Clemente Ganz: ‘Custo do desmonte dos sindicatos será muito alto para a sociedade’

Clemente Ganz Lúcio: “A Reforma Trabalhista quer quebrar os sindicatos”. Foto: Guilherme Santos/Sul21

A recente greve dos caminhoneiros e as mudanças que estão acontecendo na estrutura produtiva do país, além de explicitar bem o que é o mercado, mostraram o alto custo que pode ter para a sociedade brasileira o desmonte dos sindicatos. A combinação da submissão da Petrobras à lógica do mercado, por um governo sem legitimidade e capacidade de negociação, com uma representação questionada pela própria categoria protagonista da greve paralisou o país. Na avaliação do sociólogo Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a greve dos caminhoneiros evidenciou as graves consequências de um dos principais objetivos dos defensores da Reforma Trabalhista, que é o enfraquecimento dos sindicatos.

“A Reforma Trabalhista quer quebrar os sindicatos. Veja o que aconteceu na greve dos caminhoneiros. O que é conduzir uma greve como esta, com locaute junto, quando se tem dúvida sobre a legitimidade da representação dessa categoria? Um governo incompetente na negociação com uma liderança do jeito que está posta resulta no caos que tivemos. O custo do desmonte dos sindicatos será muito alto para a sociedade”, diz Clemente Ganz, que alerta para o fato de que o problema não foi resolvido. “O governo fez um acordo por dois meses. E daqui a dois meses, o que ele fará? Os caminhoneiros vão ficar quietos?”.

Em entrevista ao Sul21, o diretor técnico do Dieese fala sobre os efeitos que já podem ser sentidos a partir da aprovação da Reforma Trabalhista e sobre as mudanças profundas que estão ocorrendo na estrutura produtiva brasileira e mundial. “Nós temos uma mudança de organização do patrimônio das empresas. Cada vez mais, as médias e grandes corporações estão mudando de propriedade. Isso significa que o dono tradicional familiar transfere a propriedade para fundos de investimento que têm outra lógica de organização”.

No caso do Brasil, assinala, o Estado, ao permitir que as nossas empresas sejam transferidas para o capital internacional do jeito que estão sendo transferidas, faz com que a economia nacional perca capacidade. “O capitalista nacional, que estrutura a base do sistema produtivo do país, não é mais nacional. Os novos proprietários dessas empresas querem segurança e liberdade para agir do jeito que bem entenderem(…). Os interesses que estão por trás destes negócios e que apoiaram o impeachment da presidenta Dilma são os mesmos interesses fazem guerra no Oriente Médio, matam, destroem países, acabam com a democracia, fazem o que for necessário. Não há negócios no mundo como os que estão sendo feitos no Brasil. É muito sério e grave o que está acontecendo”, afirma o sociólogo. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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