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‘Não há nada mais desmobilizador hoje do que 2018. Entre nós e 2018 há um abismo’

Juarez Guimarães: “Se não enfrentarmos a possibilidade do abismo corremos o risco de ser tragado por ele”. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

“O golpe em curso no Brasil se insere no processo internacional da contrarrevolução neoliberal que está construindo estados constitucionais não democráticos pelo mundo inteiro. Os golpistas estão divididos e enfrentam dificuldades para lidar com a crise de legitimidade decorrente do golpe, mas estão unificados programaticamente. E esse programa põe em questão princípios fundamentais do pensamento democrático do pós-guerra, gerando um cenário de instabilidade , ódio e intolerância”. A avaliação é do cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta graves conseqüências desse quadro nos planos nacional e internacional. “Os valores fundamentais da paz, da liberdade, dos direitos humanos, do pluralismo e da tolerância estão em questão e é por isso que falo que estamos vivendo uma crise civilizacional”, diz o cientista político em entrevista ao Sul21.

Juarez Guimarães analisa os acontecimentos recentes da vida política brasileira sob a perspectiva de uma linha histórica mais longa, aponta um déficit de consciência da esquerda sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, defende a centralidade da campanha por Diretas Já e adverte sobre os riscos de depositar todas as esperanças em 2018 para a superação da crise atual. Para ele, quem achar que estamos vivendo apenas um intervalo no processo de normalidade democrática, pode avaliar, por exemplo, que a sentença do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula deve ser reformada em segunda instância, uma vez que não tem base jurídica nem provas. No entanto, diz, estamos vivendo um estado de excepcionalidade onde a exceção é a regra. “Moro é corrompido politicamente e está exercendo seu mandato de juiz de forma partidária”. E acrescenta:

“Qualquer pensamento político que se estreitar no plano da legalidade jurídica estará cometendo um gravíssimo erro. Com o STF, tal qual está funcionando, com a Constituição tantas vezes violada como foi, qual a dificuldade em praticar mais uma violação? Não nada mais desmobilizador, hoje, do que 2018, porque entre nós e 2018 há o abismo. Se não enfrentarmos a possibilidade do abismo corremos o risco de ser tragado por ele”. (Leia aqui a entrevista na íntegra)

Ato na Esquina Democrática expõe frágil unidade da esquerda e dilema de 2018

Manifestação na Esquina Democrática virou uma vigília em apoio ao ex-presidente Lula, por Diretas Já e o afastamento de Michel Temer da presidência. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

Há cerca de um ano e meio, a Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, vem sendo palco de manifestações que iniciaram com palavras de ordem em defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff e contra o golpe parlamentar que começou a se acelerar no primeiro semestre de 2016 e prosseguiram denunciando esse golpe e sua agenda política de reformas que vem eliminando direitos sociais e trabalhistas conquistados nas últimas décadas. Na noite desta quinta-feira (13), esse tradicional território de manifestações políticas na capital gaúcha viveu mais uma manifestação que expôs algumas das principais dificuldades e dilemas colocados para a esquerda brasileira na atual conjuntura política.

Inicialmente, a manifestação desta quinta na Esquina Democrática foi convocada pelo coletivo Juntos, ligado ao PSOL, juntamente com o PCB e a Juventude Pátria Livre, com uma agenda calcada no #ForaTemer e contra as suas reformas. Com a promulgação da sentença do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira, o PT, o PCdoB, sindicatos e movimentos sociais ligados à Frente Brasil Popular convocaram seus militantes para irem para a Esquina Democrática no mesmo horário. A confluência de convocações e agendas bastou para abalar a frágil unidade constituída por partidos e organizações de esquerda.

No final da tarde, o coletivo Juntos RS divulgou um comunicado em sua página no Facebook, informando que estava marcando uma nova data para o seu ato, 18 de julho, e criticando a agenda proposta pela Frente Brasil Popular para o ato desta quinta. “A Frente Brasil Popular presta um papel lamentável para a vanguarda brasileira que se mobiliza, tentando confundir a pauta urgente da luta contra as reformas e do Fora Temer com a defesa cega de Lula”, afirma o a nota do Juntos RS. O racha, como ocorreu em outras situações recentes, manifestou-se na Esquina Democrática com uma presença de militantes menor do que a registrada em manifestações anteriores. A juventude do PCB marcou presença no ato, mas a militância do Juntos não apareceu.

As diferenças sobre o “fator Lula” e os cenários projetados para 2018 acabaram solapando a unidade que, nos últimos meses, vêm sendo defendida por representantes de diferentes organizações de esquerda. O ato desta quinta reuniu cerca de 400 pessoas na Esquina Democrática e teve como centro a defesa do ex-presidente Lula contra a sentença do juiz Sérgio Moro. Desta vez não houve caminhada. O ato foi transformado em uma vigília, com manifestações de representantes de partidos, organizações sindicais e movimentos sociais.

A fala de Ezequiel Morais, do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), tocou na ferida da divisão entre as forças políticas e organizações sociais que estão unificadas pela bandeira do #ForaTemer, mas que começam a se dividir por questões relacionadas ao cenário eleitoral de 2018. Ele falou sobre o esforço que está acontecendo em Porto Alegre neste momento, envolvendo diferentes movimentos sociais de luta por moradia, para construir uma unidade de lutas e de pautas. Roberta Coimbra, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), também falou da importância da unidade diante das crescentes ameaças que vem se materializando como retirada de direitos.

Poucas horas antes do ato, em entrevista ao Sul21 que será publicada neste final de semana, o cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), antecipava alguns dos desafios que estão colocados para a esquerda brasileira neste momento. O desafio da unidade, assinalou, está sendo confrontado pela perspectiva do que vai acontecer em 2018. E aí, Lula é uma presença incontornável.

O racha no ato desta quinta, em função da sentença anunciada por Moro no dia anterior, é um dos elementos deste cenário, mas não o único. Não existe nada mais desmobilizador hoje, disse Juarez Guimarães, do que apostar que 2018 resolverá os problemas. O problema nesta aposta, sustentou, é que entre hoje e 2018 existe um abismo que, entre outras coisas, é formado por limites e contradições da própria esquerda. O ato desta quinta,na Esquina Democrática, em Porto Alegre, evidenciou as bordas deste abismo para quem quiser ver.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

 

Arno Augustin aponta diagnóstico equivocado sobre crise fiscal e critica política econômica

Arno Augustin: "Saímos de um ciclo virtuoso para um ciclo vicioso que tende a piorar a situação fiscal do país e não melhorar, em virtude da provável queda do PIB em 2015, aumento do desemprego e diminuição de renda". (Foto: Agência Brasil)

Arno Augustin: “Saímos de um ciclo virtuoso para um ciclo vicioso que tende a piorar a situação fiscal do país e não melhorar, em virtude da provável queda do PIB em 2015, aumento do desemprego e diminuição de renda”. (Foto: Agência Brasil)

O ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, criticou nesta quinta-feira (21) a atual política econômica do governo federal que, para ele, está baseada num diagnóstico equivocado sobre a situação fiscal do país. Para o economista, o Brasil saiu de um ciclo virtuoso para ingressar em um ciclo vicioso que tende a piorar a situação fiscal do país e não melhorar, em virtude da provável queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, com aumento do desemprego e diminuição de renda. Arno Augustin falou sobre a situação econômica do país no debate “A mudança necessária: por uma política econômica pós-neoliberal”, promovido pela Democracia Socialista, tendência interna do PT, na sede do partido, em São Paulo, com transmissão ao vivo pela internet. O encontro debateu um documento que defende uma mudança de rumos na política econômica do governo Dilma e que será apresentado no 5º Congresso do PT, de 11 a 13 de junho.

Arno Augustin questionou alguns consensos que se estabeleceram sobre a situação econômica do Brasil no final de 2014 e início de 2015. O economista assinalou que o Brasil viveu por cerca de oito anos, até 2014, um ciclo de crescimento econômico, fruto de uma política econômica claramente desenvolvimentista, mas hoje está entrando em uma nova fase, com uma visão de política econômica diferente. Augustin citou alguns indicadores da economia brasileira para questionar o diagnóstico de crise fiscal que começou a ser repetido diariamente nos meios de comunicação desde o final de 2014.

“Nós chegamos ao final de 2014 com uma taxa de desemprego de 4,8% e uma taxa de investimentos de 19,7%. A relação dívida/PIB, que era de 62,9% no final dos governos do PSDB, caiu para 36,7% no final de 2014. Se olharmos para a situação da economia do país no final do ano passado, fica difícil falar em crise fiscal, como o próprio governo vem falando agora”, defendeu.

“Diagnóstico equivocado pode piorar situação fiscal do país”

Documento que defende uma mudança de rumos na política econômica do governo Dilma será apresentado no 5º Congresso do PT, de 11 a 13 de junho. (Foto: Divulgação)

Documento que defende uma mudança de rumos na política econômica do governo Dilma será apresentado no 5º Congresso do PT, de 11 a 13 de junho. (Foto: Divulgação)

O fato de o país ter tido um pequeno crescimento da relação dívida/PIB em 2014, acrescentou, não autoriza o diagnóstico da crise fiscal. “Em 2009 tivermos um crescimento maior e ninguém falou que estávamos em uma crise fiscal. Passamos a ter uma política diferente a partir de um diagnóstico equivocado de crise fiscal. Saímos de um ciclo virtuoso para um ciclo vicioso que tende a piorar a situação fiscal do país e não melhorar, em virtude da provável queda do PIB em 2015, aumento do desemprego e diminuição de renda. A tendência é que a arrecadação do Estado também caia”, advertiu. Na avaliação do economista, o receituário de reduzir a ação do Estado, com corte de investimentos e elevação da taxa de juros faz com que o crescimento em 2015 esteja bastante ameaçado.

O ex-secretário do Tesouro Nacional questionou também o argumento que defende o ajuste fiscal como uma condição para controlar a inflação. Segundo Augustin, a inflação subiu um pouco em função de medidas corretas tomadas no primeiro governo Dilma para assegurar a manutenção do crescimento no país, mesmo que pequeno. “O país precisa voltar a investir e priorizar o crescimento. Precisamos de uma política monetária diferente da política atual, que vai aumentar a dívida pública, pois vai aumentar o pagamentos de juros pelo governo. Precisamos manter programas como o Pronatec, o Minha Casa Minha, assim como outros investimentos em infraestrutura. Não é necessário nem recomendável essa atual política”.

Por uma nova política da macroeconomia

Juarez Guimarães: "Houve a criação de um senso comum  a partir de uma massiva campanha de propaganda a partir de alguns dados isolados da realidade". (Foto: Divulgação)

Juarez Guimarães: “Houve a criação de um senso comum a partir de uma massiva campanha de propaganda a partir de alguns dados isolados da realidade”. (Foto: Divulgação)

O cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), defendeu uma nova política da macroeconomia brasileira e criticou o processo de captura de instituições como o Banco Central pelo mercado financeiro. “Há uma disputa por hegemonia política no debate da política macroeconômica. O debate econômico é fortemente permeado por disputa de valores e de visões de mundo. Chamam fracassada uma política econômica que promoveu pleno emprego, controlou inflação, gerou renda e reduziu pobreza. Fracassada como?” – questionou. Guimarães chamou a atenção para o papel do monopólio midiático, aliado do setor financeiro, nesta disputa: “Há um forte processo de formação de opinião e de controle do acesso às informações no debate da política econômica. Houve a criação de um senso comum a partir de uma massiva campanha de propaganda a partir de alguns dados isolados da realidade. Criou-se um efeito simulacro que atingiu a todos. Precisamos repor o debate sobre a política econômica nos termos em que Arno Augustin colocou e sair dessa posição defensiva”.

Guimarães também defendeu que o Brasil não está diante de uma crise fiscal. “Na campanha eleitoral a pressão já era muito grande. Não havia crise fiscal, nem inflação descontrolada, nem perda de confiança do investimento internacional. O que aconteceu para ocorrer essa guinada conservadora na política econômica? Hoje temos um presidencialismo enfraquecido, com uma base política muito heterogênea. O poder de arbitragem da presidenta está muito diminuído. Estamos fazendo esse debate público para apoiar e fortalecer o governo Dilma, aumentar o dialogo com os movimentos sociais, para derrotar os inimigos do governo Dilma. São propostas no limite da responsabilidade para construir uma nova cena política no país”, disse o professor da UFMG.

“Crise fiscal é fabricada pelo terrorismo econômico”

Eduardo Fagnani: “Essa crise fiscal é uma crise fabricada pelo terrorismo econômico". (Foto: Unicamp)

Eduardo Fagnani: “Essa crise fiscal é uma crise fabricada pelo terrorismo econômico”. (Foto: Unicamp)

Eduardo Fagnani, professor de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) e coordenador da rede Plataforma Política e Social, também considerou “absolutamente correto” o diagnóstico apresentado por Augustin. “Essa crise fiscal é uma crise fabricada pelo terrorismo econômico. Como falar em crise em um país que no final de 2014 tinha uma taxa de desemprego de 4,8%, quando a Irlanda estava com 11% de desemprego, a Espanha 25%, Portugal 14% e a Itália 12%? Como falar de crise com uma relação divida /PIB na casa dos 35%, quando nos Estados Unidos ela é superior a 100%?” – questionou. Para Fagnani, essa crise foi fabricada para desgastar o governo e o PT, que não se defenderam. “Houve um problema de comunicação, Esses dados não foram divulgados, não houve contra-argumentação. Achamos que o João Santana ia resolver tudo. Nos Estados Unidos, Obama tem dez porta-vozes, que estão todo o dia na mídia respondendo e informando. O governo não tem nenhum”.

Se, por um lado, Fagnani concordou com o diagnóstico sobre a política econômica do documento que será apresentado pela DS no Congresso do PT, por outro, defendeu mais ousadia na parte propositiva. “Precisamos rever o tripé macroeconômico cuja ideia central é manter a riqueza do setor financeiro. Essa lógica de fazer superávit primário para pagar os juros interdita qualquer processo de desenvolvimento. Essa gestão ortodoxa do tripé macroeconômico tem sido criticada até pelo FMI”, assinalou. Na mesma linha, a economista Marilane Teixeira defendeu que o Estado brasileiro precisa retomar seu papel de impulsionado do crescimento econômico, o que exige, entre outras coisas, que ele volte a investir. Além disso, assinalou que é preciso enfrentar questões de fundo que vem sendo deixadas de lado. “O grande problema que precisamos enfrentar está localizado na estrutura produtiva do nosso país, na dependência exacerbada que temos em relação às exportações concentradas em commodities e no agronegócio.”

“Questão de fundo é a redução do custo do trabalho”

André Singer: “O objetivo é fazer um reajuste recessivo, até produzir uma quantidade de desemprego que leve à redução do salário dos trabalhadores". (Foto: Agência Brasil)

André Singer: “O objetivo é fazer um reajuste recessivo, até produzir uma quantidade de desemprego que leve à redução do salário dos trabalhadores”. (Foto: Agência Brasil)

Para André Singer, professor da Universidade de São Paulo (USP), a questão de fundo que está por trás da proposta do ajuste fiscal é a redução do custo do trabalho. “O objetivo é fazer um reajuste recessivo, até produzir uma quantidade de desemprego que leve à redução do salário dos trabalhadores. Os defensores desse modelo defendem que, se o Brasil não fizer isso, não será competitivo internacionalmente. É por isso que não podemos aceitar esse ajuste. É importante ter claro isso. É isso o que está em jogo. É fundamental para o futuro do PT se colocar contra essa proposta. Ou o partido é dos trabalhadores ou não é dos trabalhadores”, defendeu.

Na gênese da guinada conservadora na política econômica, assinalou ainda Singer, está uma vitória eleitoral e uma grave derrota política em 2014. “A burguesia brasileira se reunificou em torno desse projeto de redução do custo de trabalho que está sendo pedido desde 2012, quando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou à presidenta Dilma Rousseff um documento com 101 propostas para modernizar as relações de trabalho no Brasil. Todas essas propostas são no sentido de flexibilizar a CLT. O objetivo central é: reduzir o custo do trabalho. Houve uma reunificação do capital em torno desse projeto rentista e rompeu-se o pacto em torno de um projeto desenvolvimentista”. Esse é, para André Singer, o pano de fundo político da mudança de política econômica, que deve ser analisado pelos defensores da retomada do caminho desenvolvimentista.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

PT debate presente e futuro em seminário com Tarso, Stédile e Rui Falcão

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PT realiza um seminário sábado, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, para discutir seu presente e futuro, com a participação de Tarso Genro, Rui Falcão, Juarez Guimarães, João Pedro Stédile e Iole Ilíada, entre outros convidados. (Foto: MST/Divulgação)

 

O PT gaúcho programou uma série de atividades no mês de março para marcar a passagem dos 35 anos do partido e para debater o seu papel como organização na atual conjuntura de crescente polarização política no país. O PT participa do ato político desta quinta-feira (12) em defesa da Petrobras e da democracia, promove um jantar comemorativo aos 35 anos de vida e, no sábado, realiza um seminário para discutir seu presente e futuro com a participação de Tarso Genro, Rui Falcão, Juarez Guimarães, João Pedro Stédile e Iole Ilíada, entre outros. Segue a programação completa dessas atividades:

Dia 12 de março (quinta-feira) – Ato e marcha

7 horas – Esteio – Abraço a Petrobrás

10 horas – Largo Glênio Peres

12 horas – Ato em frente ao Palácio Piratini

– PT apoia e organiza junto com a Coordenação dos Movimentos Sociais

Dia 13 de março (sexta-feira) – Aniversário PT

20 horas – Jantar de comemoração dos 35 anos do PT
Local: Churrascaria Roda de Carreta/ CGT 35 Av Ipiranga 5.300/ Porto Alegre

Dia 14 de março (sábado) – Seminário – PT 35 anos: perspectivas e desafios

9 horas – Câmara de Vereadores de Porto Alegre: Lançamento do 5º Congresso do PT

1. Painel: “Os desafios e as Perspectivas para o PT, o Governo Dilma e a disputa de Hegemonia’
Painelistas: Tarso Genro- ex-governador/ Rui Falcão presidente nacional do PT/

Juarez Guimarães Cientista político, membro do Conselho de Redação de Teoria e Debate / Iole Ilíada – Vice-presidenta da Fundação Perseu Abramo

14 horas:

2. Painel: “As lutas sociais no Brasil no atual momento político atualidade, e o Recrudescimento Conservador”

Painelistas: João Pedro Stédile economista (PUC/RS) e líder nacional do MST/ Renato Simões deputado federal e dirigente nacional

Dia 21 de março – Início do Calendário de Encontros Regionais do PT

Dia 27 de março – Encontros Regionais

Pauta: Conjuntura/ 5º Congresso do PT/ Eleição da Coordenação Regional

(*) Publicado originalmente no Sul21.

“Se queremos um socialismo democrático precisamos de uma revolução democrática”

juarezguimaraes300 “Se defendemos uma transição democrática para o socialismo, precisamos de uma revolução democrática para fazer essa transição. Não podemos separar as ideias de revolução e de socialismo da ideia de democracia. Este é o grande desafio dos socialistas e marxistas hoje e essa revista pretende ser um espaço plural de reflexão sobre esse tema”. Foi assim que o cientista político Juarez Guimarães, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou a revista Democracia Socialista no ato de lançamento da mesma, ocorrido quinta-feira (21) à noite, no Sindicato dos Bancários, em Porto Alegre.  A publicação, anunciou Juarez Guimarães, pretende ser um local onde todos que reconhecem a importância dessa agenda possam se encontrar, escrever e refletir sobre os desafios que estão colocados para a esquerda hoje no Brasil, na América Latina e no mundo.

A revista é uma publicação quadrimestral da Democracia Socialista, tendência interna do PT, mas pretende promover o de debate e a reflexão sobre os desafios e dilemas da esquerda para além das fronteiras do partido. O deputado estadual Raul Pont observou que durante muito tempo a DS manteve o jornal Em Tempo como espaço de informação e debate teórico. O jornal, porém, ressaltou, foi ficando muito defasado com a evolução de novas tecnologias de comunicação. “Hoje, temos notícias e análises de conjuntura disponibilizadas diariamente. Decidimos então produzir uma revista teórica plural e não sectária, que está aberta a outras correntes do partido e também de fora do PT”, explicou.

“Todos aqui temos orgulho de tudo o que já fizemos em nossa trajetória”, acrescentou Pont, “mas sabemos também que há muitas coisas que não conseguimos fazer em nossos governos. Essa autocrítica é o que nos move para continuar avançando”. Na mesma linha, Juarez Guimarães destacou a importância da revista como ferramenta teórica para enfrentar o contexto de crescente pragmatismo registrado no interior do PT.

“Identificamos há alguns anos já que o PT vem convivendo com uma cultura pragmática que arrisca, no limite, dissolver a sua identidade como partido socialista. Não podemos seguir cedendo em valores em nome meramente do cálculo eleitoral utilitarista. Esse pragmatismo rebaixa o horizonte utópico e nos resseca a todos”, enfatizou o cientista político e dirigente do PT em sua fala no auditório do Sindicato dos Bancários.

Juarez Guimarães utilizou a figura do labirinto para fazer uma comparação entre a situação vivida pela esquerda hoje e aquela vivida no período pós-golpe de 64. “Os jovens que começaram a militar no período pós-golpe, naquela situação agônica, tinham diante de si um labirinto que parecia não ter saída, onde se cruzavam dilemas antigos e novos da esquerda brasileira. Esses dilemas envolviam a caracterização do estágio e da natureza do desenvolvimento brasileiro, os limites do conceito de revolução democrática burguesa, defendido então pelo Partidão (PCB). As divergências em torno dessas questões fizeram com que as cisões das esquerdas adquirissem a forma de um labirinto. Dezenas de pequenos grupos de esquerda passaram a buscar a saída desse labirinto. A saída desse labirinto foi a fundação do PT muitos anos depois, após muitos erros, no sentido de errância mesmo”.

“Assim como a esquerda nos anos 60 viveu esse labirinto”, acrescentou, “hoje nós vivemos o nosso labirinto também, resultante de um processo de cisão e descontinuidade da cultura marxista que tem uma relação profunda com os impasses vividos pelo PT hoje”. Para Juarez Guimarães, a chave para buscar a saída desse labirinto encontra-se no próprio Marx, em especial na ideia de auto-emancipação.

“Essa ideia central de Marx o protege de qualquer elemento repressivo ou autoritário que se possa querer extrair de sua obra”, defendeu, apontando aquele que considera ser o caminho estratégico a ser seguido pela esquerda no Brasil e no mundo: não dissociar as ideias de socialismo, revolução e democracia. “Esse é o grande desafio dos socialistas e marxistas hoje: fazer uma revolução democrática. Nunca esqueci de algo que o Raul (Pont) disse certa vez: quando estivermos confusos sobre o que fazer, precisamos dar democracia às pessoas. Fazendo isso, as chances de errar serão muito menores”.

Debate de lançamento da revista Democracia Socialista reunirá Raul Pont, Flávio Koutzii e Juarez Guimarães

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Na próxima quinta-feira, dia 20 de fevereiro, ocorrerá um debate de lançamento da primeira edição da revista Democracia Socialista. O encontro reunirá como debatedores Raul Pont, Flávio Koutzii e Juarez Guimarães. A atividade, aberta ao público, iniciará às 19 horas, no Auditório do Sindicato dos Bancários (Rua General Câmara, 424).

Segundo Joaquim Soriano, editor da publicação, a nova revista se inscreve na tradição marxista revolucionária e quer se relacionar “como espaço de diálogo e criação, de teoria e prática, de tradição revolucionária e abertura para os novos desafios do século XXI, de reflexão sobre a experiência nacional e interlocução com as grandes experiências de emancipação em curso, em particular as latino-americanas”. Além disso, quer ser um instrumento útil para a militância partidária e dos movimentos sociais, especialmente para as novas gerações.

A nova publicação da DS, tendência interna do PT, também quer ajudar a construir um campo teórico comum, tendo em vista o 5º Congresso do partido, que será realizado em 2015. O primeiro número traz uma longa entrevista com Emir Sader e tem como temas, entre outros: a Marcha Mundial das Mulheres, as jornadas de junho de 2013, as organizações de esquerda no Brasil nos anos 1970, a Revolução Cidadã no Equador e as origens da stalinização do Partido Comunista Italiano.