Sindicato adverte para risco de privatização no Banrisul

Na avaliação do SindBancários, que promoveu ato na Praça da Alfândega, o fantasma das privatizações está rondando o Banrisul mais uma vez, como ocorreu em outros governos na história recente do Rio Grande do Sul. (Foto: SindBancários/Divulgação)

Na avaliação do SindBancários, que promoveu ato na Praça da Alfândega, o fantasma das privatizações está rondando o Banrisul mais uma vez, como ocorreu em outros governos na história recente do Rio Grande do Sul. (Foto: SindBancários/Divulgação)

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) promoveu ao meio-dia desta sexta-feira (12) um ato público em defesa do fortalecimento do Banrisul, da realização de concurso público para o banco e contra a proposta de abertura de capital, que seria implementada a partir da criação de dias outras empresas, a Banrisul Seguros e a Banrisul Administradora de Cartões de Crédito, conforme projeto enviado pelo governador José Ivo Sartori (PMDB) à Assembleia Legislativa. Com apoio de 37 sindicatos de bancários do interior do Estado e da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS), o ato realizado na Praça da Alfândega, em frente à agência central do Banrisul, deu o pontapé inicial no processo de mobilização da categoria para a campanha salarial que inicia no próximo mês de setembro.

Segundo Carlos Rocha, diretor da Fetrafi-RS, o fantasma das privatizações está rondando o Banrisul mais uma vez, como ocorreu em outros governos na história recente do Rio Grande do Sul. “Esses ataques começam pela imprensa e por dentro da própria empresa com a precarização do atendimento à população”, disse Rocha. Segundo as entidades da categoria, os funcionários do Banrisul estão sobrecarregados com a abertura, somente no ano passado, de 16 novas agências e a perda de 300 funcionários. O SindBancários estima que há hoje um déficit entre 20% e 30% de trabalhadores nas agências e também nos departamentos do Banrisul. Ainda segundo o sindicato, o último concurso que o Banrisul fez para escriturário foi em 2009, todas as vagas já foram preenchidas e seguem faltando bancários.

O objetivo desse ato, destacou ainda Carlos Rocha, é chamar a atenção da opinião pública do estado do Rio Grande do Sul para essa ameaça e para algumas medidas que já vêm sendo tomadas dentro do banco, com impacto direto no atendimento à população. “Já encaminhamos três correspondências à direção do banco solicitando um encontro para conversar sobre esses temas, mas até agora, infelizmente, não obtivemos retorno”, protestou o sindicalista. Rocha lembrou que o movimento sindical gaúcho é autor de uma proposta que virou norma constitucional e exige a realização de um plebiscito para a privatização de uma empresa pública.

No panfleto distribuído durante a manifestação, o SindBancários lembra que “o governador Sartori declarou que esperava que o Banrisul não tivesse escrúpulos e nós já demos a resposta: Nós temos escrúpulos. E não vamos aceitar a precarização e o sucateamento que a falta de funcionários representa para o nosso banco”.

Quando empossou a nova diretoria do banco, em abril deste ano, o governador fez uma frase polêmica dizendo que o Banrisul deveria se concentra na sua posição no mercado e passar a atuar “sem escrúpulos e sem comprometimento ideológico”. Embora tenha admitido que não entendeu bem o que Sartori quis dizer, o novo presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Vera Mota, ensaiou uma interpretação para a mesma. “Não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas a mensagem do governador é que o Banrisul deve estar inserido nas comunidades”, afirmou Mota.

Everton Gimenez, presidente do SindBancários, também chamou a atenção para o fato de já terem se passado mais de 60 dias desde que as entidades da categoria solicitaram uma audiência com a nova direção do Banrisul para discutir a proposta de abertura de capital da empresa, a suspensão do concurso público e o plano de carreira. “Queremos debater essa proposta de abertura de capital da seguradora e da Banrisul Cartões, dois negócios que dão muito dinheiro. Esse projeto de fatiamento do banco é preocupante”, disse Gimenez. O sindicalista disse ainda que a campanha salarial deste ano deverá ter uma pauta ampla, incluindo o projeto das terceirizações, o fim do fator previdenciário, a MP 665 que muda as regras do seguro desemprego e a atual política econômica de juros altos e a perspectiva de recessão e desemprego que a mesma carrega.

“Aqui no Estado”, assinalou Gimenez, “temos uma agenda de enfrentamento do projeto do atual governo que pretende leiloar patrimônio público, cortar direitos dos servidores e precarizar serviços públicos essenciais nas áreas da saúde, educação e segurança”. O quadro atual é preocupante, acrescentou, “pois já vemos deputados da base do governo defendendo a privatização de empresas como o Banrisul, a Corsan e o Badesul, entre outras”. “Nós não abrimos mão dessas empresas e estamos só começando essa luta. Esse é o primeiro ato desta mobilização que está aquecendo os motores para a campanha salarial de setembro”.

(*) Publicado originalmente no Sul21

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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