Das fake news à terra plana: pesquisador estuda ‘epidemia’ de ideias falsas que ameaçam o conhecimento e a democracia

Ernesto Perini Santos: “A dinâmica de produção do conhecimento tem que funcionar livre de constrangimentos”. (Foto: Luiza Castro/Sul21)

 A universidade está sob ataque. E não é só no Brasil. Centros de produção de conhecimento e comunidades de valores éticos e políticos que defendem a democracia, a liberdade de pensamento e o respeito às diferenças, elas se tornaram alvo da onda conservadora e de extrema-direita que atinge diversos países no mundo. A munição desse ataque conjuga o uso de fake news, informações falsas e crenças desprovidas de qualquer evidência, mas que funcionam como critérios identitários, com um mesmo objetivo: desmoralizar as universidades como centro produtores de conhecimento e de diversidade.

Para o pesquisador Ernesto Perini Santos, professor do Departamento de Filosofia, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o resultado conjugado desses ataques é desastroso para a produção do conhecimento. “Se a universidade perde a liberdade e passa a não funcionar mais com a sua própria dinâmica, nós perdemos a produção do conhecimento. A dinâmica de produção do conhecimento tem que funcionar livre de constrangimentos”, afirma.

Preocupado com o avanço obscurantista sobre a democracia, as universidades e contra a própria ideia de conhecimento, Ernesto Perini vem pesquisando alguns processos relacionados com o mundo das fake news, da pós-verdade e de crenças desprovidas de base evidencial como o terraplanismo, utilizando-se de conceitos da Filosofia da Linguagem, Espistemologia e Filosofia da Mente, suas áreas preferenciais de pesquisa. Em entrevista ao Sul21, ele avalia, entre outros temas, por que as pessoas passaram a tomar como verdadeiras coisas sobre as quais elas não têm evidência nenhuma e são completamente implausíveis. Para Ernesto Perini, essa proliferação pode ser comparada a uma epidemia: “O nosso problema em relação a coisas como o terraplanismo, o criacionismo ou o negacionismo em relação ao aquecimento global é quase um problema de epidemiologia de ideias”. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

Sobre maweissheimer

Bacharel e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalho com Comunicação Digital desde 2001, quando foi criada a Agência Carta Maior, durante a primeira edição do Fórum Social Mundial. Atualmente, repórter no site Sul21 e colunista do jornal Extra Classe.
Esse post foi publicado em Ciência, Filosofia, Política e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s