Coletivos de juventude sustentam novo ato em Porto Alegre. Dispersão desafia movimento “Fora Temer”

Ato mostrou protagonismo da juventude na luta contra o golpe e contra o que se avizinha no horizonte em termos de ataques contra direitos e de criminalização dos movimentos sociais. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Ato mostrou protagonismo da juventude na luta contra o golpe e contra o que se avizinha no horizonte em termos de ataques contra direitos e de criminalização dos movimentos sociais. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A concentração para o Ato Contra o Golpe e em Defesa da Democracia, realizado na noite desta quinta-feira (11), em Porto Alegre, iniciou pouco depois das 18 horas na Esquina Democrática, ponto de encontro de vários atos “Fora Temer!” e contra o golpe este ano. Como ocorreu em edições anteriores, organizações de juventude deram o pontapé inicial do ato, puxando palavras de ordem contra o golpe ao som de baterias de percussão. Lá estavam representantes da Juventude do PT, da União da Juventude Socialista (UJS), do Levante Popular da Juventude, do Coletivo Kizomba, da Frente das Minas Contra o Golpe, da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), da UEE Livre, da Organização Marighella, da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, entre outros grupos. O tamanho do ato foi menor que manifestações anteriores realizadas no primeiro semestre que reuniram milhares de pessoas. Desta vez os manifestantes estavam na casa das centenas, indicando uma mudança de clima em relação ao primeiro semestre.

Mas algumas coisas permaneceram as mesmas, em especial o protagonismo da juventude na luta contra o golpe e contra o que se avizinha no horizonte em termos de ataques contra direitos e de criminalização dos movimentos sociais. No início do ato, um “Fora Temer” feito de pano, com o símbolo dos Jogos Olímpicos, foi montado no chão da Esquina Democrática e queimado aos gritos de “Fora Temer”. Após a queima simbólica, iniciou a caminhada subindo a Borges de Medeiros e depois pegando a Salgado Filho e a João Pessoa. Escoltada por dois motoqueiros da EPTC, a marcha seguiu o seu roteiro pelo centro da capital, recebendo muitas buzinadas de apoio de motoristas que trafegavam pela região.

O já tradicional grito de “quem apoia, pisca a luz” recebeu várias adesões em apartamentos de prédios do centro, que ligavam e apagavam a luz de seus apartamentos em sinal de apoio ao movimento. Neste percurso, não se ouviu nenhuma manifestação em defesa do presidente interino Michel Temer. Além do “Fora Temer”, entoado ao longo de toda a caminhada, os manifestantes gritaram palavras de ordem em apoio a presidenta Dilma Rousseff, como “Dilma guerreira do povo brasileiro” e “Dilma guerreira, mulher brasileira”. Na linha de frente da marcha, logo atrás da grande faixa da Frente Luta Contra o Golpe, destacava-se outra faixa da “Comunidade da UFRGS” contra o golpe e em defesa da democracia. A participação da comunidade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ocorreu justamente no dia em que se noticiou a intenção do governo Temer de cortar até 45% dos investimentos previstos para as universidades federais.

A caminhada desceu a João Pessoa e fez uma parada em frente à sede do PMDB. Do outro lado da avenida, no Parque da Redenção, um destacamento do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar estava postado em linha, com escudos e viaturas alinhadas. Foram saudados pelos manifestantes com o canto “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”. Em frente à sede do partido que é um dos protagonistas do golpe contra o governo de Dilma Rousseff, ocorreu mais um protesto contra Temer. Desta vez, pedaços de papel picotados formaram no asfalto a frase “Fora Temer”, que também foi queimada. Todo esse trajeto transcorreu sem nenhum incidente e os manifestantes seguiram pela Venâncio Aires em direção à Cidade Baixa.

A caminhada entrou na Venâncio entoando “Vem, vem, vem pra rua vem que é contra o golpe” e “Quem apoia pisca a luz”, que, assim como aconteceu na João Pessoa, recebeu várias adesões. Entre os coletivos de juventude, mais uma vez, as mulheres tiveram uma atuação destacada na caminhada, empunhando megafones e animando o ato com palavras de ordem como “Nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua pra lutar”, “Temer ladrão, teu lugar é na prisão”, “Não tem mulher, só tem patrão, esse governo é inimigo do povão” e “Te cuida, te cuida, te cuida seu machista, que a América Latina vai ser toda feminista”.

Após passar pela João Alfredo, a caminhada ingressou na República para percorrer seu trecho final, ao som de “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, ou param esse golpe ou paramos o Brasil”. Funcionários e frequentadores de bares da região saíram para as calçadas para registrar em vídeo, com seus celulares, a caminhada que passava. Receberam um recado dos manifestantes: “Trabalhador, vamos lutar, por essa crise você não tem que pagar”. Por volta das 20h40min, a marcha ingressou na Perimetral e se dirigiu ao Largo Zumbi dos Palmares. Na Perimetral, um último grito: “Quem apoia dá buzina”, recebeu o apoio do muitos motoristas que acionaram suas buzinas.

O ato chegou ao fim sem nenhum incidente e com alguns indicadores a respeito da conjuntura política que cerca o movimento de resistência contra a deposição do governo eleito da presidenta Dilma Rousseff. As eleições municipais parecem já dividir a agenda de lideranças e candidatos do PT e do PCdoB, em especial, em relação às mobilizações de rua. Raul Pont, candidato do PT à prefeitura de Porto Alegre, esteve presente ao ato, mas  a participação de lideranças dos dois partidos foi inferior a de manifestações anteriores. O movimento sindical, que promoverá vários atos nos próximos dias contra as políticas prenunciadas por Temer e seus aliados, participou de modo discreto do ato desta quinta que ocorreu, fundamentalmente, graças aos esforços dos coletivos de juventude. Essa dispersão de esforços e prioridades também caminhou pelo centro de Porto Alegre na noite desta quinta-feira.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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