“Projetos de mineração provocarão colapso social e ambiental na metade sul do RS”

Márcio Zonta: “Hoje, infelizmente, o Ibama virou um escritório das mineradoras”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Os projetos de mineração de chumbo, zinco, cobre, titânio e outros minerais em uma área que vai da bacia do rio Camaquã até São José do Norte, caso sejam implantados, provocarão um colapso social e ambiental na região, afetando comunidades tradicionais de pescadores artesanais e agricultores familiares. O alerta é de Márcio Zonta, integrante da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração que esteve no Estado na semana passada para participar da manifestação organizada por moradores de São José do Norte contra o projeto de mineração de titânio numa área entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico.

Em entrevista ao Sul21, ele fala sobre alguns dos riscos que correm as comunidades desta região: “Considerando as características do lençol freático da região de São José do Norte e da bacia do Camaquã, a possibilidade de contaminação é gigantesca. Além de problemas de saúde como câncer, abortos espontâneos e má formação de fetos temos os econômicos. Quem é que vai comer pescado ou alimentos contaminados? E a pesca vai continuar existindo depois que a mineração começar? Como é que fica a agricultura em caso de contaminação ou de falta da água?”- questiona.

Márcio Zonta também analisa o cenário da mineração no país, criticando recentes medidas aprovadas pelo governo de Michel Temer. “O código de mineração do Temer é pior que o dos militares de 1967, que ainda tinha alguma forma de protecionismo. O que temos agora é um código extremamente entreguista, o que se revela já na questão da taxação, que é a mais baixa do mundo”. Junte-se a isso, acrescenta, a flexibilização trabalhista, a destruição da natureza, a tentativa de se minerar em terra indígena e em terra quilombola, em um processo onde se burla qualquer possibilidade de proteção social, ambiental, cultural e econômica. Hoje, infelizmente, o Ibama virou um escritório das mineradoras”. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

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Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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