“Sempre me foi dito, ao longo da minha trajetória, que a ciência não era o meu lugar”

Alan Alves Brito, professor de Física da UFRGS e diretor do Observatório Astronômico. (Facebook/Reprodução)

A Astronomia entrou na vida de Alan Alves Brito quando ele tinha 8 anos. Com essa idade, morando no interior da Bahia, ele decidiu que seria cientista e astrônomo. Vindo de uma família extremamente pobre e sempre estudando em escolas públicas, Alan graduou-se em Física, fez mestrado e doutorado em Astrofísica Estelar, na Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado no Chile e na Austrália. Retornou ao Brasil em 2014 para assumir, por concurso público, o cargo de professor e pesquisador no Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também é, hoje, diretor do Observatório Astronômico.

“Sempre me foi dito, ao longo da minha trajetória, que a ciência não era o meu lugar. Como sou teimoso, aqui estou”, diz Alan que, além de seu trabalho como professor e pesquisador em Astrofísica Estelar,gestão e divulgação de Física e Astronomia, preocupa-se também com as questões étnico-raciais, de gênero e suas intersecções nas ciências. Entre outros projetos, Alan Alves Brito desenvolve há três anos, com a Comunidade Quilombola Morada da Paz, o projeto Akotirene Kilombo, um trabalho que busca promover e empoderamento de meninas e meninos negros e diálogo intercultural entre as ciências e outras cosmologias racializadas.

Em entrevista ao Sul21, o astrofísico Alan Alves Brito fala sobre sua trajetória e sobre a presença estrutural do racismo na sociedade brasileira, na universidade e na comunidade científica. Além de estudar a composição química das estrelas, o professor de Física da UFRGS, também está preocupado em investigar a composição do racismo e suas diversas manifestações na sociedade e na Ciência.

“O racismo epistêmico, que desapropria particularmente corpos negros do lugar central de exercício de pensamento, é talvez, umas das formas mais perversas do racismo no Brasil e no mundo, basilar na construção do conceito moderno e contemporâneo de ciência. A dimensão do racismo na sociedade brasileira é aguda, profunda, visceral. Ele é subjetivo, institucional e estrutural. Não só na Universidade, mas como em outras instituições de poder”, afirma o pesquisador.

Para o físico, seu trabalho como cientista e professor não tem como não levar isso em conta:

“Com toda a minha trajetória, não posso fazer Astrofísica, uma das minhas grandes paixões, apenas olhando para as estrelas. É preciso olhar à minha volta, para os meus. E fico muito feliz que a Astrofísica me permita fazer tudo isso, unir mundos que aparentemente estão apartados. Não estão. A Astrofísica me dá uma responsabilidade cosmológica e a ciência é uma construção coletiva, carregada (ou pelo menos deveria ser) de humanidade”. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

Sobre maweissheimer

Bacharel e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalho com Comunicação Digital desde 2001, quando foi criada a Agência Carta Maior, durante a primeira edição do Fórum Social Mundial. Atualmente, repórter no site Sul21 e colunista do jornal Extra Classe.
Esse post foi publicado em Ciência, Direitos Humanos, Política e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s