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PT pede que MP investigue possível prática de ato de improbidade administrativa por Marchezan

Representação acusa prefeito de se utilizar da estrutura da Prefeitura para promover o incitamento ao ódio contra seus adversários políticos. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

O Partido dos Trabalhadores encaminhou, nesta terça-feira (11), uma representação ao Procurador Geral de Justiça, Fabiano Dallazen, solicitando que o Ministério Público Estadual abra investigação para apurar eventual prática de ato de improbidade administrativa por parte do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB). A representação foi apresentada pelo presidente do PT de Porto Alegre, Rodrigo Oliveira, e pela líder da bancada do partido na Câmara Municipal diretamente ao Procurador Geral de Justiça, solicitando que o MP examine as condutas de Marchezan e investigue a possibilidade de abuso de poder por parte do prefeito.

Segundo a representação encaminhada ao Ministério Público, o prefeito de Porto Alegre estaria praticando uma série de atos que afrontam princípios da Administração Pública, promovendo “incitamento ao ódio político” contra seus adversários e se utilizando indevidamente da estrutura do Município para viabilizar a postagem de seus posicionamentos em redes sociais.

A página “Nelson Marchezan Júnior” no Facebook, assinala ainda a representação, é apresentada como a página pessoal do prefeito, mas estaria sendo utilizado como um perfil oficioso da Administração Municipal para promoção pessoal e ataque a partidos de oposição, sindicatos, servidores e adversários políticos. “Tanto o perfil mencionado cumpre as funções de página institucional do Prefeito Municipal que em 04 de julho de 2017, o vice-prefeito Gustavo Paim fez postagem por meio de tal perfil. Na ocasião, o Prefeito estava em Nice, França, em agenda oficial. Com isso, percebe-se que a página do Facebook Nelson Marchezan Junior, longe de representar mero espaço pessoal para divulgação de ideias, é o mecanismo de divulgação do Paço Municipal, como um todo, confundindo-se, portanto, com perfil de divulgação do Gabinete do Prefeito”, afirma a representação.

Além de utilização de logomarca pessoal, ato vedado pela legislação a prefeitos, governadores e presidente, diz ainda o documento, parcela das postagens publicadas são realizadas em horário de expediente, dentro de prédio público ou em atividade institucional, o que configuraria a utilização da estrutura do Município de Porto Alegre para promoção pessoal. A representação também acusa o atual prefeito de se utilizar desses espaços para promover o incitamento ao ódio político. Ao todo, o documento identifica cerca de 50 postagens nos últimos três meses que se enquadrariam nesta categoria. E cita alguns exemplos destas postagens.

Em 28 de abril de 2017, diz a representação, Marchezan publicou um vídeo no referido perfil, “com linguagem agressiva contra sindicalistas, com o objetivo de combater, com posições marcadamente ideológicas, o movimento de Greve Geral previsto para aquele dia”.

No dia 10 de maio de 2017, Marchezan publicou um vídeo com conteúdo ofensivo contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. O vídeo em questão foi gravado no subsolo do Paço Municipal, local onde, no passado, abrigou uma cadeia pública. No vídeo, Marchezan diz que sempre que vai àquele local, lembra do ex-presidente Lula. Ele afirma: “Estou aqui nos porões da prefeitura de Porto Alegre e me lembrei do Lula, porque antigamente aqui era uma cadeia e é pra lá que a gente espera que todas essas pessoas que pegaram dinheiro público e transformaram em patrimônio privado.”

No dia 22 de junho, Marchezan recebeu na Prefeitura o youtuber responsável pelo site de vídeos intitulado “Mamãe Falei” e com ele gravou uma longa entrevista, publicada nas redes sociais. No vídeo em questão, o prefeito “se refere a adversários políticos como vermelhos e babacas, dentre outras adjetivações grosseiras e incompatíveis com o papel institucional que se espera do prefeito”. A representação registra ainda que, no dia anterior, o referido youtuber “fora detido e levado até o palácio da Polícia em razão da possível agressão cometida contra servidores públicos municipais que faziam manifestação em frente à sede do Executivo Municipal”.

Já no dia 30 de junho, o prefeito postou um vídeo criticando a greve geral marcada para aquela data e chamando seus organizadores de “retrógrados”, “inconvenientes”, entre outros adjetivos. No mesmo dia, Marchezan publicou outro vídeo com um autointitulado “Decreto”, uma brincadeira, segundo ele, que estabeleceria determinadas “diretrizes à população”.

No referido “Decreto”, prossegue a representação, Marchezan “mais uma vez, se percebe uma enorme confusão que faz entre suas atribuições como Prefeito e aquelas de militante”. Infelizmente, acrescenta, o prefeito “se utiliza de símbolos oficiais, da sua condição de Mandatário Máximo do Município para incitar a população contra aqueles que pensam diferente dele e professam posições ideológicas que lhe incomodam. Evidente, com tais atos, que transborda seu direito de livre manifestação, não apenas faltando com o decoro que se exige de um Administrador Público, mas utilizando-se da estrutura pública para realizar seu combate ideológico, o que não se pode admitir”.

Esses atos, conclui o documento, atentam contra os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, que regem a administração pública, indicando uma típica conduta de desvio de poder ou de desvio de finalidade, “ferindo os princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade, quando se utiliza da estrutura da Administração Pública Municipal para a promoção de sua ideologia e de promoção de sua figura pessoal, em detrimento da institucionalidade que representa”.

Além disso, aponta desvio de finalidade quando o prefeito “se utiliza de sua assessoria e de seu próprio tempo em horário de expediente (ambos pagos pelo Erário) para divulgar conteúdos de caráter ideológico, atacando adversários políticos. Mais ainda quando se utiliza da estrutura pública (tal como salas do Paço Municipal) para gravar vídeos de conteúdo ideológico, sem nenhuma relevância ou conexão com o Interesse Público”.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Marchezan e seus vereadores levam Porto Alegre ao mais soturno dos submundos

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Jeferson Miola

A ocupação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre pelos funcionários municipais que acompanhavam a votação do projeto de aumento de 27,3% da alíquota previdenciária do funcionalismo [de 11% para 14%] foi uma reação legítima aos ultrajes, ofensas e provocações proferidas da tribuna daquela Casa pelo vereador Cláudio Janta/SD, o líder do prefeito Marchezan Júnior no parlamento municipal.

Todo ato espontâneo de indignação e de revolta social diante de uma agressão sofrida é passível de exageros, porque é uma reação humana absolutamente natural e instintiva. É compreensível, por isso, que possam ter ocorrido excessos na interrupção da sessão da câmara de vereadores deste dia 5 de julho de 2017.

Os eventuais excessos, porém, se de fato existiram, devem ser compreendidos como de fato o foram, ou seja, como reações desesperadas dos trabalhadores diante da selvageria do governo municipal e da violência perpetrada por uma maioria parlamentar surda e cega às ponderações e aos apelos dos trabalhadores.

O direito à insurgência contra a arbitrariedade e a opressão é uma conquista civilizatória e democrática da humanidade, consagrada em documentos e convenções internacionais de mais de 200 anos.

Os vereadores vinculados ao governo Marchezan Júnior optaram por fechar os olhos sobre as ilegalidades e inconstitucionalidades do projeto de confisco de salário dos funcionários, e também preferiram desprezar aspectos básicos como, por exemplo, os estudos atuariais que evidenciaram a desnecessidade do aumento da alíquota.

Os vereadores governistas, contudo, movidos possivelmente por interesses, favores e cargos entregues a eles pelo prefeito Marchezan Júnior, foram além. Depois de anunciarem o encerramento da sessão, chamaram a polícia de choque da Brigada Militar e realizaram uma sessão clandestina, secreta e ilegal, realizada numa sala de reuniões do legislativo municipal [não no plenário], onde aprovaram por 20 votos a 6 o aumento da alíquota previdenciária dos servidores. Uma vergonha sem equivalência até mesmo com o período da ditadura civil-militar de 1964/1985!

A loucura ideológica do prefeito Marchezan Júnior, que combate obsessiva e odiosamente os funcionários públicos para destruir os serviços e as políticas públicas, atingiu a estratosfera. O dramático é que este será o padrão do seu período de governo.

Marchezan e seus vereadores levam Porto Alegre ao mais soturno dos submundos. Nesta trajetória sinistra, contam com a atuação engajada e militante do MBL, que não é um movimento, mas uma milícia verdadeiramente neofascista, que relembra em muito os agrupamentos “camisas negras”, as forças paramilitares criadas por Benito Mussolini na Itália nos anos 1920 treinadas e preparadas para enfrentar e matar as lideranças comunistas, operárias e populares.

A votação na câmara de vereadores de Porto Alegre é um marco definidor do próximo período, que não será de negociação e diálogo, mas de enfrentamento e resistência a uma das principais experiências da direita neofacista e de restauração neoliberal aplicada em escala municipal.

Porto Alegre é o laboratório da direita fascista no Brasil. Cabe à resistência democrática qualificar e elevar a luta contra este projeto nefasto não só para Porto Alegre, mas para todo o povo brasileiro.

Assistência Social: conselheiros apontam má-fé e falta de transparência da Prefeitura de Porto Alegre

Coletiva de imprensa foi convocada em caráter de urgência por entidades da sociedade civil que integram o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS). (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de Porto Alegre, Maria de Fátima Cardoso do Rosário, repudiou na tarde desta quarta-feira (7), durante entrevista coletiva, as críticas feitas pela secretária de Desenvolvimento Social do município, Maria de Fátima Záchia Paludo, veiculadas em matéria no jornal Zero Hora, sobre um “boicote ideológico” que estaria sendo praticado pelo Conselho contra a atual administração. Na matéria em questão, a secretária reclama da “inércia” do Conselho que é acusado de atrasar a liberação de R$ 5,1 milhões destinados à assistência social. Um dos indícios dessa “inércia” seria a falta de quórum na última reunião do Conselho que poderia ter aprovado a liberação dos recursos.

Segundo Maria de Fátima Cardoso do Rosário, a coletiva de urgência foi convocada a pedido de organizações da sociedade civil que integram o Conselho, que ficaram indignadas com o teor da matéria e das críticas feitas pela secretária de Desenvolvimento Social. A presidente do Conselho classificou como má-fé o uso do nome dela para imputar uma influência partidária no Conselho. Acompanhada pelo conselheiro Richard de Campos e pelas conselheiras Angela Aguiar, Tania Mara e Angela Comunal, Maria de Fátima do Rosário criticou a falta de transparência da atual administração e a estratégia de desmoralizar o Conselho para justificar a terceirização de serviços na área da assistência social.

Em nota oficial, o Conselho Municipal de Assistência Social rebateu as críticas de inércia e de um suposto “boicote ideológico”, assinalando que na reunião do dia 5 de junho, onde houve falta de quórum, faltaram cinco conselheiros representantes do governo. Para aprovação da reprogramação do recurso, faltaram três conselheiros para haver quórum. Ou seja, se três dos cinco conselheiros do governo que faltaram estivessem presentes, poderia ter ocorrido a programação.

O Conselho também questiona a intenção da Prefeitura de usar os recursos para contemplar apenas pagamentos de infraestrutura como aluguéis, carros, luz, telefone, internet e vale transporte, inclusive de unidades que não integram os serviços de assistência social. “Como este recurso é federal, não pode ser utilizado com despesas de políticas que não sejam a da Assistência Social, além disso, nesses espaços referidos existem unidades do Senai e não era justo, nem legal, pagar a conta de luz integral num espaço compartilhado. Desta forma, o CMAS não autorizou o pagamento”, diz a nota.

Ainda sobre a suposta “inércia” dos conselheiros, a presidente do CMAS lembrou que nenhum deles é remunerado, não recebem nem vale transporte para participar das reuniões e têm que fazer isso fora dos seus horários de trabalho, ao contrário do que ocorre com os conselheiros que representam o governo.

A conselheira Angela Aguiar criticou a falta de transparência da Prefeitura afirmando que ela não detalha os itens nem os locais onde os recursos serão aplicados. “A quem serve esse tipo de prática? Até hoje a gente não sabe qual o valor exato dos recursos destinados pelo município para a Assistência Social”, assinalou. O CMAS é responsável pela liberação dos recursos federais para a Assistência Social, que são destinados exclusivamente a esta área. Além destes valores, a Prefeitura tem recursos próprios para o setor, que não passam pelo Conselho.

Angela Aguiar manifestou estranheza com a manifestação da secretária de Desenvolvimento Social, lembrando que o órgão gestor da política de assistência social do município é a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc). “Nos surpreendeu o desconhecimento da secretária sobre o funcionamento do Conselho”, afirmou, lembrando que o governo tem 22 conselheiros designados pela própria administração. O problema, acrescentou, é que o atual governo não quer construir nenhuma política junto com o Conselho. “Eles trazem uma planilha pronta e querem que a gente aprove sem debate”.

A conselheira definiu como inverdade a tentativa de atribuir ao Conselho a precarização dos serviços de atendimento a crianças e adolescentes. “Nós estamos denunciando essa situação há tempos e esse serviço vem funcionando de modo precário desde o ano passado. O gestor não garante o mínimo para o funcionamento do Conselho, sequer o vale transporte para os conselheiros e conselheiras”.

O conselheiro Richard de Campos denunciou o desmonte das políticas de assistência social no município e a lógica defendida pela atual administração. “A atual gestão defende que o Conselho gere receita, mas políticas públicas não devem gerar receita. Se for para construir políticas públicas estaremos juntos com a Prefeitura, mas se for para destruir seremos inimigos dessa posição”, afirmou. Na mesma linha, a conselheira Tania Mara criticou o desprezo do governo em relação ao Conselho. “Este governo tinha a leitura de que não tínhamos formação, mas se esqueceram que temos a faculdade da vida”, assinalou.

Na mesma linha de outros conselheiros, Angela Comunal, representante da União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa) observou que a estratégia da Prefeitura é tentar desmoralizar e desconstruir o Conselho Municipal de Assistência Social para tirar dele a atribuição de controle sobre os recursos federais destinados à área. Os conselheiros e representantes da sociedade civil que participaram da coletiva enfatizaram a falta de transparência que vem marcando a atual gestão. “Qual o resultado das seis sindicâncias que foram realizadas no setor e que já terminaram? Todos aqui respondem pela aplicação desses recursos. De três em três meses, o gestor tem que prestar contas ao Conselho. Até agora, não aconteceu nada”, questionou a presidente do Conselho.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Flavio Koutzii: ‘Em 64 tivemos um Fleury. Hoje, temos um Fleury de toga’

Quase nove meses depois da confirmação, pelo Senado, da deposição da presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014 com mais de 54 milhões de votos, o Brasil convive com dois fenômenos que andam de mãos dadas: a instabilidade política, social e econômica do país se agravou e os setores que derrubaram Dilma tentam, desesperadamente, aprovar a sua agenda de reformas que retiram direitos resguardados pela Constituição de 1988 e pela CLT. A demora na aprovação dessas reformas, provocada pela crescente resistência nas ruas a elas só vai aumentando o clima de instabilidade.

O golpe contra Dilma foi dado com o objetivo central de aprovar essa agenda. Os setores que apoiaram a chegada de Michel Temer ao poder vinham tentando naturalizar o golpe consumado em 31 de agosto de 2016, mas, a incerteza quanto à aprovação de sua agenda no Congresso, acabou com a unidade entre eles. As recentes revelações da delação de Joesley Batista, dono da JBS, só agravaram esse quadro, aprofundando o grau de instabilidade política no país e de incerteza acerca do futuro do golpe que derrubou o governo Dilma.

A partir da experiência de quem viveu e enfrentou golpes no Brasil e na Argentina, Flavio Koutzii chama a atenção para as tentativas de naturalizar o que não deve ser naturalizado. Na Argentina, militou no Partido Revolucionário dos Trabalhadores – Exército Revolucionário do Povo (PRT-ERP), que pegou em armas contra a ditadura. Preso na Argentina, entre 1975 e 1979, voltou ao Brasil graças a uma campanha internacional pela sua libertação e participou da fundação da PT, partido pelo qual foi vereador, deputado estadual e chefe da Casa Civil durante o governo Olívio Dutra.

Em entrevista concedida ao Sul21, horas antes das notícias sobre a delação de Joesley virem a público, ele fala sobre a atualidade do golpe, sobre o papel desempenhado pelo Judiciário neste processo e sobre algumas lições que a luta contra as ditaduras no Brasil e na Argentina podem trazer ao presente. O golpe segue em curso e seus agentes no Parlamento, no Judiciário e na Mídia seguem mexendo as peças no tabuleiro para consumar os objetivos de sua empreitada. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

Marchezan quer fim do DEP e secretaria para cuidar de iluminação, limpeza e “direito de ir e vir”

Marchezan quer secretaria “para que o cidadão tenha a quem recorrer quando seu direito de ir e vir tenha sido obstaculizado”. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) encaminhou nesta segunda-feira (22) à Câmara de Vereadores o projeto de Lei que complementa a reforma administrativa proposta pelo Executivo por meio da Lei Complementar 810/2017.

Entre outras coisas, o projeto prevê a extinção do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) e do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gades). Além disso, abre a possibilidade de criação de subprefeituras, determina a transferência e vinculação da Controladoria-Geral do Município (CGM) à Secretaria Municipal da Transparência e Controladoria (SMTC), a transferência das divisões de contabilidade-geral e de informações legais e gerenciais da CGM para a Secretaria Municipal da Fazenda, a criação da Contadoria-Geral do Município, e a transformação dos Centros Administrativos Regionais em Centros de Relações Institucionais Participativos.

O Projeto de Lei Complementar reduz o número de secretarias municipais, de 37 para 15. Na justificativa do projeto, Marchezan afirma que “a limpeza, a iluminação, a coleta de lixo, a necessidade de desobstrução das vias urbanas, por exemplo, deverão estar concentradas em uma única Secretaria Municipal, para que o cidadão que aqui reside tenha a quem recorrer quando, por exemplo, seu direito de ir e vir tenha sido obstaculizado”. “Não pode recair sobre ele o ônus de apresentar pedidos em múltiplos órgãos para obter a liberação da sua rua ou do seu caminho”, diz ainda o prefeito.

Todas essas atribuições, segundo a proposta encaminhada pelo Executivo, ficariam a cargo da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb). O projeto define assim esse conjunto de atribuições:

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos será responsável por formular, planejar, coordenar, articular e controlar a política de prestação de serviços urbanos, limpeza urbana, coleta de resíduos, abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto; conservar, em comum com a SMIM (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana), vias urbanas; prover iluminação pública e manutenção e conservação de redes de águas pluviais; e promover a conservação e manutenção de praças, jardins e balneários, manejo, poda e supressão de arbóreos em vias urbanas, em comum com a Smams (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade).

(*) Publicado originalmente no Sul21.

 

Procuradores Municipais de Porto Alegre apoiam greve geral e criticam pacote de Marchezan

Cesar Sulzbach, presidente da Associação dos Procuradores do Município: “Gostaríamos que o prefeito Marchezan olhasse para os municipários como peça importante na solução dos problemas de Porto Alegre”. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

A Associação dos Procuradores do Município de Porto Alegre (APMPA) decidiu, em assembleia realizada quinta-feira, apoiar a greve geral e a mobilização dos servidores municipais da capital. Em nota, a associação disse que “diante da atual postura do governo municipal, os procuradores Municipais de Porto Alegre estão mobilizados e presentes, em defesa do exercício de suas prerrogativas, direitos constitucionais sociais, respeito e defesa da previdência municipal autônoma”.

A APMPA classificou como “inadequados e desnecessários para o equilíbrio das contas do Município” os projetos de lei que o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) encaminhou à Câmara Municipal de Porto Alegre, tratando do aumento do índice de contribuição previdenciária dos servidores ativos e inativos e da desvinculação da reposição dos salários dos municipários do IPCA anual.

Segundo o presidente da associação, Cesar Sulzbach, os procuradores decidiram apoiar a greve geral e o movimento dos servidores especialmente em função dos projetos encaminhados pelo Executivo à Câmara Municipal alterando a Previdência dos municipários, elevando a alíquota de 11 para 14% e contrariando assim o próprio cálculo atuarial feito pelo Previmpa que apontou a desnecessidade de tal mudança. “O nosso instituto de Previdência, ao contrário de outros, é superavitário e bem administrado até agora”, disse Sulzbach ao Sul21.

O presidente da APMPA assinalou ainda que, desde 2005, a reposição salarial é feita pelo IPCA, que é o mesmo índice de correção dos tributos municipais. “Gostaríamos que o prefeito Marchezan olhasse para os municipários como peça importante na solução dos problemas de Porto Alegre. Os servidores trabalham para o êxito do nosso município e merecem o respeito e a consideração do prefeito, especialmente quanto à qualidade do trabalho executado”.

Diante desse cenário, a Associação dos Procuradores assegurou que “estará atenta e atuante, garantindo o controle da legalidade dos atos da Administração Pública e a concretude das políticas públicas”.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Test drive de Mercedes, degustação de uísque, torneio de golf, Sidney Magal: grupo de Dória debate ‘futuro do Brasi’

O Fórum Empresarial será realizado no Wish Resort, um hotel cinco estrelas de Foz do Iguaçu. (Foto: Divulgação/Wish Resort)

O vice prefeito Gustavo Paim (PP) assumiu, nesta quinta-feira (20), o cargo de prefeito de Porto Alegre interinamente, substituindo o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) que viajou para uma atividade de aprimoramento profissional, segundo informou a Prefeitura. A atividade em questão é o 16° Fórum Empresarial Foz do Iguaçu, promovido pelo grupo Lide Global que, até o ano passado, era presidido pelo empresário e apresentador de TV João Dória (PSDB), atual prefeito de São Paulo.

Segundo informações dos organizadores, o evento, que iniciou nesta quinta-feira e se estende até o domingo (23), “reúne alguns dos mais importantes líderes políticos e empresariais para uma agenda de debates sobre política econômica, gestão empresarial e responsabilidade social que impactam no desenvolvimento do Brasil”.

A programação oficial do evento de quatro dias revela que a “agenda de debates” se resume a um único seminário na manhã de sexta que reunirá nomes como Beto Richa (governador do Paraná), Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados), Mendonça Filho (ministro da Educação), Sarney Filho (ministro do Meio Ambiente) e Ives Gandra Filho (presidente do Tribunal Superior do Trabalho), entre outras personalidades.

Antes e após esse único debate, há uma intensa programação de atividades, com instruções detalhadas sobre os trajes que devem ser usados por homens e mulheres. Entre essas atividades, estão coquetéis, torneios de tênis, golfe e de futebol society, aulas de vinhos, test drive de automóveis Mercedes Benz, degustação de uísques e um show com Sidney Magal no encerramento.

Cada atividade orienta os participantes a utilizarem um traje específico. Na aula de vinhos, marcada para às 19h30min de quinta-feira, por exemplo, o traje é esporte, mas as cores são específicas: azul-marinho (camisa/blusa) e branco (calça/saia). No test drive de veículos Mercedes Benz, a cor do traje está liberada. Sobre essa atividade, a programação do evento informa ainda: “Prepare-se para uma experiência exclusiva com os automóveis Mercedes Benz. A marca terá uma pista off-road com dez obstáculos diferentes e modelos selecionados que poderão ser testados durante o evento”.

Já no “Jantar da Natureza”, oferecido pela Coca-Cola, na noite de sexta-feira, o traje é esporte e as cores dos mesmos devem ser verde e branco. Outra atração nesta mesma noite será o “Art of Blending”,  “uma experiência sensorial que o guiará pelas mais importantes regiões produtoras de Single Malts, conduzindo o convidado dos aromas e sabores à descoberta do líquido que faz parte da história e cultura da Escócia”, como afirma a programação.

Confira aqui a programação completa do evento que pretende debater a economia e o desenvolvimento do Brasil. No show de Sidney Magal não há uma orientação específica sobre as vestimentas a serem usadas pelos participantes.

O Fórum Empresarial será realizado no Wish Resort, um hotel cinco estrelas de Foz do Iguaçu. A página do Wish Resort informa que o mesmo tem uma “infraestrutura digna de hotel de luxo com padrão internacional: kids club, campo de golfe, piscinas, jacuzzis, quadras esportivas, arvorismo, entre outros itens que dão ao hotel muito dinamismo”.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Pais, alunos e professores pedem revogação de decreto de Marchezan

Comunidades das escolas José Loureiro da Silva e Martim Aranha saíram em caminhada pela Avenida Tronco. (Foto: Divulgação)

Pais, alunos e professores das escolas municipais José Loureiro da Silva e Martim Aranha realizaram uma caminhada, na manhã desta sexta-feira (10), pela avenida Tronco, na Vila Cruzeiro, pedindo a revogação do decreto do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), que impôs mudanças na rotina das escolas. A manifestação também pediu a abertura de diálogo entre a Secretaria Municipal de Educação (Smed) e todos os segmentos da comunidade escolar.

Na escola José Loureiro da Silva, a manifestação foi organizada pela Comissão de Mães em conjunto com o Conselho Escolar, relata a diretora da escola, Silvana Moraes. “As nossas comunidades estão protestando porque querem ser ouvidas pelo prefeito. As famílias não imaginam que suas crianças sejam submetidas à nova rotina proposta pela Prefeitura. Eu não tenho como, ao meio-dia, liberar todos os professores e colocar mais de 400 alunos no refeitório. Seria uma irresponsabilidade e não sequer espaço físico e pessoal para isso”, afirma a professora.

Nos últimos dias, ocorreram várias manifestações semelhantes em defesa da manutenção da rotina vigente nas escolas até o final de 2016. Na quinta-feira (9), as escolas municipais da Restinga organizaram manifestação semelhante e saíram pelas ruas do bairro, pedindo a revogação do decreto municipal. Os manifestantes entregaram um documento no Conselho Tutelar da Restinga e pediram o apoio dos conselheiros, afirmando que os termos do decreto ferem o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Na quarta (8), uma representação de pais, alunos e professores da Escola Municipal Mário Quintana foi para a frente do prédio da Smed, reivindicando que o diretor da escola não entrasse sozinho para se reunir com a secretaria. “Tensionamos para que exista uma discussão coletiva e conseguimos uma agenda para que o secretário visite a escola”, relata a professora Andrea Ayres. Ainda na quarta, a comunidade da Escola Municipal Saint’Hilaire, na Lomba do Pinheiro, também manifestou-se contra o decreto.

O ano letivo para os alunos começou na segunda (6) e neste dia mesmo o Conselho Escolar convocou uma assembleia com toda a comunidade escolar. Segundo Andrea Ayres, os professores estão recebendo o apoio das comunidades contra as mudanças propostas por Marchezan.

(*) Publicado originalmente no Sul21.