MST reapresenta ao governo Sartori problemas já debatidos em abril e que seguem sem solução

MST realizou ato em frente ao Palácio Piratini para denunciar desmonte das políticas de reforma agrária. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveu, na tarde desta quarta-feira (18), um protesto em frente ao Palácio Piratini para denunciar o desmonte de políticas públicas para a Reforma Agrária no Estado e no País. A manifestação fez parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária que iniciou na terça-feira com a ocupação do pátio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Porto Alegre. O MST exige a recomposição orçamentária para execução de políticas de infraestrutura nos assentamentos, créditos para a reforma agrária como o Fomento Mulher e para o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

No início da tarde, os sem terra saíram em caminhada do Incra em direção ao Palácio Piratini, onde se encontraram com militantes de movimentos populares e de centrais sindicais em um ato para denunciar os retrocessos em curso nos governos de José Ivo Sartori e Michel Temer, com os cortes dos orçamentos de 2018 para a agricultura familiar e a reforma agrária.

Os sem terra encontraram o Palácio Piratini cercado por grades e por dezenas de integrantes do Batalhão de Choque da Brigada Militar postados em frente ao portão de entrada do palácio. Por volta das 15 horas, uma comitiva de trabalhadores sem terra, acompanhada pelo presidente da Assembleia, deputado Edegar Pretto (PT), foi recebida para audiência com o secretário da Casa Civil, Fábio Branco. Segundo Ildo Pereira, integrante da direção nacional do MST, a pauta de reivindicações apresentada pelo movimento foi semelhante a da audiência realizada em abril deste ano, quando o secretário da Casa Civil era Marcio Biolchi.

“Nós reapresentamos a pauta de abril com a inclusão de dois pontos que estão batendo na porta das nossas famílias assentadas e acampadas. O primeiro é o da crise do leite em função do decreto que favoreceu a importação de leite em pó de países vizinhos, prejudicando a cadeia local. Precisamos de um capital de giro rápido para os nossos produtores de leite. O segundo tema é o das escolas nos assentamentos, que foram abandonadas pelo governo. Além desses pontos, debatemos aqueles que já tínhamos discutido em abril como a situação das estradas, o transporte escolar, o abastecimento de água e a situação das famílias acampadas”, relatou Ildo Pereira.

O governo já tinha conhecimento dessas pautas, acrescentou o dirigente do MST. “Viemos apresentá-las para o novo secretário, que se comprometeu a cuidar desses temas. Esperamos que elas sejam encaminhadas rapidamente. Há uma indignação das famílias acampadas e assentadas com a suspensão das políticas de reforma agrária”.

Na reunião de abril, os sem terra cobraram, entre outras questões, a liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já liberados para o Rio Grande do Sul, como os R$ 40 milhões destinados à ampliação da rede de abastecimento de água nos assentamentos e outros R$ 25 milhões destinados ao Programa Camponês para a produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxico. Na ocasião, o então secretário Márcio Biolchi se comprometeu a encaminhar uma solução para destravar os temas, apontados pelo MST, que estavam trancados dentro do governo, o que acabou não acontecendo.

Na manhã desta quarta, integrantes do MST também se reuniram com o superintendente regional do Incra no Rio Grande do Sul para tratar da liberação de cestas básicas para os acampamentos, que já estão há 11 meses sem receber alimentos, e da desapropriação de áreas para a reforma agrária no Estado. Após a audiência na Casa Civil e o ato em frente ao Palácio Piratini, os sem terra retornaram em caminhada para a ocupação no Incra para discutir os próximos passos do movimento.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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