Livro aborda possibilidade de ascensão de um líder fascista no Brasil

Lançamento será dia 21 de junho, às 18h30, no Clube de Cultura. (Divulgação)

O surgimento de personagens tais como Hitler, Trump ou Ludder depende da existência de indivíduos excepcionais ou de condições previamente encontradas na sociedade? Para alguns, a junção de carisma e competência política explicaria como despontam homens-acontecimento, líderes ou gênios maléficos capazes de arregimentar pessoas ordinárias e incautas. Para outros, a explicação se encontra no caráter moral de parte da sociedade. Para atingir seus objetivos, ela produz de maneira consciente e deliberada o homem-instrumento.

Esse é tema geral do novo livro de ficção do sociólogo Antonio D. Cattani, “O Um – Inquérito parcial sobre o caso Ingo Ludder” (Editora Bestiário), que será lançado no dia 21 de junho, às 18h30min, no Clube de Cultura (Ramiro Barcelos, 1853) em Porto Alegre. No lançamento, o autor participará de uma conversa com Carlos R. Winckler e Jeferson Miola, sobre os temas abordados no livro. A entrada é gratuita.

Temer desfere golpe contra Conselho das Cidades, denuncia Associação dos Geógrafos

Para geógrafos, ato de Temer é antidemocrático, desrespeitoso e típico dos regimes autoritários desconsiderando e destruindo, na prática, o Conselho das Cidades.(Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) divulgou nota denunciando a extinção de competências do Conselho Nacional das Cidades (ConCidades), por meio de um decreto presidencial, e a mudança da composição do mesmo. “O decreto autoritário transfere atribuições do ConCidades ao Ministério das Cidades, que agora passa a ter amplos poderes para editar novo regimento e convocar a Conferência”, diz a Associação. Segue a íntegra da nota:

Mais um ataque à democracia brasileira: governo ilegítimo desfere golpe contra o Conselho das Cidades

A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) torna público seu repúdio aos novos ataques à democracia brasileira e aos espaços ainda restantes de participação popular, bem como ao princípio da gestão democrática da cidade – garantido no Estatuto da Cidade, que regulamentou a política urbana prevista em nossa Constituição Federal. 
 
A construção histórica da democracia participativa e das lutas pela democratização das cidades brasileiras – das quais a AGB orgulhosamente fez e faz parte – conquistou a criação de um Conselho Nacional das Cidades, o ConCidadescriado pelo Decreto 5.031 de 2 de abril de 2004 e regulamentado  pelo  decreto n° 5.790, de 25 de maio de 2006. O ConCidades foi criado com o objetivo de propiciar o dialogo entre os agentes produtores do espaço urbano, para mediar conflitos, pactuar soluções e criar políticas públicas capazes de atender à diversidade socioespacial brasileira. 
 
No último dia 7 de junho de 2017, o governo ilegítimo de Michel Temer desferiu um novo ataque à democracia e à gestão democrática das cidades, ao editar o decreto n. 9.076. Este decreto, que dispõe sobre a Conferência Nacional das Cidades, extingue competências do ConCidades, muda a composição do Conselho – excluindo os suplentes de sua estrutura – e ainda torna sem efeito todo o capítulo II, DA CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CIDADES, do decreto que criou o Conselho (5.790 de 25 de maio de 2006).  
 
O decreto autoritário transfere atribuições do ConCidades ao Ministério, que agora passa a ter amplos poderes para editar novo regimento, convocar a Conferência, cuja periodicidade de realização foi alterada. 
 
Tal ato, antidemocrático, desrespeitoso e típico dos regimes autoritários desconsidera e destrói, na prática, o Conselho das Cidades. O Conselho era um órgão deliberativo e consultivo da estrutura do Ministério das Cidades, eleito democraticamente em Conferências e composto por entidades de diversos segmentos da sociedade civil e dos poderes Executivo e Legislativo de todas as esferas de governo.  
 
Neste governo, as práticas da gestão levaram à negação da participação social e a uma atrofia do Conselho. Entre essas práticas, vale citar o cancelamento sucessivo de reuniões de grupos de trabalho do Conselho, a suspensão de programas e convênios com entidades da sociedade civil (em especial os movimentos populares), o não envio da delegação do Conselho das Cidades para a terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III), a não-convocação de nenhuma reunião do Conselho das Cidades em 2017 e o boicote às atividades da Coordenação Executiva da 6ª Conferência Nacional das Cidades. 
 
Por fim, o decreto n. 9.076 de 7 de junho de 2017 se soma a outras medidas autoritárias e danosas às cidades brasileiras, junto, por exemplo, da Medida Provisória 759/2006, que desconstrói a regularização fundiária e prejudica a população mais pobre.  
 
A AGB que, ao longo das últimas décadas, vem contribuindo com a gestão democrática das cidades, com a agenda da reforma urbana e com a luta pelo direito à cidade para todos e todas, tendo coletado assinaturas que deram origem aos artigos 182 e 183 da Constituição de 1988 e batalhado por sua regulamentação com o Estatuto da Cidade, repudia veementemente mais esse ataque à democracia e à participação popular no país e convoca mais uma vez os geógrafos e geógrafas à luta, cada vez mais necessária e urgente, em defesa da democracia em nosso país. 

‘Temos um pacote do veneno tramitando no Congresso Nacional’, alerta procuradora

Ana Paula Carvalho de Medeiros: “Há vários projetos tramitando juntos, constituindo o que está sendo chamado de pacote do veneno. O PL 3200 é o mais preocupante”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Em março de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou um artigo que sistematizou pesquisas sobre o potencial cancerígeno de cinco ingredientes ativos de agrotóxicos realizadas por uma equipe de pesquisadores de 11 países, incluindo o Brasil. Baseada nestas pesquisas, a agência classificou o herbicida glifosato e os inseticidas malationa e diazinona como prováveis agentes carcinogênicos para humanos e os inseticidas tetraclorvinfós e parationa como possíveis agentes carcinogênicos para humanos. Destes, a malationa, a diazinona e o glifosato são amplamente usados no Brasil. Herbicida de amplo espectro, o glifosato é o produto mais usado nas lavouras do Brasil, especialmente em áreas plantadas com soja transgênica.

A partir desse levantamento, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou uma nota oficial chamando a atenção para os riscos que a exposição ao glifosato e a outras substâncias representam para a saúde dos brasileiros. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos, o Inca cita, além do câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico. O Inca e a Organização Mundial da Saúde estimaram que, nos próximos cinco anos, o câncer deve ser a principal causa de mortes no Brasil.

O Inca também manifestou preocupação com o fato do Brasil ainda realizar pulverizações aéreas de agrotóxicos, que ocasionam dispersão destas substâncias pelo ambiente, contaminando amplas áreas e atingindo populações. E criticou a isenção de impostos que o país continua a conceder à indústria produtora de agrotóxicos, além do fato de o Brasil permitir o uso de agrotóxicos já proibidos em outros países. Na avaliação do instituto, o modelo de cultivo com o uso intensivo de agrotóxicos gera grandes malefícios, “como poluição ambiental e intoxicação de trabalhadores e da população em geral”.

Apesar de todas essas advertências, estão tramitando no Congresso Nacional que propõe desde a flexibilização de instrumentos de fiscalização e controle sobre o uso de agrotóxicos até a mudança da designação dos mesmos para “aliviar a carga negativa” da expressão. “É um verdadeiro pacote do veneno”, diz a procuradora da República, Ana Paula Carvalho de Medeiros. Em entrevista ao Sul21, ela fala dos riscos que esses projetos trazem para a saúde da população e o meio ambiente. O mais perigoso de todos, destaca a procuradora, é o do deputado Covatti Filho (PP-RS), que altera toda a normatização e revoga a lei de 1989, criando uma legislação completamente diferente. Covatti Filho é o autor da proposta para que os agrotóxicos passem a ser chamados de “defensivos fitossanitários”. (Leia aqui a entrevista na íntegra)

Uma crítica da Igreja sobre a crise atual dos direitos ameaçados

Papa Francisco: “A Igreja deve envolver-se na política.“ (Foto: Divulgação)

Jacques Távora Alfonsin

“A Igreja deve envolver-se na política”, afirma o Papa Francisco. Esta é a manchete do site IHU noticias do dia 6 de junho, publicando uma nota que apareceu no jornal Corriere della Sera de domingo passado. O preconceito histórico de a política constituir-se em atividade alheia à religião, ou até nociva, também à espiritualidade das pessoas, recebeu do Papa uma advertência clara sobre o erro e a improcedência dessa pseudo doutrina.

Bergoglio louvou o empenho, prossegue a nota, de muitos magistrados em perseguir as escravidões modernas: “Sei que sofreis ameaças e condicionamentos de tantas partes. Sei que hoje ser procuradores, ser ministros públicos é arriscar a vida e isto me faz ser reconhecido da coragem de alguns de vós que querem ir em frente, permanecendo livres. Sem esta liberdade, o poder judiciário se corrompe e gera corrupção”.

O Papa falava para juízas/es, uma coincidência com a situação brasileira de hoje, quando o Superior Tribunal Eleitoral julga, no momento em que são escritas essas linhas, se a última eleição para a presidência da República aqui no Brasil, foi viciada, ou não, para ser considerada válida.   A palavra de Francisco reconhece nas/os magistradas/os uma coragem e uma liberdade de uma autenticidade tão opostas às injustiças que podem colocar em risco as suas próprias vidas.

Se essas virtudes estão presidindo mesmo a conduta de cada ministro/a nesse histórico julgamento, não é uma hipótese de resposta fácil. O poder de um Tribunal, por ser só um tribunal, não está isento de sofrer influências externas sobre os seus julgados, as vezes promovidas por uma  indução com força para criar convencimento no próprio inconsciente de quem  julga.

Para o bem e para o mal, a mídia cumpre nisso uma função ideológica de peso até decisivo, conforme o caso, não se podendo ignorar o quanto de inconveniente e inoportuna é a presença frequente do presidente do STE, ministro Gilmar Mendes,  junto aos meios de comunicação social opinando sobre fatos que, por mais indireta possa parecer sua versão, podem colocar sob suspeita fundada a própria imparcialidade do Tribunal.

A Igreja, pela voz de alguns dos seus bispos, entre eles mais de um integrante da própria direção da CNBB, está tomando uma posição política em tudo afinada com aquela afirmação do Papa e esclarecedora das causas pelas quais o Brasil chegou a esse ponto da sua frágil democracia, em atitude muito semelhante a adotada por Dom Paulo Evaristo Arns contra a ditadura implantada no Brasil em 1964.

Inspirada em sua fé, passou a encorajar a sociedade civil do país para resistir ao exercício de um poder público que objetiva colocar em risco direitos sociais conquistados no passado, a custa de muito sacrifício das/os trabalhadoras/es.

Antes da exitosa greve geral do dia 28 de abril passado, só lembrada pela mídia mais conservadora por alguns atos de depredação e incêndio de prédios, sabidamente alheios aos fins do massivo protesto, o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, concedeu entrevista tratando da posição da entidade sobre esse protesto, considerando “fundamental que se escute a população em suas manifestações coletivas”, como se lê em vários sites que publicaram a mesma:

“Certamente o conteúdo das manifestações se dará no sentido de defesa dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade, de modo muito particular dos mais pobres. O movimento sinaliza que a sociedade quer o diálogo, quer participar, quer dar sua contribuição. Reformas de tamanha importância não podem ser conduzidas sem esse amplo debate.O Congresso Nacional e o Poder Executivo, infelizmente, têm se mostrado pouco sensível ao que a sociedade tem manifestado em relação às reformas. Os brasileiros e brasileiras desejam o bem do Brasil e para construir uma nação justa e fraterna querem participar das discussões e encaminhamentos.

 É uma crítica explícita a um (des)governo que, por julgar-se auto suficiente, dirige um Estado de exceção, confiando numa “democracia” só formalmente representativa, isolada, sem legitimidade, composta em grande parte por gente comprovadamente corrupta, mas mantida junto dele para dominar todo um povo segundo as conveniências que ele se propôs garantir penem os direitos que penem. Dia 30 de junho próximo, entretanto, o país vai parar de novo, em nova greve geral, advertindo-o de que o empoderamento da resistência cívica contrária às suas políticas públicas está crescendo em todo o Brasil, julgue como julgar o Superior Tribunal Eleitoral sobre sua legitimidade ou ilegitimidade.

Fundação Piratini segue proibida de contratar CCs para atividades-fim

Situação dos servidores da TVE e da FM Cultura foi debatida terça-feira (6), no Tribunal Regional do trabalho da 4ª Região. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou nota nesta quinta-feira (8) esclarecendo que a Fundação Piratini segue proibida de utilizar funcionários em cargos de comissão (CCs) em funções distintas daquelas de direção, chefia e assessoramento, como as de editoria, produção, apresentação de programas e realização de reportagens.

Assinada pela Procuradora do Trabalho, Sheila Ferreira Delpino, a nota contesta o que chama de “informações incompletas, distorcidas e equivocadas”, divulgadas em veículos de comunicação, sobre a atuação do Ministério Público do Trabalho em face de denúncia de funcionários comissionados estariam exercendo atividades-fim na TVE e na FM Cultura.

A distorção, no caso, consistiu em afirmar que o MPT teria indeferido pedido de instauração de um inquérito civil sobre o caso, sem esclarecer que esse indeferimento se deu pela razão de já existir decisão com trânsito em julgado determinando que a TVE e a FM Cultura se abstenham de contratar CCs para exercer atividades-fim.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão do Rio Grande do Sul protocolou, dia 22 de maio, denúncia contra a Fundação Cultural Piratini pelo descumprimento da decisão proferida em Ação Civil Pública proibindo a contratação de CCs para atividades-fim. Essa decisão determinou o pagamento de multa diária de R$ 500,00, por trabalhador deslocado. Em função de já haver uma decisão judicial definitiva, o MPT disse que não seria necessário novo inquérito. No entanto, determinou que sejam apuradas as irregularidades atuais relatadas pelo Sindicato e, caso estas sejam comprovadas, que sejam adotadas as medidas judiciais cabíveis pelo descumprimento da sentença judicial.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Famílias assentadas em São Gabriel comemoram conclusão de 150 moradias

Leonice e sua família em frente à casa nova. (Foto: Catiana de Medeiros/MST)

Imprensa – MST

A Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram na manhã de quarta-feira (7) a inauguração simbólica de 150 unidades habitacionais, que foram construídas em cinco assentamentos da Reforma Agrária no município de São Gabriel, na Fronteira Oeste gaúcha. O ato de inauguração aconteceu na sede do Assentamento Itaguaçu e reuniu, além das famílias beneficiárias, representantes da prefeitura de São Gabriel, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Câmara de Vereadores.

Os 150 projetos foram contratados em 2014 por meio do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) – Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e financiados pela Caixa Econômica Federal (CEF). Cada unidade habitacional teve um investimento de R$ 33 mil, sendo R$ 4,5 mil de contrapartida da Secretaria Estadual de Habitação, disponibilizados ainda na gestão do governo Tarso Genro. A Coceargs atuou como entidade organizadora das obras e deu todo o suporte técnico necessário para as famílias construírem suas casas no Assentamento Conquista de Caiboaté (78 casas); Assentamento Itaguaçú (32 casas); Assentamento Novo Rumo (5 casas), Assentamento Zambeze (21 casas) e Assentamento União pela Terra (14 casas). Segundo a Coceargs, outras 157 propostas de São Gabriel já foram cadastradas no Ministério das Cidades.

Para a assentada Leonice Flores, moradora do Assentamento Itaguaçu, a conquista da casa de alvenaria é um sonho realizado. “As famílias que hoje comemoram a conclusão das obras são símbolo de resistência, porque nós chegamos aqui e continuamos debaixo da lona preta por muito tempo, sem estrada e sem luz. A gente fica pensando se é verdade mesmo, porque sofremos bastante. Então é um sonho realizado. É maravilhoso dar um lar confortável para os filhos, chegar em casa da lida e ter onde cozinhar e dormir com dignidade”, afirma.

As unidades habitacionais têm 52,4 m², para dois dormitórios, e 52,8 m², para três dormitórios, todas com sala e cozinha conjugada, banheiro e área de serviço. Além disto, a acessibilidade é garantida, bem como a construção de fossas sépticas e o tratamento do esgoto sanitário. Durante a execução dos projetos, os beneficiários também recebem acompanhamento do trabalho social, ocasião em que é realizada uma série de atividades com foco em saneamento básico, reflorestamento, preparação de remédios fitoterápicos e implantação de hortas, entre outras.

De acordo com Sidnei Santos, coordenador do setor de habitação da Coceargs, os beneficiários tiveram envolvimento integral no processo de execução das obras, que é feito por meio de construção assistida. Neste tipo de sistema, as famílias têm autonomia para, por exemplo, contratar pedreiros de sua confiança e construir as moradias de acordo com suas preferências pessoais, seja na hora de escolher a planta ou dar o acabamento à obra. “Entregar 150 unidades habitacionais nessa conjuntura de retirada de direitos é muito importante para nós, porque a moradia digna também é uma maneira de fixar as famílias no campo”, explica.

Assistência Social: conselheiros apontam má-fé e falta de transparência da Prefeitura de Porto Alegre

Coletiva de imprensa foi convocada em caráter de urgência por entidades da sociedade civil que integram o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS). (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de Porto Alegre, Maria de Fátima Cardoso do Rosário, repudiou na tarde desta quarta-feira (7), durante entrevista coletiva, as críticas feitas pela secretária de Desenvolvimento Social do município, Maria de Fátima Záchia Paludo, veiculadas em matéria no jornal Zero Hora, sobre um “boicote ideológico” que estaria sendo praticado pelo Conselho contra a atual administração. Na matéria em questão, a secretária reclama da “inércia” do Conselho que é acusado de atrasar a liberação de R$ 5,1 milhões destinados à assistência social. Um dos indícios dessa “inércia” seria a falta de quórum na última reunião do Conselho que poderia ter aprovado a liberação dos recursos.

Segundo Maria de Fátima Cardoso do Rosário, a coletiva de urgência foi convocada a pedido de organizações da sociedade civil que integram o Conselho, que ficaram indignadas com o teor da matéria e das críticas feitas pela secretária de Desenvolvimento Social. A presidente do Conselho classificou como má-fé o uso do nome dela para imputar uma influência partidária no Conselho. Acompanhada pelo conselheiro Richard de Campos e pelas conselheiras Angela Aguiar, Tania Mara e Angela Comunal, Maria de Fátima do Rosário criticou a falta de transparência da atual administração e a estratégia de desmoralizar o Conselho para justificar a terceirização de serviços na área da assistência social.

Em nota oficial, o Conselho Municipal de Assistência Social rebateu as críticas de inércia e de um suposto “boicote ideológico”, assinalando que na reunião do dia 5 de junho, onde houve falta de quórum, faltaram cinco conselheiros representantes do governo. Para aprovação da reprogramação do recurso, faltaram três conselheiros para haver quórum. Ou seja, se três dos cinco conselheiros do governo que faltaram estivessem presentes, poderia ter ocorrido a programação.

O Conselho também questiona a intenção da Prefeitura de usar os recursos para contemplar apenas pagamentos de infraestrutura como aluguéis, carros, luz, telefone, internet e vale transporte, inclusive de unidades que não integram os serviços de assistência social. “Como este recurso é federal, não pode ser utilizado com despesas de políticas que não sejam a da Assistência Social, além disso, nesses espaços referidos existem unidades do Senai e não era justo, nem legal, pagar a conta de luz integral num espaço compartilhado. Desta forma, o CMAS não autorizou o pagamento”, diz a nota.

Ainda sobre a suposta “inércia” dos conselheiros, a presidente do CMAS lembrou que nenhum deles é remunerado, não recebem nem vale transporte para participar das reuniões e têm que fazer isso fora dos seus horários de trabalho, ao contrário do que ocorre com os conselheiros que representam o governo.

A conselheira Angela Aguiar criticou a falta de transparência da Prefeitura afirmando que ela não detalha os itens nem os locais onde os recursos serão aplicados. “A quem serve esse tipo de prática? Até hoje a gente não sabe qual o valor exato dos recursos destinados pelo município para a Assistência Social”, assinalou. O CMAS é responsável pela liberação dos recursos federais para a Assistência Social, que são destinados exclusivamente a esta área. Além destes valores, a Prefeitura tem recursos próprios para o setor, que não passam pelo Conselho.

Angela Aguiar manifestou estranheza com a manifestação da secretária de Desenvolvimento Social, lembrando que o órgão gestor da política de assistência social do município é a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc). “Nos surpreendeu o desconhecimento da secretária sobre o funcionamento do Conselho”, afirmou, lembrando que o governo tem 22 conselheiros designados pela própria administração. O problema, acrescentou, é que o atual governo não quer construir nenhuma política junto com o Conselho. “Eles trazem uma planilha pronta e querem que a gente aprove sem debate”.

A conselheira definiu como inverdade a tentativa de atribuir ao Conselho a precarização dos serviços de atendimento a crianças e adolescentes. “Nós estamos denunciando essa situação há tempos e esse serviço vem funcionando de modo precário desde o ano passado. O gestor não garante o mínimo para o funcionamento do Conselho, sequer o vale transporte para os conselheiros e conselheiras”.

O conselheiro Richard de Campos denunciou o desmonte das políticas de assistência social no município e a lógica defendida pela atual administração. “A atual gestão defende que o Conselho gere receita, mas políticas públicas não devem gerar receita. Se for para construir políticas públicas estaremos juntos com a Prefeitura, mas se for para destruir seremos inimigos dessa posição”, afirmou. Na mesma linha, a conselheira Tania Mara criticou o desprezo do governo em relação ao Conselho. “Este governo tinha a leitura de que não tínhamos formação, mas se esqueceram que temos a faculdade da vida”, assinalou.

Na mesma linha de outros conselheiros, Angela Comunal, representante da União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa) observou que a estratégia da Prefeitura é tentar desmoralizar e desconstruir o Conselho Municipal de Assistência Social para tirar dele a atribuição de controle sobre os recursos federais destinados à área. Os conselheiros e representantes da sociedade civil que participaram da coletiva enfatizaram a falta de transparência que vem marcando a atual gestão. “Qual o resultado das seis sindicâncias que foram realizadas no setor e que já terminaram? Todos aqui respondem pela aplicação desses recursos. De três em três meses, o gestor tem que prestar contas ao Conselho. Até agora, não aconteceu nada”, questionou a presidente do Conselho.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Vereador questiona se curso de ex-prefeito de Pelotas nos EUA é patrocinado pela Comunitas

Vereador apresentou uma copia da página da Columbia University,, onde o nome do ex-prefeito de Pelotas apareceria como aluno visitante patrocinado pela Comunitas ou representando a organização. (Foto: Reprodução)

O vereador Marcus Cunha (PDT), da Câmara Municipal de Pelotas, anunciou terça-feira (6) que está encaminhando denúncia ao Ministério Público envolvendo o ex-prefeito Eduardo Leite (PSDB), que teria favorecido durante seu governo a Comunitas, organização da sociedade civil sediada em São Paulo, e agora estaria sendo patrocinado por essa mesma entidade como estudante na Columbia University, nos Estados Unidos. “O ex-prefeito insistiu em fazer um contrato sem licitação com o grupo ligado ao PSDB e depois recebeu este benefício por trazer a Comunitas a qualquer preço para Pelotas?”, questionou Cunha, que mostrou, na tribuna da Câmara, uma cópia da página da Universidade, onde o nome do ex-prefeito de Pelotas apareceria como aluno visitante patrocinado pela Comunitas ou representando a organização.

O vereador também questionou a intenção da atual prefeita, Paula Mascarenhas (PSDB), de manter a consultoria com a Comunitas em Pelotas. Marcus Cunha afirmou que pretende investigar esse novo contrato, pois não teria ocorrido nenhum processo de licitação para firmar o mesmo. O parlamentar lembrou a contratação sem licitação, em 2014, da Falconi Consultoria, por mais de R$ 2 milhões, que foi denunciada no Legislativo municipal e suspensa pela Justiça no ano seguinte. Em 2015, o juiz Bento Fernandes de Barros Júnior, da 4ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública de Pelotas, julgou procedente ação do Ministério Público e declarou anulado o contrato firmado entre o município de Pelotas e o Instituto de Desenvolvimento Gerencial, em fevereiro de 2014, cujo objetivo era “auxiliar na melhor do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)” do município.

Marcus Cunha afirmou ainda que também pretende investigar a relação da Prefeitura com a Revita, que faz a coleta de lixo em Pelotas, e com o grupo Solvi, ligado a Comunitas, que se prepara para instalar um aterro sanitário no município.

O Sul21 entrou em contato com a Comunitas que preferiu não comentar o assunto. Um prestador de serviço da organização orientou o Sul21 a entrar em contato com o próprio Eduardo Leite, porém, até o fechamento desta matéria, não obtivemos retorno.

Em uma postagem de 3 de abril em sua página no Facebook, Leite registra que participou de um jantar da Fundação Lemann na Universidade de Columbia e afirma a propósito dessa fundação:

“A Fundação é parceira da universidade e, através do programa Lemann Fellows, discute questões do Brasil e apoia educação e treinamento de jovens, com foco em capacitar líderes e promover inovação para transformar o futuro do nosso país. O Programa Juntos, da Comunitas, foi quem nos apresentou à Fundação Lemann, que nos ajudou a implementar a plataforma Khan Academy nas escolas municipais em Pelotas”.

PSDB também tem parceria com a Comunitas em Porto Alegre

No dia 17 de maio,  a juíza Andréia Terre do Amaral, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, determinou a suspensão do acordo firmado entre a Prefeitura de Porto Alegre e a Comunitas, por entender que há indícios de várias irregularidades no mesmo. A magistrada deferiu a liminar pleiteada pela direção do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e pelos vereadores da bancada de oposição na Câmara Municipal da Capital, que questionaram a legalidade do acordo de cooperação celebrado com a Comunitas para a realização do projeto “Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável”. O trabalho desenvolvido por essa organização tem como objetivo “contribuir para o aprimoramento dos investimentos sociais corporativos e estimular a participação da iniciativa privada no desenvolvimento social e econômico do país”.

Os autores da ação popular alegaram que o acordo “encontra-se eivado de ilegalidades, em razão do descumprimento das normas estabelecidas pela Lei Federal n. 13.019/2014, como a inadequação do instrumento utilizado, a ausência de chamamento público, ausência dos requisitos mínimos do Plano de Trabalho, vigência anterior a sua publicação, inexistência do dever de prestação de contas, entre outras, configurando ato lesivo à moralidade e ao patrimônio público”.

Em sua sentença, a juíza apontou indícios de uma série de irregularidades no acordo como a ausência de um chamamento público antes da realizado do mesmo. Segundo a magistrada, o compartilhamento de recursos patrimoniais, como a disponibilização de servidores, computadores, cadeiras, mesas, pontos de acesso à internet para uso de e-mail e ramais telefônicos para contato, torna obrigatória a realização de chamamento público. “Há indícios de que a Administração Pública Municipal formalizou acordo em descumprimento ao princípio da legalidade, o que, em princípio, descaracteriza a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de modo que se faz presente a inequívoca verossimilhança da alegação e de perigo de dano irreparável ao patrimônio e à moralidade administrativa”, diz a sentença.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

JuntaPedido: Assentados oferecem alimentos orgânicos por meio de aplicativo de celular

Por enquanto, aplicativo está disponível apenas para celulares que possuem sistema operacional Android. (Foto: Catiana de Medeiros/MST)

Imprensa – MST

Consumir produtos orgânicos está cada vez mais fácil para a população da região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Isto porque, com preço justo para quem produz e acessível para quem consome, famílias assentadas na Reforma Agrária que fazem feiras ecológicas agora oferecem alimentos produzidos sem o uso de agrotóxicos por meio do JuntaPedido, um aplicativo criado pela empresa gaúcha Sapiens I Tecnologia. O objetivo principal é facilitar o acesso dos consumidores urbanos aos alimentos saudáveis, por meio da ampliação dos espaços de comercialização.

Para comprar os alimentos orgânicos e recebê-los no endereço desejado basta acessar o site www.juntapedido.com no computador ou tablet, ou fazer download gratuito do JuntaPedido no celular, e criar uma conta de acesso. O aplicativo está disponível apenas para celulares que possuem sistema operacional Android, mas em breve, segundo a Sapiens I Tecnologia, ele poderá ser baixado nos celulares com sistemas IOS, da Apple, e Windows Phone, da Microsoft.

O JuntaPedido permite que os feirantes configurem as suas contas para que clientes próximos dos locais das feiras possam visualizar e encomendar os produtos. As entregas são feitas nos endereços cadastrados pelos clientes, que podem ser o local de trabalho ou da própria casa. O raio de abrangência de entregas é definido por cada feirante, variando de 250 metros até 2.000 metros do ponto da feira. Até o momento, cerca de 35 famílias assentadas entregam alimentos em diferentes áreas de Porto Alegre, Viamão, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul e Canoas.

De acordo com Sandra Rodrigues, assistente social que acompanha as famílias assentadas através da Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec), a inserção dos alimentos orgânicos dos assentamentos ao JuntaPedido atenderá parte da demanda de escoamento da produção dos agricultores que participam do Grupo Gestor das Hortas, Frutas e Plantas Medicinais, coordenado pelo MST. Hoje, aproximadamente 200 famílias Sem Terra produzem de forma agroecológica na região e, devido aos cortes no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), sentem a necessidade de buscar outras alternativas para ampliar os espaços de comercialização, indo além das feiras ecológicas.

“Vai ser muito bom, porque hoje há falta de espaços para vender a nossa produção. Nós estamos em feiras, mas elas ainda não atingem 100% dos agricultores. Com o aplicativo vamos conseguir inserir mais famílias e fortalecer os grupos de produção dos assentamentos. Torcemos para que dê certo e que aumente cada vez mais o número de pedidos, assim nós poderemos produzir à vontade, porque teremos onde escoar a produção”, declara o assentado Arnaldo Soares, de Nova Santa Rita.

A primeira experiência do MST com o aplicativo, cedido gratuitamente pela Sapiens I Tecnologia para uso dos assentados, foi realizada no último mês de maio com o grupo Mulheres da Terra, do Assentamento Filhos de Sepé, localizado em Viamão. O grupo disponibiliza mais de 60 produtos, todos certificados como orgânicos por órgãos públicos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Ministério da Agricultura (Mapa). As entregas acontecem sempre às quartas-feiras, às 11 horas, nos arredores dos principais prédios da administração pública da Capital, abrangendo o Incra, Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), Receita Federal, Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Justiça Federal e Câmara de Vereadores. A adesão ao aplicativo por parte de outros grupos de feirantes da região Metropolitana de Porto Alegre aconteceu nos primeiros dias de junho. Assentados dos municípios de Tupanciretã, São Luiz Gonzaga, São Miguel das Missões, Esmeralda e Vacaria já mostraram interesse em também comercializar alimentos via JuntaPedido. A iniciativa tem o apoio do Incra.

Como fazer pedidos?

Os pedidos devem ser feitos com 36 horas de antecedência para que os agricultores possam organizar os alimentos. Para fazer a aquisição, os consumidores devem criar uma conta no JuntaPedido. O procedimento é muito simples e rápido (demora menos de 1 minuto), basta preencher um formulário com as seguintes informações: nome, número de telefone, email, endereço onde trabalha ou reside (para as entregas) e senha de acesso para efetivar os pedidos. Ao concluir esta etapa, chegará uma mensagem no email informando a situação do cadastro.

Valor mínimo e taxa de entrega

O pedido mínimo é de R$ 15 reais, o mesmo valor da taxa de entrega. Mas o custo da entrega fica mais baixo na medida que mais pessoas se juntam ao grupo de pedido. Ou seja, ela pode chegar a centavos caso os vizinhos também optem por adquirir os alimentos orgânicos por meio do JuntaPedido. Por exemplo: se os agricultores tiverem que fazer entrega apenas para um cliente numa determinada data e horário, o custo da entrega será de R$ 15. Mas se 15 vizinhos fizerem pedidos para o mesmo dia e horário, formando um grupo, o custo da entrega para cada um será de apenas R$ 1,00. O intuito do frete compartilhado é incentivar mais pessoas a consumirem alimentos saudáveis. A forma de pagamento pode ser em cartão, dinheiro ou cheque, dependendo das opções oferecidas pelos agricultores no aplicativo.

Feirantes já cadastrados

Feirante Mulheres da Terra
Porto Alegre: Av. Loureiro da Silva, 800 – Centro, (raio 1.000m). Entregas: quarta-feira, 11horas

Feirante COOTAP Grupo Organizando a Natureza
Porto Alegre: R. Mata Bacelar, 10 – Auxiliadora, (raio 1.000m). Entregas: terça-feira, 11 horas

Feirante COOTAP Grupo dos Pampas
Porto Alegre: R. Rômulo Telles Pessoa, 50 – Bela Vista, (raio 1.500m). Entregas: sábado, 12 horas

Feirante COOTAP Grupo Três Figueiras
Porto Alegre: R. Antônio Carlos Berta, 600 – Boa Vista, (raio 750m). Entregas: 3º, 13 horas
Porto Alegre: R. Cel. Armando Assis, 264 – Três Figueiras, (raio 750m). Entregas: sábado, 11 horas

Feirante COOTAP Grupo Petrópolis
Porto Alegre: R. Dário Pederneiras, 700 – Petrópolis, (raio 1.500m). Entregas: quarta-feira, 16 horas

Feirante COOTAP Grupo Jaqueline
Porto Alegre: Av. Plínio Brasil Milano, 80 – Higienópolis, (raio 1.000m). Entregas: quarta-feira, 16 horas


Feirante COOTAP Paulo Savela
Canoas: Av. Açucena, 1205 – Estância Velha,  (raio 2.000m). Entregas: segunda-feira e sábado, 11horas

Feirante COOTAP Grupo Sepé Tiaraju
Viamão: Av. Liberdade, 1751 – Santa Isabel (raio 1.000m). Entregas: sábado, 11 horas

Feirante COOTAP Grupo Terra Viva
Viamão: Av. Senador Salgado Filho, 7000 – São Lucas, TECNOPUC (raio 500m). Entregas: quinta-feira, 11 horas
Viamão: Av. Senador Salgado Filho, 9750 – Cecília, Parada 56 (raio: 1.000m). Entregas: quinta-feira, 17 horas
Viamão: Av. Paraíso, 332 – Parque Indio Jari (raio 1.000m). Entregas: sábado, 10 horas
Viamão: R. Édio Nagel Boit – Parque Indio Jari (raio 1.000m). Entregas: sábado, 11 horas
Viamão: Av. Liberdade, 1751 – Santa Isabel (raio 1.000m). Entregas: sábado, 12 horas
Viamão: Av. Senador Salgado Filho, 5412 – Jardim Krahe, Parada 44 (raio: 1.000m). Entregas: sábado, 13 horas

Feirante COOTAP Plantando Saúde
Eldorado do Sul: R. da Arrozeira, 270 – Medianeira (raio 500m). Entregas: terça-feira, 10 horas
Eldorado do Sul: Av. Emancipação, 480 – Centro (raio 500m). Entregas: quarta-feira, 10 horas

Feirante COOTAP Ana Gisel
Nova Santa Rita: Todo o município. Entregas: terça-feira, 16 horas

Governo Sartori abandona argumento econômico para justificar extinção de fundações e demissões

Governo do Estado não apresentou nenhuma proposta na reunião de mediação realizada nesta segunda-feira (6) no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O argumento utilizado pelo governo José Ivo Sartori (PMDB) para defender a extinção de 12 fundações, com a consequente demissão de servidores, não está mais baseado na necessidade de economizar recursos, mas sim por uma concepção ideológica que defende o Estado mínimo. Essa mudança de discurso dos representantes do governo na negociação com os sindicatos que representam os servidores ameaçados de demissão foi reafirmada nesta terça-feira (6) por representantes da Procuradoria Geral do Estado (PGE), na reunião de mediação realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região para tratar do futuro dos servidores da Fundação Piratini. Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Milton Simas, 250 profissionais estão ameaçados de demissão na fundação.

“O Estado colocou com todas as letras que a economia não é mais o argumento. Os representantes da PGE disseram que a extinção das fundações se deve a uma concepção favorável à reorganização do Estado de modo que ele passe a executar apenas algumas funções consideradas essenciais”, relatou Antônio Escosteguy Castro, advogado da Frente Jurídica em Defesa das Fundações. Diante do novo argumento explicitado pela PGE, o advogado Adroaldo Mesquita da Costa Neto, que também integra a Frente, questionou: “Mas então o governo enganou a Assembleia Legislativa, pois o argumento da necessidade de corte de gastos era o primeiro apresentado na exposição de motivos dos projetos para a extinção das fundações”.

O governo do Estado não apresentou nenhuma proposta na reunião desta segunda-feira, que terminou sem acordo. Segundo o desembargador João Pedro Silvestrin, que coordenou a audiência, foi apenas um “pontapé inicial”. O desembargador determinou que o Estado forneça os dados que estão sendo solicitados pelos sindicatos a respeito de quantos e quais são os servidores que podem ser demitidos. Silvestrin deu um prazo até 12 de junho para que os sindicatos encaminhem ao governo as perguntas que querem ver respondidas. Encaminhadas as questões, ele fixará um prazo para o governo responder as mesmas. Só depois disso, será marcada uma segunda reunião de negociação.

Controle de despesas: o argumento abandonado

No dia 21 de novembro de 2016, o governador José Ivo Sartori apresentou um pacote propondo, entre outras medidas, a extinção de nove fundações, a demissão de servidores, a fusão de secretarias, o aumento da alíquota previdenciária e o fim da exigência de plebiscito para a privatização da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da Sulgás. Na mesma ocasião, o secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, disse que a estimativa de ganho real com esse conjunto de medidas, em quatro anos, seria de R$ 6,7 bilhões.

Um mês depois, a base do governo Sartori aprovou na Assembleia dois projetos de lei autorizando a extinção de oito fundações. O PL 246 autorizou a extinção da Fundação de Economia e Estatística (FEE), da Fundação Zoobotânica (FZB), da Fundação Piratini (TVE e FM Cultura), da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) e da Metroplan.  Já o PL 240 autorizou a extinção da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (FIGTF) e a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). Na justificativa dos projetos, o governo apresentou a necessidade de “controle de despesas de custeio” como argumento central para as extinções.

No caso da Fundação Piratini, objeto da reunião de mediação desta terça-feira, a necessidade de corte de custos foi apresentada como argumento principal, conforme justificativa publicada no portal Novo Estado, lançado pelo governo para defender o pacote de cortes. “A estrutura da Fundação ficou excessivamente inchada e onerosa para os padrões das finanças públicas do Estado. Hoje tem um custo de R$ 28 milhões ao ano”, diz o Executivo.

Nas reuniões realizadas até aqui, o governo parece desconhecer quantos servidores poderá demitir. As estimativas iniciais apresentadas pelo Executivo no final de 2016 não levaram em conta a quantidade de servidores estáveis nestas fundações que não podem ser demitidos. O caso da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) é paradigmático. A instituição possui apenas seis servidores sem estabilidade que poderiam ser demitidos, o que geraria uma economia de pouco mais de R$ 50 mil, um número imensamente inferior ao projetado pelo Executivo. Diante dessa realidade, os negociadores do governo estão abandonando esses argumentos nas reuniões com os advogados dos servidores, embora os mesmos tenham desempenhado um papel central na aprovação dos projetos.

MP de Contas critica falta de dados

No dia 17 de maio, o Ministério Público de Contas (MPC) protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) solicitando a suspensão da Lei que prevê a extinção da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, a Fundação Zoobotânica, a Fundação de Economia e Estatística, a Metroplan, a Cientec e a Fundação Piratini. O MPC também pediu a abertura de uma inspeção especial para acompanhar as ações do Palácio Piratini.

A representação apontou a falta de dados por parte do Executivo, que não indicou como será realizado o aproveitamento dos recursos humanos e materiais, o tratamento dos compromissos assumidos pelas entidades extintas, bem como a eventual necessidade de contratação de serviços privados para atender serviços extintos. O Estado também não apresentou dados como as despesas com indenização por demissão de servidores e empregados e demais gastos decorrentes da extinção das fundações. Na avaliação do Ministério Público de Contas, essas ausências não estão de acordo com uma ação transparente e podem ferir princípios como a legitimidade e a eficiência.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

Fim da Reforma Agrária e grilagem de terras legalizada na Amazônia

Senado aprovou com facilidade a MP que trata da regularização fundiária no campo e cidade. (Foto Marcos Oliveira/Agência Senado)

Comissão Pastoral da Terra

Mais uma vez a Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da CPT vêm a público para denunciar a dilapidação dos direitos dos povos indígenas e comunidades camponesas. Na noite do dia 31 de maio, o plenário do Senado aprovou, por 47 votos a 12, a Medida Provisória – MP 759, que se tornou o Projeto de Lei de Conversão, PLV 12/2017, ao serem introduzidas pelo relator mudanças na redação original. Trata-se da regularização fundiária e de alterações estruturais em legislações sobre terra rural e solo urbano, visando favorecer os interesses da bancada ruralista e do capital imobiliário e retirar empecilhos para que áreas sejam subtraídas ao mercado.

No apagar das luzes de 2016, no dia 23 de dezembro, quase na surdina, o governo de Michel Temer havia baixado a MP 759, um grande presente de Natal para os ruralistas, base de sua sustentação no Congresso Nacional. A MP possibilitava o pagamento em dinheiro de terras desapropriadas para Reforma Agrária, quando a legislação vigente determinava o pagamento em títulos da dívida agrária, a serem pagos em até 20 anos e permitia regularizar áreas até 2,5 mil hectares, quando o limite era de 1,5 mil hectares.

O foco da mudança é favorecer o mercado de terras, inclusive com as áreas de Reforma Agrária, ao impor a liquidação dos créditos concedidos às famílias assentadas. É o que está por trás do objetivo de facilitar a titulação da propriedade. Mais uma página da Constituição Federal de 1988 está sendo rasgada, aquela que estabelece a “função social da terra” (CF art. 5º, XXIII e art. 170, III) e se busca impedir a participação dos movimentos sociais no processo de democratização da terra, o que – todos sabem – é decisivo para que alguma reforma agrária aconteça. Com o mesmo fim, o PLV 12/2017 consolida a legalização da grilagem de terras na Amazônia que já vinha sendo feita pelo Programa Terra Legal. Como tal põe em risco o patrimônio ambiental e hídrico do país e do planeta.

A Medida havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, em votação-relâmpago, que durou menos de 10 minutos, no dia 24 de maio, dia das manifestações em Brasília, quando os deputados da oposição se retiraram do plenário em protesto contra o decreto do governo autorizando o emprego das Forças Armadas “para garantia da Lei e da Ordem” na repressão aos manifestantes. Aproveitando-se da ausência da oposição esta e outras MPs foram aprovadas naquele dia. Uma semana depois o Senado consagra o esbulho. Agora só falta a assinatura do Presidente da República ilegítimo para se tornar lei.

Em meio à crise político-social em que o país está imerso, não se poderia esperar outro comportamento de um Congresso Nacional dominado pelas forças mais retrógradas e violentas, que afastou com base em acusações infundadas uma presidenta eleita pelo voto popular, e que se aproveita do caos instalado para garantir e fortalecer interesses e privilégios de uma oligarquia rural que sempre dominou a nação, agora aliada à elite empresarial-financeira globalizada.

Os pequenos avanços, duramente conquistados, com suor e sangue, pelos povos indígenas e comunidades camponesas, são desmontados e tornados pó.

A CPT e as comunidades do campo sonham e já anteveem que este Congresso golpista e este Governo usurpador em breve serão jogados na lata do lixo da história. E a democracia será reestabelecida através de Eleições Diretas já e uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva e soberana. Como diz o profeta Isaías, “Ai dos que subornados, absolvem o criminoso, negando ao justo um direito que é seu. Por isso como a labareda queima o graveto e a palha desaparece na chama, assim a raiz deles apodrecerá” (Is 5, 33-34).

Goiânia, 06 de junho de 2017, Semana do Meio Ambiente. 

Direção e Coordenação Executiva Nacional da CPT 

Bullshit fields forever: as pérolas do primeiro semestre de 2017

“É o Brasil temerário, inigualável no incentivo à promoção da bobagem nacional. É o governo do sorvete na testa”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Ayrton Centeno

O negócio empolga de tal maneira que não dá mais para fazer aquele apanhado de “frases do ano”. Tem que ser por semana ou mês ou, nosso caso, que não somos de ferro, por semestre, o primeiro do ano da desgraça de 2017. A todo momento, brota uma pepita, reluz uma pérola, cintila um diamante de 18 quilates. É o Brasil temerário, inigualável no incentivo à promoção da bobagem nacional. É o governo do sorvete na testa. Se besteira tivesse mercado, poderíamos abandonar os campos de soja, parar de queimar floresta para criar gado, deixar de poluir as cidades com a fumaça de velhas fábricas. Iríamos todos sentar na soleira, na varanda, na sacada e, no embalo suave da cadeira de balanço, tomando mate, pinga, café, pitando ou chupando cana, admirar a florada de nossos imensos campos de bobagem. Bullshit fields forever, entoariam Lennon&McCartney.

E, assim ficaríamos, antevendo o momento da colheita em que encheríamos os bolsos com os dólares da nossa mais fértil commodity, fazendo os números da pauta de exportações vibrarem e darem pulinhos de alegria. Contudo, enquanto não descobrimos uma maneira de viabilizar tamanha jogada e faturar uma grana preta, vamos em frente para exibir garbosamente a pujança da produção nacional:

   “Acredito que isso decorre muito mais do coração generoso de Moro, que a absolveu por ser esposa de um criminoso, ligado a corrupção”.

(Procurador do MPF, Carlos Fernando dos Santos Lima, comentando a absolvição, pelo bondoso juiz Sergio Moro, de Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, operadora de conta em paraíso fiscal e acusada de lavagem de dinheiro)

“Os nordestinos sabem muito bem se unir para roubar”.

(Vereadora Eleonora Broilo, do PMDB, de Farroupilha/RS, em sessão da câmara local)

“Seria lindo ver aquela gente nojenta e escurinha da Bahia explodindo”

(Internauta Nelma Baldassi, de Curitiba, lastimando no Facebook que o atentado de Manchester, que matou 22 pessoas, não tenha vitimado baianos)

“Ele é pessoa de muito boa índole”

(Michel Temer sobre seu ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures, flagrado com mala contendo 500 mil reais de propina)

“Quando [Joesley Batista] tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da [Operação] Carne Fraca”

(MT, novamente, agora na Folha de S. Paulo, dizendo que o empresário-delator da JBS queria falar com ele sobre a operação da PF contra os frigoríficos. Mas a operação, sigilosa, só aconteceria dez dias depois…)

“Mas esse tipo de agressão — à lei, à privacidade, à liberdade de imprensa — não é digno de um Estado democrático de direito. É coisa própria de Estados policiais”

(Editorial de Veja atacando os métodos da Lava-Jato depois de ter publicado as conversas do grampo ilegal e vibrado com a violação da privacidade de Lula, Marisa e Dilma)

“Não tem jeito. Qualquer outro caminho é enganoso ou doloroso”.

(Colunista Dora Kramer, da revista Veja, erguendo o cartaz das Indiretas Já)

“A eleição direta não existe, ponto”.

(Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB em entrevista para a BBC Brasil)

“O que posso te garantir com toda a sinceridade é que não apaguei foto alguma recentemente em função dos acontecimentos da semana passada”

(Apresentador Luciano Huck negando estar apagando suas fotos com o amigo Aécio nas redes sociais depois da delação da JBS)

“O ministro é um bosta de um caralho”

(Aécio Neves em conversa gravada com Joesley Batista, escrachando o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio)

“Eu não faço nada de errado, eu só trafico droga”

(Senador Zezé Perrela, PMDB/MG, usando, presume-se, de ironia, em conversa com seu amigo Aécio grampeada pela Polícia Federal)

“A Esplanada dos Ministérios foi atacada pelos que desprezam a democracia”

(Temer, na Folha, em 28/05/17. Não, ele não se refere ao assalto ao poder de 2016…)

“Estão preocupados que o Michel pode ficar… com a bunda na janela”

(Deputado Beto Mansur (PRB/SP), em grampo da PF, citando o medo de assessores de Temer que seu chefe ficasse muito exposto com aprovação de portaria dando vantagens aos empresários dos portos já muito favorecidos pelo Planalto. A norma acabou aprovada e aplaudida pela mídia)

“O Brasil está se tornando uma grande Organização Tabajara”

(Ministro Gilmar Mendes, do TSE e do STF, ridicularizando o Palácio do Planalto)

“As Organizações Tabajara protestam contra comparações chulas e fantasiosas. Nossos advogados serão acionados”

(Humorista Hélio de la Peña, ex-Casseta & Planeta, no twitter, pegando carona no deboche de Mendes)

“Me desculpem as Organizações Tabajara. Não queria ofender”

(Gilmar Mendes em resposta no twitter e fazendo troça novamente)

“O Brasil está uma zona e de putaria eu entendo”

(Empresário Oscar Maroni, dono de bordel, explicando por que quer ser candidato a presidente da república)