro” que é o programa do governo Temer e do governo Sartori e seus aliados.

Nesse momento, portanto, temos que aprender e evitar processos anteriores. Em 2016, nas eleições me Porto Alegre, apesar da soma das candidaturas da esquerda no primeiro turno chegarem aproximadamente a 30%, nenhuma delas foi para a disputa final. O tucano que se apresentava como o novo, o anti-política e que ia revolucionar a administração com seus novos métodos, está agora fazendo a população e, em especial, os servidores públicos pagarem o preço por sua arrogância, autoritarismo e total incompetência como gestor público.

As pesquisas eleitorais publicadas nos últimos dias, com as ressalvas e cuidados que exigem em sua análise, apontam para uma evidência. Não há clara definição de quem chegará no segundo turno.

Assim, a resposta exigida pela conjuntura política é a de construção da unidade em torno do programa e da candidatura que expressa a garantia da disputa final. Esse é o desafio colocado para a esquerda com compromisso com o conjunto do povo trabalhador que é quem vem pagando a conta desses desastres nacional e estadual.

Uma ampla unidade do campo da esquerda, ainda no primeiro turno, não prejudicaria as nominatas proporcionais e significaria um grande impulso, uma novidade para desequilibrar a campanha e colocar todas as forças do campo popular e socialista contra o inimigo comum: o neoliberalismo rentista e entreguista que governa o país e o Estado, liquidando com os serviços públicos e enriquecendo banqueiros e especuladores.

Este é o grande desafio para o campo de esquerda. Ampliar a unidade já alcançada com o PT e o PCdoB, com os verdadeiros socialistas que não se renderam à traição programática de apoio a Sartori-Cairoli, com os (as) companheiros (as) do PSOL, do PSTU, do PCB e PCO.

O compromisso maior com os setores sociais que representamos exige de todos nós, nessa conjuntura diante de um inimigo comum, a grandeza política de somarmos forças para garantir uma saída popular à crise que o Estado vive.

Temos certeza que os setores trabalhistas que estiveram no combate ao governo Sartori nestes últimos anos também se somarão a este desafio histórico que estamos vivendo. Essa compreensão já é uma realidade na iniciativa supra partidária que organiza intelectuais, professores e trabalhadores sem vínculo partidário no apoio à Chapa Rosseto-Ana Affonso.

A iniciativa está tomada. Vamos conversar e construí-la.

(*) Ex-prefeito de Porto Alegre

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A carta de Lula ao povo brasileiro: “Haddad será Lula para milhões de brasileiros”

Foto: Ricardo Stuckert

Curitiba, 11 de setembro de 2018

Meus amigos e minhas amigas,

Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sergio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o PROS, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salario digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

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Nova medicina do câncer traz esperança e um dilema: estamos preparados para prever o futuro?

Siddhartha Mukherjee: “Já sabemos que cada caso de câncer é único. Não há doença como esta”. (Fronteiras do Pensamento / Luiz Munhoz)

Uma pesquisa realizada em 1986 nos Estados Unidos perguntou a um grupo de pessoas quais eram as palavras que elas mais temiam. As duas palavras mais citadas foram “tubarão” e “câncer”. O medo relacionado à primeira palavra foi, em grande medida, alimentado pelo filme de Steven Spielberg, de 1975. Já o medo em relação ao câncer se projeta bem mais longe no passado e, muito provavelmente, também no futuro. O medo do câncer está diretamente ligado à ameaça da morte, da nossa própria morte ou de entes queridos. Mas esse medo tem também outras dimensões. Uma delas é a possibilidade de tomarmos conhecimento, por meio de novas tecnologias médicas, da presença atual ou potencialmente futura de doenças em nosso corpo ou de alguém que amamos. Conhecer o futuro também abre espaço para o medo.

“No final da minha fala hoje aqui quero que vocês tenham um pouco menos de medo”, disse o médico oncologista e escritor Siddhartha Mukherjee no início de sua fala, segunda-feira à noite, no salão de atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em mais uma edição do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento. “Genes, câncer e o futuro da Medicina”, foi o tema da conferência do autor de “O Imperador de todos os males – uma biografia do câncer”, obra vencedora do Prêmio Pulitzer em 2011, e de “O Gene – uma história íntima”. Durante aproximadamente 45 minutos, Mukherjee falou sobre estamos agora na pesquisa sobre o câncer e quais os principais desafios para o futuro.

Ao abordar esses temas, o médico e professor da Universidade Columbia, citou uma crítica ao livro “O Imperador de todos os males” publicada na revista The New Yorker (Cancer World08/11/2010Escrita por Steven Shapin, um historiador da ciência, a resenha toca num ponto considerado fundamental por Mukherjee. Um mundo onde o câncer é normalizado como uma condição crônica, mas administrável, seria uma coisa maravilhosa, mas um mundo de risco onde todos nós vivemos pensando nós mesmos como pré-cancerosos não seria nem um pouco maravilhoso, questiona Shapin. Essa situação de vigilância permanente, acrescenta, pode diminuir a incidência de algumas formas de malignidade, enquanto aumenta enormemente o número de pessoas saudáveis sob tratamento médico. Seria uma estranha vitória em que o preço a ser pago para identificar, o mais cedo possível, a presença de câncer no corpo seria a sua disseminação descontrolada pela cultura da sociedade, diz o historiador da ciência.

É importante ter essa reflexão em mente, assinalou Mukherjee, pois os avanços da pesquisa e da medicina estão nos colocando nesta direção. “Já sabemos que cada caso de câncer é único. Não há doença como esta. Estamos começando a entender o câncer em nível celular e molecular e avançando nas tecnologias de detecção precoce e tratamento preciso. Mas não estamos preparados para a disseminação cultural do câncer, referida por Steven Shapin, que esses avanços provocarão. E precisamos nos preparar para esse mundo que vai chegar muito mais cedo do que pensamos”.

Mukherjee citou três exemplos da gramática que já começa a descrever esse mundo. A palavra “previvente”, observou, não existia há dez anos e define as pessoas que ainda não tiveram a doença mas podem vir a ter.  Outra palavra recente é “scananxiety”, que é a ansiedade vivida por quem realiza exames de pet scan. Uma terceira expressão dessa nova realidade é “haircut party”, um encontro que reúne amigos e familiares de alguém que vai se submeter a um processo de quimioterapia.

“Não estamos preparados para a disseminação cultural do câncer” Fronteiras do Pensamento / Luiz Munhoz

Essas palavras e expressões, acrescentou, apontam também os marcos do novo plano global de luta contra o câncer. Esse plano tem três características centrais. A primeira delas é a ênfase em prevenção, por meio da identificação de novos estados carcinogênicos, como obesidade e inflamações, por exemplo. Esses estados carcinogênicos podem ser modificados por mudanças de comportamento (a redução do tabagismo é um exemplo disso). A segunda é a detecção precoce para identificar os primeiros sinais de câncer no corpo usando novas tecnologias como as biópsias líquidas. A terceira é o uso da genética e da fisiologia do próprio organismo para elaborar tratamentos individualizados.

As novas possibilidades de detecção precoce, por outro lado, trazem alguns problemas que precisaremos enfrentar, destacou Mukherjee. Como poderemos saber se não estamos fazendo diagnósticos em excesso, de forma desnecessária? Qual o custo para fazermos isso de forma massiva e sistêmica? Essa mesma questão se coloca para a possibilidade de tratamentos individualizados. “Cada câncer tem suas próprias digitais. A diversidade de casos de câncer é igual à diversidade de seres humanos. A diversidade da doença espelha a diversidade dos pacientes. Esse é um dos maiores desafios que temos que enfrentar”, acrescentou, referindo-se às novas possibilidades abertas pelas medicinas personalizadas com técnicas de imunoterapia, que utilizam o próprio sistema imune para atacar o câncer.

A partir da década de 1990, assinalou ainda, começou a ser possível não somente fazer essa personalização, mas também fazer isso o mais cedo possível. Isso significa abrir o debate sobre como reduzir o risco antes de ter câncer. “Estamos nos afastando da lógica do tratamento ‘daqueles que têm câncer’ para a lógica do ‘todos’. Esse é um deslocamento cultural muito importante. Passamos a pensar a questão do risco sob novas formas”. Hoje, nos Estados Unidos, relatou, é possível sequenciar a parte relevante do genoma de uma pessoa por aproximadamente 1.000 dólares. Esse preço deve cair significativamente nos próximos anos. De posse desse sequenciamento, é possível identificar riscos potenciais de se ter um câncer no futuro. Além das possibilidades de detecção precoce e de tratamento mais eficaz, isso também traz algumas questões incômodas. Mukherjee fez alguns questionamentos ao público para ilustrar esse ponto.

“No futuro, será possível prever a altura de seu filho ou filha a partir do código genético do feto. Quem aqui gostaria de ter essa informação? Também será possível saber o risco de sua filha, por exemplo, ter câncer de mama, a partir do código genético do feto durante a gravidez? E se um exame desse tipo mostrar que seu filho terá 50% de chances de ter uma grave doença neuro-degenerativa quando tiver entre 10 e 15 anos, você levará a gravidez adiante mesmo assim? Quantos aqui fariam alguma coisa com essas informações. Esse é o mundo que estamos inventando e ele vai chegar mais cedo que imaginamos. É um mundo um tanto assustador”.

O médico contou que viveu esses dilemas quando sua obstetra perguntou se ele queria fazer o sequenciamento genético de seus filhos. “Tenho um histórico de doença mental em minha família. E se o sequenciamento genético mostrasse que uma delas corria esse risco, de que forma isso mudaria o meu relacionamento com elas. Uma delas teria essa marca e a outra não. A minha obstetra disse que isso era verdade, mas que havia outro elemento a considerar: se daqui a cinco anos nós tivermos um tratamento para essa doença, você não gostaria de saber que ele poderia curar sua filha?”.

Mukherjee comparou essa nova realidade que está emergindo aquilo que o sociólogo Erwin Goffman chamou de “instituição total”: “um local de residência e de trabalho onde um grande número de indivíduos com situação semelhante, separados da sociedade mais ampla por um período considerável de tempo, levam uma vida fechada e formalmente administrada”. Ele retornou, aqui, ao questionamento feito por Steven Shapin, na New Yorker: em que medida ingressaremos em um mundo sob uma situação de permanente vigilância e angústia, onde acordaremos de manhã e pensaremos: é hoje que vou detectar meu câncer? É hoje que meu filho vai receber um diagnóstico da doença?”.

O médico não encerrou sua conferência, porém, com um tom pessimista “O mundo não é dividido entre cientistas e não cientistas. Se escondermos da sociedade esse mundo que estamos criando, teremos problemas ainda maiores. Por isso, entendo que devemos falar sobre isso e nos prepararmos para viver essa realidade que está surgindo”. Se fosse possível resumir a conclusão de sua conferência, ela poderia ser: não saber é pior.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Frei Sérgio: ‘O que não queríamos no Império se preservou no Judiciário. Precisamos enfrentar essa casta’

Frei Sérgio saiu de Brasília com uma visão “muito dura” sobre o que viu no STF: “perderam a sensibilidade humana”. (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

Pela quinta vez em sua vida, Frei Sérgio Antonio Görgen adotou a greve de fome como uma forma de luta e de protesto. Desta vez, o frade franciscano e integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) integrou um grupo de sete militantes de movimentos populares (além dele, Jaime Amorim, Zonália Santos, Rafaela Alves, Luiz Gonzaga, Vilmar Pacífico e Leonardo Soares) que foi a Brasília fazer uma greve de fome cujo alvo de protesto foi o núcleo duro do Judiciário do país, o Supremo Tribunal Federal. A escolha do método da greve de fome para realizar esse protesto foi resultado de uma avaliação política. Frei Sérgio resume a lógica que regeu essa escolha.

“Em toda a sua história no Brasil, o movimento social nunca tinha colocado o Judiciário como centro de suas reivindicações e de sua pressão. Até então, era sempre o Legislativo, o Executivo ou os dois juntos. Agora, foi a primeira vez que as baterias dos movimentos sociais se voltaram para o Judiciário. Escolhemos o método da greve de fome porque ele é um protesto silencioso não ofensivo, mas apelativo. Avaliamos que qualquer outro instrumento de pressão que costumamos adotar para o Executivo ou o Legislativo poderia se voltar contra nós”.

Na chuvosa manhã de sexta-feira (31), Frei Sérgio recebeu o Sul21 na sede provincial dos franciscanos no Rio Grande do Sul, na zona sul de Porto Alegre, para fazer um balanço da greve de fome de 26 dias, a mais longa da qual já participou. Ele considera que o protesto cumpriu o papel a que se propunha: sensibilizar a população, confrontar o Judiciário e demonstrar que ele é o responsável principal pelo que esta acontecendo no país e pela continuidade do golpe. O frade franciscano saiu de Brasília com uma visão que define como “muito dura” sobre a experiência que teve no STF e sobre o papel que o Judiciário desempenha hoje no país:

“O que não queríamos no Império se preservou no Judiciário. Um dos motivos que nos levou a criar a República hoje se preserva no Judiciário. Temos um grupo de famílias que se reproduzem lá dentro. Um exemplo disso é o desembargador Thompson Flores, presidente do TRF4. Temos aí uma relação de pai para filho que vem desde o golpe de 1964 e vai mais para trás ainda. O bisavô de Thompson Flores chefiou as últimas expedições para destruir Canudos. É uma família de elite anti-povo. Precisamos enfrentar essa casta”. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

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Na volta a Porto Alegre, Frei Sérgio fala em nova etapa da luta: ‘agora é na rua’

Frei Sérgio Görgen com outros militantes e familiares durante recepção no aeroporto Salgado Filho. (Foto: Júlia Flôres/Brasil de Fato)

Após permanecer 26 dias em greve de fome, em Brasília, juntamente com seis militantes de movimentos populares do país, Frei Sérgio Görgen retornou nesta segunda-feira (27) a Porto Alegre, afirmando que o fim do protesto não representa o fim de nada, mas sim marca o início de uma nova fase da luta pela democracia e por direitos no país. Os militantes, familiares e apoiadores que foram ao Aeroporto Internacional Salgado Filho receberam Frei Sérgio aos gritos de “Lula Livre”, com muitos abraços e manifestações de apoio. Visivelmente mais magro, mas sem demonstrar abatimento, o integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) desceu acompanhado por Ronald Wolff, um dos médicos populares que esteve com os grevistas de fome durante todo o protesto.

Na chegada, Frei Sérgio disse à Rede Soberania que o movimento da greve de fome não conseguiu mexer com os brios dos ministros do Supremo Tribunal Federal, porque “lá não tem mais brio”. “Brio é palavra, é compromisso, é cumprir o que se promete. Eles estão descumprindo a Constituição e rasgaram o artigo 3º da Constituição. Eu tive a oportunidade de dizer isso a todos os ministros com quem nos encontramos. A fome, a mortalidade infantil, doenças já erradicadas e o desemprego estão voltando em função do descalabro total do Estado brasileiro. Nós dissemos isso com todas as letras: vocês do Supremo Tribunal Federal são coniventes com isso e estão deixando o país seguir à deriva. Mas o pior é que vocês estão desmoralizando um dos poderes da República. A desmoralização do Executivo e do Legislativo é possível de resolver, mas uma desmoralização do Judiciário seria terrível para o país”.

Frei Sérgio não voltou muito otimista após o contato que teve com os ministros e ministras do Supremo no período da greve de fome. “O que senti lá”, relatou, “é que aquelas paredes frias do Supremo acabaram esfriando também o sangue de quem foi lá para dentro”. Após o encontro no aeroporto, amigos e companheiros de militância de Frei Sérgio prepararam um almoço especial de recepção para ele. Ainda ingerindo pouca quantidade de alimento, em função dos efeitos da greve de fome, o frei franciscano agradeceu todas as manifestações de apoio e solidariedade que recebeu nas últimas semanas e anunciou os próximos passos da luta que, destacou, entra numa nova etapa. “Agora, a luta é na rua, na conversa com a população e na mobilização da sociedade pela defesa da democracia e dos direitos”.

O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro participou do almoço e agradeceu a Frei Sérgio pelo exemplo que deixou a toda militância que está lutando pela libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo direito do mesmo ser candidato à presidência da República na eleição deste ano. O militante do MPA agradeceu as palavras de apoio e destacou que, embora a greve de fome não tenha conseguido seu objetivo principal ela deixou um símbolo de esperança, unidade e da resistência popular no Brasil.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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A utopia, o horizonte e o caminhar (considerações a partir da #GreveDeFome por #JustiçaNoSTF)

“As vitórias simbólicas são tão relevantes quanto aquelas que empreendemos no campo concreto”.
(Foto: Divulgação/MPA)

Marcos Antonio Corbari (*)

Vivemos dias intensos de luta e aprendizado. Uma luta que não cessa, um aprendizado que segue, ambos para além do alcance de nosso olhar. O cenário que nos envolve e funda as condições deste tempo é nebuloso e opressivo, não faltando elementos que nos conduzam ao abraço claustrofóbico da ansiedade, da desesperança, do tombo entre o nada e o nada. Dia a dia tentam rasgar nossos sonhos e criminalizar nossa luta. Em meio a estes ataques cruéis somos desafiados a seguir sorridentes, altivos, esperançosos, certos de uma vitória que ainda não está ao alcance de nossas mãos, mas reside esplendida em cada instante do nosso caminhar.

Galeano, citando Birri, nos ensinou o sentido da Utopia. Essa mania tão bonita que nós, que seguimos pelo lado canhoto da história, respiramos como se fosse o próprio ar, consumimos sem moderação como se fosse o alimento mais vital. Caminhamos, sonhamos, lutamos por uma utopia que está sempre posta horizonte. Cada passo em sua direção, um passo ela também se distancia. E se não a podemos tocar com as mãos, de que nos serve? Gracias, Galeano, por nos ensinar esse sentido, ela serve para nos fazer caminhar.

Sete camaradas de sonho passaram 24 dias em um ato extremo, onde colocaram a própria vida como instrumento de luta. Greve de fome, por justiça no STF! Ou, como convencionamos dizer, “fome contra a fome”. Vislumbraram objetivos coletivos, lançaram perspectivas de justiça e liberdade, firmaram punhos cerrados e renegaram o alimento do corpo para fortalecer a certeza da causa: não é justo que uns lambuzem-se de fartura e opulência enquanto muitos outros subsistem a partir do quase nada, ou até mesmo perecem, carentes do alimento e do sentido de ser. Não faltarão, com toda certeza, as aves de rapina de plantão para tentar desdizer suas verdades. Nós, porém, que caminhamos ao seu lado nestes dias tão intensos, somos testemunhas de vitórias que se construíram a cada dia e se solidificaram passo a passo no lado correto da história.

Nestes dias nos reafirmamos como cidadãos e cidadãs com consciência de classe na cara da corte, enfrentamos o ódio irracional dos toscos com a força da fraternidade de quem sabe que o SER sempre há de ser mais forte que o TER. Firmamos uma narrativa a partir do campo popular, ajudamos a escrever a história de nossa gente e fizemos o judiciário – até então um poder inacessível aos mais simples – olhar para o povo e envergonhar-se de sua covardia cerimonial. Encontramos eco em sonhos outros que se multiplicaram a partir dos sete guerreiros iniciais e chegaram às dezenas seguintes e, rapidamente, se fizeram centenas, milhares, milhões… E ao arrematar, se torna impossível não relembrar o Che, em resposta a um questionamento de como seria se fosse abatido em combate. Olhar altivo o comandante profetizou a própria queda, enunciando que a morte seria bem vinda desde que seu grito fosse ouvido e outras mãos disponíveis se propusessem a empunhar suas armas na continuidade do combate.

Vencemos, camaradas. Ainda não a guerra, é verdade, mas especificamente nessa batalha, temos muitas vitórias a serem saudadas. As vitórias simbólicas são tão relevantes quanto aquelas que empreendemos no campo concreto. Algumas vezes até mais. A vitória maior se construirá a partir de muitas conquistas como estas. Fizemos nossa pequena parte no grande embate que nos cobra posição, dedicação, consciência e espírito de sacrifício.

Vencemos, porque nosso grito foi ouvido e muitas mãos se propuseram a empunhar nossas “armas” para seguir o bom combate. Muita gente que se mantinha em silêncio manifestou a voz. Muitos irmãos e irmãs que se julgavam sufocados pela opressão dos mais fortes voltaram a encontrar confiança para cerrar os punhos e erguer a voz. Bem-vinda seja o tombo que nos derruba no instante, mas fortalece a linha dorsal do nosso corpo para seguir adiante. Estamos em pé, fortes e convictos, prontos para dar uma passo a mais.

Obrigado Rafaela, Zonália, Gegê, Leonardo, Vilmar, Jaime e Sérgio, por nos fazerem olhar adiante e reencontrar no horizonte a utopia que nos faz caminhar e no instante compartilhado a certeza de que sim, é preciso seguir adiante. Um passo de cada vez, até a vitória, sempre!

(*) Jornalista, Militante do MPA

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