Arquivo da tag: Levante Popular da Juventude

Mulheres protestam contra Reforma da Previdência no aeroporto Salgado Filho

Ato denunciou impactos da aprovação da PEC nos direitos conquistados ao longo dos anos pelos trabalhadores do campo e da cidade. (Foto: Ana Costa/Divulgação)

Cerca de cem mulheres da Via Campesina, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Levante Popular da Juventude realizaram, no início da manhã desta terça-feira (7), um protesto contra a Reforma da Previdência Social do governo de Michel Temer (PMDB), no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre.

A ação, iniciada às 5 horas da manhã, ocorreu nos portões de embarque das empresas Latam e GOL e teve como objetivo dialogar com os deputados federais e senadores que apoiam o governo Temer e estarão viajando hoje a Brasília, para que se posicionem contrariamente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que trata da reforma previdenciária. Com faixas, cartazes e distribuição de panfletos, as mulheres também denunciaram os impactos da aprovação da PEC sobre os direitos conquistados ao longo dos anos pelos trabalhadores do campo e da cidade.

 

Antiga Fazenda Annoni recebe 12º Acampamento da Juventude da Romaria da Terra

Evento será realizado nos dias 26 e 27 de fevereiro, no Assentamento 29 de Outubro. (Foto: Divulgação)

Evento será realizado nos dias 26 e 27 de fevereiro, no Assentamento 29 de Outubro. (Foto: Divulgação)

Catiana de Medeiros – MST

Jovens do campo e da cidade promovem, dias 26 e 27 de fevereiro, o 12º Acampamento da Juventude da Romaria da Terra, na região Norte do Rio Grande do Sul. O evento, que será realizado no Assentamento 29 de Outubro, na área 1 da antiga Fazenda Annoni, no município de Pontão, tem como objetivos centrais resgatar historicamente a luta pela terra no país e debater o papel da juventude na atual conjuntura política.

O Acampamento da Juventude deve reunir mais de 600 jovens de todo o estado gaúcho, e terá espaços de formação com mais de 20 oficinas, debates, plenárias, Celebração dos Mártires e confraternização cultural. Este ano, o evento será norteado pelo tema “Juventude Construindo o Projeto Popular” e pelo lema “Prefiro morrer na luta do que morrer de fome”, em memória à Sem Terra Roseli Nunes, que foi assassinada durante protesto de agricultores em Sarandi, em 1987, e é símbolo da luta pela democratização da terra no país.

O evento é organizado pelo MST, Levante Popular da Juventude (LPJ), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Pastoral da Juventude (PJ) e Pastoral da Juventude Rural (PJR), com apoio da Arquidiocese de Passo Fundo e Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ele contará com as presenças, entre outras, do ex-governador do RS, Olívio Dutra e do presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, Edegar Pretto.

Segundo a coordenação do Acampamento, quem quiser participar das atividades deve preencher o formulário de inscrição, disponível na Página da Romaria da Terra no Facebook – www.facebook.com/RomariaDaTerraDoRS.

O Acampamento da Juventude deve reunir mais de 600 jovens de todo o estado gaúcho. (Divulgação)

O Acampamento da Juventude deve reunir mais de 600 jovens de todo o estado gaúcho. (Divulgação)

Romaria da Terra

Já no dia 28 de fevereiro, a CPT, com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Regional Sul III, Arquidiocese de Passo Fundo e MST, realiza a 40º Romaria da Terra, também na antiga Fazenda Annoni – Assentamento Nossa Senhora Aparecida, área 9. Esta edição do evento traz como tema “Romaria da Terra: 40 anos de luta e memória das conquistas” e como lema “Terra de Deus, terra de irmãos”.

A programação do evento envolve momentos de debates, integração e espiritualidade, e vai pautar questões ligadas à terra, valorizando o cuidado com a água e o meio ambiente, os pequenos produtores, a agroecologia e a agricultura familiar através da Feira da Reforma Agrária.

Ocupe Tudo: estudantes lançam site contra golpe na educação

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Coletivo de Comunicação do Levante Popular da Juventude

Está no ar mais uma ferramenta para contribuir com a luta contra o golpe na educação: o Ocupe Tudo. A ideia é reunir dados e materiais explicativos que estavam espalhados por aí sobre os diversos ataques que a educação vem sofrendo. Os materiais podem ser baixados e utilizados em espaços de debate, especialmente nas ocupas! O site está em construção, por isso sinta-se parte dele e faça o upload de algum material que você tenha, mas sentiu falta por lá. Acesse e divulgue!

Levante promove ações em oito capitais para denunciar a impunidade do massacre do Carandiru

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O Levante Popular da Juventude promove nesta sexta-feira (7), em oito capitais brasileiras, intervenções com o objetivo de denunciar a absolvição dos 74 responsáveis pelo massacre do Carandiru. As ações ocorrerão em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Natal, João Pessoa e Aracaju. Em Porto Alegre, a ação ocorrerá ao meio-dia na Esquina Democrática. Em São Paulo, será no Parque da Juventude, antigo Carandiru. A proposta das ações é rememorar cenas do massacre e denunciar a impunidade dos culpados.  Segundo Thais Carvalho, do Levante Popular da Juventude, as mobilizações seguirão até que um novo júri seja marcado. “O Estado brasileiro precisa reconhecer a sua responsabilidade e promover ações concretas que possam evitar que novos massacres como esse não se repitam”, afirma.

No dia 2 de outubro, completaram-se 24 anos do massacre em que 111 detentos foram executados por forças policiais que invadiram o Pavilhão 9 da então Casa de Detenção de São Paulo. A matança teve repercussão internacional, sendo considerada uma das maiores violações de direitos humanos já cometidas pelo Estado brasileiro. No dia 27 de setembro, a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou os julgamentos que condenaram militares pelo massacre. No julgamento, o desembargador Ivan Sartori, relator do processo, votou não só pela anulação, mas também pela absolvição dos réus. Segundo o juiz Sartori, “não houve massacre”, mas sim ”legítima defesa”. No episódio, nenhum policial foi morto. Todas as 111 mortes foram de pessoas que estavam sob custódia do Estado na Casa de Detenção.

Derrotas da esquerda: o que 2016 tem a nos ensinar?

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Levante Popular da Juventude

O ano de 2016 será marcado profundamente pelas derrotas das forças progressistas no Brasil. A primeira derrota por fora das urnas, com a consumação do Golpe em 31 de Agosto, a segunda derrota por dentro das urnas, nas eleições de 2 de Outubro. Tais derrotas são importantes em si mesmas, mas mais do que isso elas apontam para a reconfiguração política que está em curso em nosso país. Portanto, é fundamental que todas e todos os militantes de esquerda tiremos as lições delas.

1. Não podemos explicar a derrota eleitoral sem o Golpe

Muitas das avaliações sobre o pleito municipal de 2 de Outubro, tanto de intelectuais progressistas, mas principalmente dos analistas da grande mídia, tem atribuído a derrota eleitoral do PT, aos equívocos cometidos pelo próprio partido. Contudo, essa é uma análise um tanto superficial, pois ignora a conjuntura latino-americana de ofensiva neoliberal, e o contexto de linchamento político e de criminalização que o PT disputou essas eleições. A triangulação entre a grande mídia, o sistema jurídico-policial e direita partidária construiu um “consenso anti-petista” que inviabilizou a maior parte de suas candidaturas e de seus aliados. Isso significa que qualquer força política que estivesse no lugar do PT nessa correlação de forças estaria igualmente estrangulada por essa ofensiva neoliberal.

2. Não podemos reduzir essa derrota eleitoral ao Golpe

Ao mesmo tempo, não podemos justificar essas derrotas somente pelos méritos do inimigo. Não podemos isentar o PT, pelos erros que levaram ao Golpe, e consequentemente, as derrotas eleitorais nessas eleições municipais. O PT deixou de ser um instrumentos de organização política dos setores populares para a disputa de hegemonia na sociedade, e tornou-se mais uma máquina eleitoral para a disputa de espaços institucionais. Deixou um programa de reformas estruturais do Estado, pela gestão de políticas públicas que melhorassem a vidas das pessoas, desde que não gerassem conflitos. Nesse esforço foi mais amoldado pela lógica da administração pública, do que conseguiu moldá-la. Fez alianças pragmáticas, mas não construiu ao longo de sucessivos governos correlação para que pudesse prescindi-las, ao contrário, foi tornando-se cada vez mais refém dessas alianças. De modo que ao término de 13 anos de governos petistas qual o saldo de organização popular e consciência política que essa experiência legou? Portanto, a derrota de ontem não foi construída somente a partir do Golpe, ela foi consequência de uma estratégia equivocada. As responsabilidades sobre as derrotas de 2016 devem ser divididas entre os méritos do inimigo e os limites da estratégia hegemônica da esquerda.

3. A derrota do PT não favoreceu outras forças políticas de esquerda

A crise do PT tem estimulado as forças políticas de esquerda a se assanharem para assumir o lugar de força hegemônica no campo progressista. Contudo, o resultado das eleições de ontem não demonstra que o espólio eleitoral do PT esteja sendo capitaneado por alguma sigla. É certo que PC do B e PSOL tiveram candidaturas de destaque em centros políticos importantes. Mas as suas conquistas foram mínimas frente ao tamanho da derrota do PT. Analisando o número de vereadores eleitos, enquanto PC do B cresceu 4,8% (46 vereadores a mais), e o PSOL cresceu 8,2% (4 vereadores a mais), o PT perdeu 44% de sua representação nas câmaras municipais, o que significa 2.272 vereadores a menos. Ou seja, não está em curso a transição de um polo político de esquerda a outro, está em curso a perda de terreno institucional das forças progressistas. Portanto, essa derrota não deve ser vista somente como a derrota do PT, mas é uma derrota do campo progressista, que em muitos locais não conseguiu se apresentar como alternativa viável, deixando a disputa política entre frações burguesas. É uma derrota que se apresenta no plano institucional, mas suas raízes são mais profundas. De modo geral essa derrota é a expressão da incapacidade de todas as forças políticas progressistas constituírem força social, centrando suas energias no trabalho subterrâneo de formação política e organização do povo.

4. A Direita sai fortalecida em todas as suas matizes

O terreno perdido pelo PT tem sido conquistado por partidos conservadores. Em primeiro lugar destaca-se, na fumaça da fragmentação partidária que virou o sistema político brasileiro, o crescimento das siglas menores (PSD, SD, PSC, PRB, etc). Essa pulverização só favorece a Direita, na medida em que os partidos conservadores maiores tem muito mais capacidade e afinidade política para agenciá-los na conformação de alianças eleitorais estaduais e nacionais.

Nesse emaranhado de siglas duas forças políticas conservadoras se fortalecem. A primeira é a direita fundamentalista, associada às Igrejas pentecostais, que já vinha numa curva ascendente no cenário político, mas com as restrições de financiamento e com campanhas mais curtas, tendem a se consolidar cada vez mais como uma força decisiva, convertendo seus fieis em milhares de cabos eleitorais. O destaque fica com o PRB, sigla vinculada a Igreja Universal, que apresentou candidaturas altamente competitivas em SP, e está no segundo turno no RJ.

A segunda força que despontou, foi a extrema-direita ideológica que embora não tenha assumido centralidade nas disputas, ganhou um terreno que não havia no histórico recente da política nacional. Esteve presente não só na votação expressiva do filho de Bolsonaro, na disputa a prefeitura do RJ, mas também em dezenas de candidaturas bem sucedidas à vereadores encarnadas por lideranças coxinhas do MBL, do Vem pra Rua e do Partido Novo.
Por fim, entre os partidos grandes, o PSDB saiu muito fortalecido, em especial, pela vitória surpreendente em São Paulo, e pela presença no segundo turno em várias capitais. O anti-petismo, de modo geral, fortaleceu a Direita em todas as suas matizes.

5. A rejeição ao sistema político foi capturada pela Direita

As jornadas de junho de 2013 constituíram-se num fenômeno que até hoje suscita várias interpretações. Contudo, é inegável que dentre as motivações daquelas mobilizações estava o sentimento de inconformidade com o atual sistema político, em especial na juventude. Não é por menos que entre as palavras de ordem mais entoadas estava o grito de “Não me representa”.

Esse sentimento de não representação, que permaneceu desde então, não necessariamente é um caldo conservador. De modo geral todas as pessoas progressistas não se vem representados no Congresso Nacional, sabem dos vícios do nosso sistema político, da ausência de participação popular direita, de como ele é vulnerável ao poder econômico, etc. Portanto, há uma dimensão potencialmente emancipatória na crítica a essa institucionalidade da democracia burguesa.

Contudo, de 2013 pra cá essa rejeição as instituições políticas foi sendo capturada pela Direita. Principalmente através da campanha midiática e das mobilizações “Fora Dilma”, foi se fortalecendo essa associação entre um sistema político corrupto e o PT, que inicialmente se consolidou na classe média, mas atualmente transbordou para praticamente todos os segmentos da sociedade. O fato de o PT estar encabeçando o governo federal, e a incapacidade dessa experiência representar uma nova institucionalidade política, reproduzindo práticas do sistema ao invés de superá-las, favoreceu enormemente a ancoragem desse discurso.

Nessa eleição a rejeição ao sistema político ficou evidente em pelo menos dois aspectos. O primeiro foi no crescimento das abstenções, votos nulos e brancos, chegando a mais de 40% no RJ e em SP. O que representa claramente um ceticismo crescente com relação a efetividade do voto. O segundo aspecto foi no discurso das candidaturas conservadoras. Aqui se destaca a narrativa construída por Dória em São Paulo, que se afirmava como gestor e não como político. Não há como explicar o sucesso de sua candidatura, a não ser por essa capacidade de dissociar-se da política e dos políticos (e do imaginário a eles vinculado: corrupção, mentira, ineficiência). A mágica de Dória foi a de negar o status quo político, sendo ele um representante desse status quo.

A exceção desse processo de sequestro de discurso político, foi a campanha de Freixo no Rio de Janeiro. Esta foi uma das poucas candidaturas que conseguiu canalizar à esquerda essa subjetividade de alternativa ao modus operandi da política, que infelizmente não se apresentou em outras disputas.

6. Desafios para a construção de um novo ciclo da esquerda no Brasil

Essas derrotas anunciam o encerramento de um ciclo na esquerda brasileira. Isso não significa a dissolução do PT, mas significa que ele não terá mais o mesmo papel protagônico de antes. Esse processo de reorganização da esquerda nos coloca um conjunto de desafios.

O primeiro desafio é o da unidade. Estas eleições demonstraram a incapacidade da esquerda se unificar mesmo sob as condições políticas mais adversas. Para evitarmos o pior cenário que é o da dispersão da esquerda, será necessário superarmos o sectarismo e o hegemonismo.

O segundo desafio é de projeto. O fim da experiência neodesenvolvimentsta, e a implementação do neoliberalismo que tende a se aprofundar, exige que formulemos um novo projeto que seja uma alternativa popular para as crises que estão em curso. Esse novo projeto deverá apresentar além de um programa econômico e social, uma resposta à esquerda para a crise de legitimidade do atual sistema político. Por isso que a luta por uma Constituinte se coloca como uma bandeira essencial na perspectiva de refundarmos as instituições políticas no Brasil, garantindo efetivamente a participação popular no controle do Estado.

O terceiro desafio é organizativo. Diante da mudança do papel que o PT passará a exercer na esquerda, precisamos de uma nova engenharia organizativa que assuma o comando político. Na atual conjuntura nenhuma força isolada tem essa capacidade. Precisamos de um novo arranjo político que congregue partidos, correntes, movimentos populares e militantes sociais. O embrião desse instrumento vem se forjando nas lutas desde 2015, e chama-se Frente Brasil Popular. Contudo, esta experiência permanece muito aquém das nossas necessidades. A Frente deverá se tornar um espaço de organização política e social de todos aqueles que se opõem ao programa neoliberal, capilarizado por todo território nacional.

Coletivos de juventude sustentam novo ato em Porto Alegre. Dispersão desafia movimento “Fora Temer”

Ato mostrou protagonismo da juventude na luta contra o golpe e contra o que se avizinha no horizonte em termos de ataques contra direitos e de criminalização dos movimentos sociais. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Ato mostrou protagonismo da juventude na luta contra o golpe e contra o que se avizinha no horizonte em termos de ataques contra direitos e de criminalização dos movimentos sociais. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A concentração para o Ato Contra o Golpe e em Defesa da Democracia, realizado na noite desta quinta-feira (11), em Porto Alegre, iniciou pouco depois das 18 horas na Esquina Democrática, ponto de encontro de vários atos “Fora Temer!” e contra o golpe este ano. Como ocorreu em edições anteriores, organizações de juventude deram o pontapé inicial do ato, puxando palavras de ordem contra o golpe ao som de baterias de percussão. Lá estavam representantes da Juventude do PT, da União da Juventude Socialista (UJS), do Levante Popular da Juventude, do Coletivo Kizomba, da Frente das Minas Contra o Golpe, da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), da UEE Livre, da Organização Marighella, da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, entre outros grupos. O tamanho do ato foi menor que manifestações anteriores realizadas no primeiro semestre que reuniram milhares de pessoas. Desta vez os manifestantes estavam na casa das centenas, indicando uma mudança de clima em relação ao primeiro semestre.

Mas algumas coisas permaneceram as mesmas, em especial o protagonismo da juventude na luta contra o golpe e contra o que se avizinha no horizonte em termos de ataques contra direitos e de criminalização dos movimentos sociais. No início do ato, um “Fora Temer” feito de pano, com o símbolo dos Jogos Olímpicos, foi montado no chão da Esquina Democrática e queimado aos gritos de “Fora Temer”. Após a queima simbólica, iniciou a caminhada subindo a Borges de Medeiros e depois pegando a Salgado Filho e a João Pessoa. Escoltada por dois motoqueiros da EPTC, a marcha seguiu o seu roteiro pelo centro da capital, recebendo muitas buzinadas de apoio de motoristas que trafegavam pela região.

O já tradicional grito de “quem apoia, pisca a luz” recebeu várias adesões em apartamentos de prédios do centro, que ligavam e apagavam a luz de seus apartamentos em sinal de apoio ao movimento. Neste percurso, não se ouviu nenhuma manifestação em defesa do presidente interino Michel Temer. Além do “Fora Temer”, entoado ao longo de toda a caminhada, os manifestantes gritaram palavras de ordem em apoio a presidenta Dilma Rousseff, como “Dilma guerreira do povo brasileiro” e “Dilma guerreira, mulher brasileira”. Na linha de frente da marcha, logo atrás da grande faixa da Frente Luta Contra o Golpe, destacava-se outra faixa da “Comunidade da UFRGS” contra o golpe e em defesa da democracia. A participação da comunidade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ocorreu justamente no dia em que se noticiou a intenção do governo Temer de cortar até 45% dos investimentos previstos para as universidades federais.

A caminhada desceu a João Pessoa e fez uma parada em frente à sede do PMDB. Do outro lado da avenida, no Parque da Redenção, um destacamento do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar estava postado em linha, com escudos e viaturas alinhadas. Foram saudados pelos manifestantes com o canto “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”. Em frente à sede do partido que é um dos protagonistas do golpe contra o governo de Dilma Rousseff, ocorreu mais um protesto contra Temer. Desta vez, pedaços de papel picotados formaram no asfalto a frase “Fora Temer”, que também foi queimada. Todo esse trajeto transcorreu sem nenhum incidente e os manifestantes seguiram pela Venâncio Aires em direção à Cidade Baixa.

A caminhada entrou na Venâncio entoando “Vem, vem, vem pra rua vem que é contra o golpe” e “Quem apoia pisca a luz”, que, assim como aconteceu na João Pessoa, recebeu várias adesões. Entre os coletivos de juventude, mais uma vez, as mulheres tiveram uma atuação destacada na caminhada, empunhando megafones e animando o ato com palavras de ordem como “Nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua pra lutar”, “Temer ladrão, teu lugar é na prisão”, “Não tem mulher, só tem patrão, esse governo é inimigo do povão” e “Te cuida, te cuida, te cuida seu machista, que a América Latina vai ser toda feminista”.

Após passar pela João Alfredo, a caminhada ingressou na República para percorrer seu trecho final, ao som de “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, ou param esse golpe ou paramos o Brasil”. Funcionários e frequentadores de bares da região saíram para as calçadas para registrar em vídeo, com seus celulares, a caminhada que passava. Receberam um recado dos manifestantes: “Trabalhador, vamos lutar, por essa crise você não tem que pagar”. Por volta das 20h40min, a marcha ingressou na Perimetral e se dirigiu ao Largo Zumbi dos Palmares. Na Perimetral, um último grito: “Quem apoia dá buzina”, recebeu o apoio do muitos motoristas que acionaram suas buzinas.

O ato chegou ao fim sem nenhum incidente e com alguns indicadores a respeito da conjuntura política que cerca o movimento de resistência contra a deposição do governo eleito da presidenta Dilma Rousseff. As eleições municipais parecem já dividir a agenda de lideranças e candidatos do PT e do PCdoB, em especial, em relação às mobilizações de rua. Raul Pont, candidato do PT à prefeitura de Porto Alegre, esteve presente ao ato, mas  a participação de lideranças dos dois partidos foi inferior a de manifestações anteriores. O movimento sindical, que promoverá vários atos nos próximos dias contra as políticas prenunciadas por Temer e seus aliados, participou de modo discreto do ato desta quinta que ocorreu, fundamentalmente, graças aos esforços dos coletivos de juventude. Essa dispersão de esforços e prioridades também caminhou pelo centro de Porto Alegre na noite desta quinta-feira.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Levante lança campanha de arrecadação coletiva para 3º Acampamento Nacional

O Levante Popular da Juventude lançou uma campanha de arrecadação coletiva no Catarse  para ajudar a financiar a realização do 3º Acampamento Nacional do movimento, que ocorrerá entre os dias 5 e 9 de setembro, no Ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte. Neste encontro, o Levante pretende reunir 7 mil jovens de todos os estados brasileiros, do campo e da cidade, das periferias, universidades e escolas secundaristas, além de representantes de movimentos sociais de outros países.

O acampamento debaterá, entre outros temas, os desafios colocados pela atual conjuntura política brasileira e as alternativas existentes. Segundo o Levante, será um “encontro de formação política, mas também um momento de resgate da história de lutas dos povos latino-americanos, como forma de estímulo ao protagonismo dos jovens, um convite para a luta social organizada”. O Acampamento Nacional é a instância máxima de deliberação do Levante Popular da Juventude, onde são definidas as linhas de atuação e as bandeiras de luta prioritárias, além do aperfeiçoamento da forma organizativa.

Os recursos da campanha de arrecadação coletiva serão utilizados para garantir parte da alimentação dos 7 mil jovens durante os cinco dias do encontro.

Levante faz seminário para preparar acampamento nacional que deve reunir 7 mil jovens

levantepopular

Coletivo Nacional de Comunicação do Levante Popular da Juventude

Inspirados pela história de vida, de luta e resistência de Carolina Maria de Jesus, o Levante Popular da Juventude realizará, entre os próximos dias 21 e 24, o 2º Seminário Nacional Carolina Maria de Jesus, em Belo Horizonte (MG).

O seminário, que reunirá mais de 200 jovens de todo o Brasil, tem como objetivo a preparação para o 3º Acampamento Nacional que tem como lema “A nossa rebeldia é o povo no poder!”, e acontecerá de 5 a 9 de setembro, também em Belo Horizonte, e pretende reunir 7 mil jovens.

Em um momento de crise econômica, política e social no Brasil, onde o governo golpista e entreguista de Michel Temer adotou uma agenda neoliberal e medidas antipopulares, que vem atacando os direitos das trabalhadoras e trabalhadores e ameaçando a soberania nacional, é fundamental que a juventude, que sempre esteve presente nos processos de transformação social em todo o mundo, se organize para lutar em defesa dos direitos do povo brasileiro.

Para Nataly Santiago, da coordenação do movimento, a saída para as crises que enfrentamos passa necessariamente pela construção de um projeto de sociedade, algo que as elites e governantes do Brasil nunca foram capazes de pensar e concretizar. “Superar a crise política só será possível através de mudanças profundas no sistema político brasileiro. Além da necessidade da realização de reformas estruturais, como a reforma agrária, urbana, tributária, entre outras, para melhorar a vida do povo”, comenta a militante.

Carolina Maria de Jesus: catadora de letras e inspiradora de luta

Mulher, preta, favelada, mãe, catadora de lixo e escritora: Carolina Maria de Jesus é nossa homenageada. Foi moradora da favela do Canindé, em São Paulo nos anos 50, catava lixo como forma de garantir seu sustento e de seus 03 filhos, escrevia sua experiência em diários, nos papéis que encontrava no lixo.

Através de uma de uma perspectiva única, a de quem sente na pele a dor e o peso de ser uma mulher negra e pobre numa sociedade que tem bases racistas e machistas, Carolina utilizou os diários para falar das desigualdades sociais e sobre a condição humana. Falou da Cidade, a quem chamou de sala de visitas. Falou da favela, a qual chamou de Quarto de Despejo. Falou da fome, a quem deu a cor amarela.

É dessa mulher, que resistiu, lutou pra comer, pra viver, alimentar e manter vivos seus filhos, que morreu anônima como se não fora ninguém, que buscamos inspiração para resistir, organizar a juventude e lutar pela construção de uma nova sociedade, com novos valores e novas práticas, onde não haja exploradores e nem explorados.

Carolina se mantém viva nas palavras, nas ações, na resistência e no punho erguido de quem luta!

Golpe será denunciado nas sedes do PMDB em todo o Brasil

Atos denunciarão a traição de Michel Temer, o golpe articulado pelo PMDB e exigirão a prisão de Eduardo Cunha. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Atos denunciarão a traição de Michel Temer, o golpe articulado pelo PMDB e exigirão a prisão de Eduardo Cunha.
(Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Movimentos populares de juventude promoverão nesta quinta-feira (12), a partir das 17 horas, protestos em frente às sedes do PMDB em várias cidades do país para denunciar a traição de Michel Temer, o golpe articulado pelo partido e para exigir a prisão de Eduardo Cunha. Segundo os organizadores, a proposta é denunciar o processo encabeçado pelo PMDB que põe em risco a democracia no Brasil. “O que se pretende com toda essa arbitrariedade é a implantação de um novo projeto, um projeto que entrega o país novamente nas mãos do capital internacional, que sucateia as instituições públicas e que tira os direitos dos trabalhadores. Por isso, de agora em diante, os movimentos populares intensificarão a luta para barrar ainda mais retrocessos”, afirma nota do Levante Popular da Juventude, uma das entidades que participará dos protestos.

Já confirmaram atos os estados do Amazonas, Ceará, Bahia, Sergipe, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, São Pulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal.

Levante escracha Bolsonaro no Rio de Janeiro

bolsonaro

O Levante Popular da Juventude promove na manhã deste domingo (24), um escracho para denunciar publicamente o golpe e as posições fascistas do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ). O ato ocorrerá em frente à casa de Bolsonaro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Cerca de 100 jovens denunciarão a participação do deputado nas articulações e condução do processo de impeachment que tramita hoje no Senado Federal. Isis Araujo, do Levante no Rio de Janeiro, assinala que ele é um dos principais apoiadores do Golpe em curso. Além disso, acrescenta, na sua justificativa de voto no congresso ele homenageou o Coronel Brilhante Ustra, “um dos maiores monstros que aquele regime terrível criou – também escrachado por nós”.

O Levante Popular da Juventude começou a se organizar a nível nacional, em 2012, realizando escrachos à torturadores em todo Brasil. Suas últimas ações foram marcadas pelo escracho ao vice-presidente Miguel Temer (PMDB/SP), chuva de doláres lançadas no deputado Eduardo Cunha (PMDB/ RJ) e o purpurinaço no deputado Jair Bolsonaro, em Porto Alegre. O movimento reúne jovens de universidades, das periferias das cidades e do campo, contando hoje com aproximadamente 10 mil militantes no país. Participam também do ato deste domingo membros da juventude do PT, da Consulta Popular e Sindicato dos Petroleiros.

“Golpista!”: Levante faz escracho na frente da casa de Temer

Manifestantes estiverem na casa do vice-presidente, em Alto de Pinheiros, São Paulo (SP) / Foto:  Levante Popular da Juventude

Manifestantes estiverem na casa do vice-presidente, em Alto de Pinheiros, São Paulo (SP) / Foto: Levante Popular da Juventude

O Levante Popular da Juventude realizou na manhã desta quinta-feira (21) um escracho na frente da casa de Michel Temer (PMDB), em São Paulo, para denunciar publicamente o golpe político articulado pelo vice-presidente. Cerca de 70 jovens denunciaram a participação direta do vice-presidente nas articulações e condução do processo de impeachment que tramita hoje no Senado Federal. Segundo Thiago Pacheco, do Levante em São Paulo, o golpe em curso no Brasil não tem justificativa alguma. “A atual presidente não cometeu crime algum, por isso estamos aqui denunciando o golpe. Tentando tomar de assalto a presidência, Temer é um dos principais articuladores do golpe brasileiro. Queremos que a Dilma termine o seu mandato que foi eleito de forma democrática”, disse Thiago.

A ação faz parte de uma série de escrachos contra os golpistas que deverão ser realizados pelo país, anunciou o movimento. “Não vou deixar o golpe acontecer de novo, não” e “Não vou deixar o Temer rasgar a Constituição” foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes. Também foram feitas pichações no chão da rua em frente da casa de Temer, com os escritos “Golpe, não” e “Temer=Judas”.

Levante Popular da Juventude

Levante Popular da Juventude

O Levante Popular da Juventude começou a se organizar em nível nacional, em 2012, promovendo escrachos à torturadores da ditadura em várias cidades do país. Suas últimas ações foram marcadas pela chuva de dólares lançadas no deputado Eduardo Cunha (PMDB/ RJ) e pelo “purpurinaço” no deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ), em Porto Alegre. O movimento reúne jovens de universidades, das periferias das cidades e do campo, contando hoje com aproximadamente 10 mil militantes no país. Também participaram do escracho em frente da casa de Temer, membros da juventude do PT, da Consulta Popular e do Sindicato dos Petroleiros.

Porto Alegre terá ato de virada contra o conservadorismo

viradacontraoconservadorismo

O Levante Popular da Juventude, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), coletivos culturais e artistas gaúchos promovem nesta quinta-feira (23), às 18 horas, no Largo Glênio Peres, o ato da Virada Contra o Conservadorismo. O objetivo dos organizadores é se contrapor ao avanço do conservadorismo manifesto nas eleições de 2014. O evento contará com apresentações musicais, atividades culturais e manifestações de personalidades sobre o atual cenário político.

Entre as presenças já confirmadas estão Zambaben, Duda Calvin (Tequila Baby), Richard Serraria (Bataclã F.C.), Frank Jorge, Besouros Lá do B, Tribo Brasil, Paulo Dionísio (Produto Nacional), Mariposas Cantantes, Teatro de bonecos do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, os cartunistas Latuff e Santiago e Olívio Dutra.

O manifesto convocatório do ato afirma:

“As eleições de 2014 estão sendo um marco do avanço do conservadorismo em nosso país. Foi eleito o Congresso mais conservador desde a ditadura militar. Além disso, a bancada fundamentalista, ruralista, da indústria armamentista tiveram um crescimento significativo. Figuras repugnantes como Bolsonaro, Heinze, Feliciano que propagam o ódio aos gays, indígenas, quilombolas, aos direitos das mulheres, às ações afirmativas, aos sem-terra estiveram entre os mais votados. Ainda temos pela frente um segundo turno em que a ameaça conservadora se manifesta explicitamente na candidatura de Aécio Neves, e de forma dissimulada na candidatura de Sartori. Não podemos ser apenas espectadores do avanço desse sentimento de ódio que toma as ruas, as praças e as certezas do povo. Vamos todos ocupar o Largo Glênio Peres contra o conservadorismo! No dia 23, traz teu violão, teu cartaz, teus amigos e tua rebeldia! Vai ter samba, rock, prosa, teatro, cartuns, varal das artes, geodésica…é só CHEGAR!”