“Como é que Sartori vai cortar o que não paga?”, questiona presidente do CPERS

Choque da Brigada Militar em frente Palácio Piratini. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

O secretário estadual da Educação, Ronald Krummenauer, recusou na tarde desta terça-feira (3) a proposta do Comando de Greve do CPERS para realizar uma nova reunião de negociação. A presidente do sindicato, Helenir Aguiar Schürer, acompanhada por uma comissão que reuniu professores, pais e alunos, encaminhou a solicitação a um funcionário do Palácio Piratini através das grades que cercaram a entrada do prédio durante todo o dia. Além dessas grades, dezenas de integrantes do batalhão de choque da Brigada Militar foram colocados em frente à porta de entrada do palácio. No início da tarde, a guarnição era discreta com menos de dez soldados diante da porta. No entanto, com o passar das horas, dois novos grupos do choque da BM se posicionaram na calçada do Piratini a poucos metros dos professores.

A recusa do governo veio acompanhada por uma situação inusitada. Em um primeiro momento, por volta das 14 horas, um funcionário do Palácio Piratini disse que não tinha conseguido entrar em contato com o secretário que ainda não teria retornado do horário de almoço. Depois disso, o único retorno que saiu de dentro da porta de entrada do prédio foi o reforço do batalhão de choque da Brigada. Os professores decidiram, então, bloquear a rua Duque de Caxias, em frente ao palácio e ao prédio da Assembleia Legislativa.  Enquanto o comando de greve do CPERS aguardava alguma resposta à solicitação feita, Ronald Krummenauer concedeu uma entrevista ao vivo à rádio Gaúcha. O áudio da entrevista foi colocado no ar pelo caminhão de som utilizado pelo CPERS na manifestação. A conversa que não aconteceu ao vivo, acabou ocorrendo de forma indireta e não presencial em frente à Praça da Matriz.

As declarações e críticas do secretário contra a greve foram rebatidas na hora pela presidente do CPERS. Ao ouvir Krummenauer dizer que a mobilização dos professores era uma “greve política”, Helenir Schürer rebateu: “Na verdade, é uma greve para acabar com essa política de parcelamento e de atraso no pagamento dos salários dos servidores”. Sobre a possibilidade de o governo demitir cerca de 20 mil professores, como uma represália à greve, o secretário da Educação disse que ainda não há nada concreto neste sentido e que o departamento jurídico da secretaria está avaliando a possibilidade de demissões. Krummenauer disse também que não havia porque se encontrar com os professores hoje, pois não havia nenhuma proposta nova por parte do governo. Ele condicionou a retomada das negociações ao retorno dos professores às aulas.

Pela fala do secretário, comentou a presidente do CPERS, ficou claro que não haverá nenhuma audiência hoje. “Para a greve acabar, o governo vai ter que negociar”, acrescentou Helenir Schürer que prometeu uma mobilização dez vezes maior na próxima terça-feira quando professores de todo o Estado deverão se concentrar mais uma vez em frente ao Palácio Piratini. “O governo terá uma semana para apresentar uma proposta. Nós não recuaremos com ameaças”.

Comando de Greve do CPERS tentou, sem sucesso, uma audiência com o governo Sartori. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

Antes da tentativa de retomar as negociações com o governo do Estado, a presidente do sindicato concedeu uma entrevista coletiva, também transmitida ao vivo pelo carro de sim, sobre o atual estágio da greve e sobre as ameaças de corte de ponto e demissões feitas pelo Executivo. Seguem os principais momentos da conversa de Helenir Schürer com a imprensa:

Ameaça de demissões: “isso não é sério.”

“Estamos desde a manhã aqui na praça demonstrando a força da nossa greve. Estão aqui não apenas trabalhadores da educação, mas também alunos e pais aprofundando essa aliança que construímos com a comunidade escolar. A categoria está firme na greve. O governo faz ameaças e fala que vai demitir 20 mil trabalhadores. É triste termos na secretaria da Educação o secretário executivo da Agenda 2020, que não é professor, não conhece as escolas e fica falando bobagem. Se o governo demitir 20 mil trabalhadores, terá também que declarar o fim do ano letivo. Isso não é sério. É uma ameaça que não ajuda na negociação e esperamos um pouco mais de maturidade do governo”.

Ameaça de corte de ponto: “Como é que ele vai cortar o que não paga?”

“Se eu fosse o governador teria até vergonha de cortar o salário que não paga. Virou uma piada. Como é que ele vai cortar o que não paga? A Justiça tomou uma decisão séria sobre isso e esperamos que essa decisão seja mantida. Ao invés de perder tempo tentando cassar essa liminar, o governo deveria usar esse tempo para elaborar uma proposta e apresentá-la à categoria que está em greve. O que nós queremos é muito simples: o cumprimento do artigo 35 da Constituição, que determina o pagamento integral dos salários até o último dia do mês trabalhado, décimo-terceiro até 20 de dezembro. Queremos começar a discutir também os 21% de perdas que tivemos nestes últimos três anos, só da inflação”.

Risco de não finalizar o ano letivo

“O risco de não finalizar o ano letivo é por conta do governo do Estado. Estamos aqui buscando uma negociação. A única pessoa que pode acabar com a greve é o senhor José Ivo Sartori. Só quem pode assegurar o ano letivo é o senhor José Ivo Sartori. Está nas mãos dele”.

Negociações com o governo

“Estamos buscando a negociação. Daqui a pouco, reuniremos uma comissão com a presença de representantes dos professores, pais e alunos, e vamos lá para aquele cantinho da entrada do palácio que nos colocam para tentar marcar uma audiência. Queremos que o governo venha para essa audiência com espírito de construção de proposta para que possamos partir para uma negociação real que permita encerrarmos a greve. Estamos aqui em busca de direitos e não tem aula melhor do que ensinar cidadania. Cidadania é não abrir mão de direitos e é isso que estamos ensinando para nossos alunos e para todo o Estado do Rio Grande do Sul”.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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