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RGE Sul anuncia demissão de mais de 100 trabalhadores no Estado

Concessionárias RGE e AES Sul adquiriram dois terços da rede de distribuição da CEEE no governo Britto. Hoje, empresas estão sob controle de estatal chinesa. (Foto: Divulgação/RGE)

O Grupo CPFL anunciou nesta sexta-feira (12) a demissão de mais de 100 trabalhadores da empresa RGE Sul, responsável pelo fornecimento de energia para 118 municípios das regiões Metropolitana e Centro-Oeste do Rio Grande do Sul. Em nota oficial, a CPFL afirma que, desde novembro de 2016, tem sido implementado um “plano de transição, com foco no respeito às pessoas, no aproveitamento dos profissionais e no compartilhamento das melhores práticas”. A empresa diz ainda que “adotou algumas alternativas para evitar um número maior de desligamentos como congelamento das novas contratações e o máximo de aproveitamento dos cargos em todas as áreas da empresa”.

No entanto, assinala ainda a nota da CPFL, “em processos de aquisição e fusão é natural que haja potencial de sinergia entre áreas”. Em função disso, acrescenta, “no dia de hoje (12), foram desligados aproximadamente 100 colaboradores dos mais de 2.400 que compõem o quadro da RGE Sul”. “Agradecemos aos colaboradores pelas contribuições, comprometimento e empenho dedicados à RGE Sul ao longo de suas trajetórias profissionais na companhia”, conclui o comunicado.

O Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul (Senergisul) foi comunicado oficialmente, na manhã desta sexta, pelo setor de relações sindicais do Grupo CPFL, que 115 trabalhadores serão demitidos. Segundo Ana Maria Spadari, presidente do Senergisul, a CPFL justificou as demissões pela implementação de um processo de reestruturação da empresa.  Spadari adverte que há possibilidade de ocorrerem novas demissões ainda este ano. A meta seria realizar cerca de mil demissões até o final deste ano, reduzindo o quadro da empresa para algo em torno de 1.700 trabalhadores. Hoje, a RGE Sul tem 2.355 trabalhadores próprios e 959 terceirizados. Para a dirigente do Senergisul, essas demissões estão ligadas à liberação geral das terceirizações, recentemente aprovada na Câmara dos Deputados.

Diego Mizette Oliz, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS), também foi comunicado pelo Grupo CPFL que, entre essa leva de demitidos, há quatro engenheiros. Segundo ele, esse número equivale a cerca de 10% do total de engenheiros trabalhando hoje na RGE Sul. “Essa informação nos preocupa. Já prevíamos algo do tipo a partir da fusão das duas concessionárias que atuavam no Estado (RGE e AES Sul). Parte da engenharia da RGE já estava concentrada em São Paulo e essa concentração deve aumentar ainda mais”.

O diretor do Senge alerta que as demissões e a transferência da engenharia para São Paulo deve impactar negativamente no atendimento à população, especialmente nas áreas rurais mais distantes, como na região Noroeste do Estado. “O atendimento local e presencial para a população ficará ainda mais precário. A tendência é que a empresa concentre ainda mais seus funcionários nos grandes centros urbanos e terceirize todo o resto”. Diego Oliz lembra ainda que, conforme dados recentemente divulgados pelo portal Receita Dados, tanto a RGE como a AES Sul ganharam benefícios fiscais do governo gaúcho.

Essas duas empresas foram criadas a partir do processo de privatização de dois terços da área de distribuição da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) pelo governo Antonio Britto (PMDB), em 1997. As concessionárias RGE e AES Sul – hoje, RGE Sul – adquiriram os dois terços da companhia, cujo controle foi repassado, em 2016, para a estatal chinesa State Grid Brazil Power Participações Ltda. No dia 13 de dezembro de 2016, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a transferência “do controle direto da sociedade” do grupo CPFL Energia, que administra as duas concessionárias, para a State Grid.

(*) Publicado originalmente no Sul21.