Centrais sindicais celebram unidade inédita e querem ampliar luta por Lula livre e revogação da Reforma Trabalhista

Ato do dia primeiro de maio, em Curitiba, reuniu milhares de pessoas na Praça Santos Andrade. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Uma das perguntas repetidas com frequência nos últimos dias em Curitiba foi: como será daqui pra frente, após o 2 de maio? A referência simbólica da data está relacionada ao desafio de manter e ampliar a intensidade das mobilizações em favor da libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o dia 7 de abril no prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. No dia 1o de maio, os movimentos sociais, partidos, centrais sindicais e demais organizações que participam destaca campanha deram uma demonstração de força levando milhares de pessoas para os atos realizados durante todo o dia na capital paranaense. Após a caminhada e o ato na Vigília Lula Livre, pela manhã, uma nova manifestação lotou a praça Santos Andrade, no centro da cidade.

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A decisão de realizar um ato unificado em Curitiba foi tomada pelos dirigentes das seis centrais sindicais – CUT, Força Sindical, CTB, UGT, NCST e Intersindical – quatro dias depois da prisão de Lula, com o objetivo de aumentar a pressão sobre o Judiciário em favor da libertação do ex-presidente. Somaram-se a essa decisão, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e União Nacional dos Estudantes (UNE). A expressão da força desta unidade apareceu nas ruas de Curitiba nos últimos dias.

Manter e fortalecer a unidade construída até aqui, enfatizam os dirigentes dessas organizações, é uma condição indispensável para o êxito dessa mobilização. Na abertura do ato realizado na praça Santos Andrade, Wagner Gomes, secretário geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destacou que a campanha pela libertação de Lula conseguiu unificar as centrais sindicais e está tornando mais claro, para a população, o sentido do que vem acontecendo no Brasil nos últimos anos. “Esse golpe não tem nada a ver com pedalada. Este golpe tem tudo a ver com o projeto de governo iniciado por Luiz Inácio Lula da Silva. A elite nunca admitiu que o governo do Brasil estivesse nas mãos de uma frente partidária que defendesse a camada mais humilde da população, a soberania nacional e os trabalhadores”.

Na mesma linha, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, chamou a atenção para o fato de, pela primeira vez, ocorrer um ato de 1o. de maio unitário, desde o surgimento de todas as centrais sindicais. “É importante destacar isso porque somente Lula foi capaz de nos unificar. Estão todos aqui unidos em defesa de Lula, em defesa da classe trabalhadora. A única chance de retomar a democracia no país e resgatar os direitos trabalhistas é garantir a liberdade de Lula para que ele se torne novamente o presidente do Brasil”. A mesma mensagem de unidade foi proclamada por representes da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) e da UWA, dos Estados Unidos: “Lula hoje não é brasileiro, é de toda America, de todo o mundo, porque nós todos somos Lula hoje”.

O ato em Curitiba contou com a presença também de Guilherme Boulos, líder do MTST e pré-candidato à presidência da República pelo PSOL, e de Manuela D’Ávila, pré-candidata à presidência da República pelo PCdoB. Em sua fala, Boulos destacou o duplo sentido político do ato: “Estamos aqui em defesa dos direitos dos trabalhadores e em defesa da democracia. Não há democracia plena quando não temos democracia econômica e social. E não há democracia quando prendem Lula sem provas para tirá-los das eleições”. Manuela D’Ávila, por sua vez, disse que Curitiba é hoje “o novo símbolo da nossa unidade e da nossa resistência porque aqui está preso o maior líder popular do Brasil”. A pré-candidata do PCdoB também defendeu a realização de um referendo revogatório da Reforma Trabalhista para que a população possa se manifestar sobre as alterações da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), votadas pelo Congresso Nacional em 2017.

Sem poder estar presente fisicamente ao ato, o ex-presidente Lula enviou uma carta que foi lida pela presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Na carta, Lula diz que “a esperança que retomamos neste 1o de maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e solidariedade” (ver, ao final desta matéria, a íntegra da carta de Lula).

O ato de 1o. de maio no centro de Curitiba também teve uma dimensão de festa. No palco, os destaques ficaram por conta do raper Flávio Renegado, da cantora Ana Cañas e da sambista Beth Carvalho. Mas as manifestações musicais não se restringiram ao palco. No meio da praça, grupos de manifestantes promoveram as suas próprias atrações como a de uma banda de percussão que arrastou um verdadeiro bloco de carnaval com a adaptação de um clássico nos estádios de futebol no Brasil. Um trecho da letra embalada pela percussão dizia: “Lula, não importa o que digam, sempre estarei contigo/A bandeira vermelha, a estrela na mão/Curitiba te espera, pra vencer essa guerra”.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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