Protesto contra políticas de Marchezan reúne milhares de servidores em frente à Prefeitura

Segundo estimativa do Sindicato dos Municipários, cinco mil servidores participaram da manifestação. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Milhares de servidores públicos municipais, com apoio de professores da rede estadual de ensino, lotaram o Paço Municipal no final da tarde desta terça-feira (1º), em um protesto contra as políticas do governo de Nelson Marchezan Júnior (PSDB).  Segundo estimativa do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), cerca de 5 mil pessoas participaram do ato que iniciou às 16h e se estendeu até o início da noite. Além das lideranças de entidades dos servidores e de outras categorias de trabalhadores dos setores público e privado, a manifestação também contou com a presença de representantes de movimentos sociais, estudantes e parlamentares do PT e do PSOL.

Alberto Terres, diretor do Simpa, considerou uma manifestação um marco na mobilização dos municipários durante a gestão de Marchezan. “A categoria demonstrou indignação com os projetos apresentados na semana passada, que atacam os servidores da saúde e de outros setores, além da cidade de Porto Alegre como um todo. Cinco mil servidores vieram aqui hoje, com menos de 48 horas de convocação e mobilização. Isso significa que os trabalhadores estão com disposição de luta e essa disposição vai se traduzir em um grande movimento contra as políticas de Marchezan, exigindo que ele retire da Câmara os projetos que atacam os servidores e os serviços públicos nas áreas da saúde, educação e assistência social”, avaliou.

O ato desta terça também foi marcado pelo anúncio de unidade entre as lutas dos servidores municipais e estaduais contra as políticas dos governos Marchezan e Sartori. Pela manhã, a assembleia geral do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS Sindicato) decidiu que a categoria iria participar do ato dos municipários em frente à Prefeitura. Falando da escadaria da entrada da prefeitura, a presidenta do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, associou as políticas de Marchezan, Sartori e Temer e disse que elas pretendem destruir os serviços públicos no município, no Estado e no país. “Esse tipo de gente que está aqui no Paço, no Piratini e lá em Brasília só aprende com a pressão popular como estamos fazendo hoje. Marchezan, nos aguarde”.

A proposta de privatização dos serviços de água e esgoto em Porto Alegre foi citada por vários oradores como exemplo da política de desmonte dos serviços públicos que estaria em curso na cidade. Alexandre Dias, integrante do Conselho de Representantes Sindicais do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), lembrou que, durante a campanha eleitoral, Marchezan disse que iria privatizar os órgãos deficitários. “O Dmae é superavitário e, muitas vezes, garante a situação financeira da Prefeitura. Qual é a justificativa para ele querer privatizar o Dmae senão entregar esse patrimônio na mão de grandes empresários e de interesses outros que não os da população de Porto Alegre?”, questionou Dias.

O representante sindical relatou ainda que percorreu vários setores do Dmae nesta terça-feira e o sentimento geral entre os servidores era de indignação. “A indignação é imensa e vejo aqui neste ato uma expressiva representação de colegas do Dmae que estão dispostos a irem para a luta. Em cidades onde o serviço de água foi privatizado, uma das principais consequências foi um aumento monstruoso das tarifas. Defender o Dmae público não é apenas defender o direitos dos servidores, mas, acima de tudo, garantir a soberania e a dignidade do nosso povo e da nossa cidade”, afirmou Alexandre Dias.

A vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), líder da bancada de oposição na Câmara Municipal, defendeu a necessidade de unificar as resistências das diferentes categorias de servidores e de setores da população que são atingidas pelas políticas da atual administração municipal. “O povo de Porto Alegre é maior do que qualquer prefeito, especialmente de um que não conhece a cidade, que faz piada com a situação de moradores de rua, que usa uma tropa de choque fascista como o MBL porque não tem apoio da sociedade. Quando os municipários se juntam com o povo, nós podemos ganhar. Precisamos formar uma assembleia popular e democrática com todos os movimentos sociais, sindicatos e associações de bairro. Vamos mostrar para ele que vagabundo é quem ataca o direito da população. Vagabundo é quem fica fazendo dancinha enquanto tem gente morrendo nas filas dos hospitais”, disse a vereadora.

A deputada estadual Stela Farias (PT) afirmou que o projeto que está sendo aplicado em Porto Alegre é rigorosamente o mesmo que vem sendo implementado em nível estadual e nacional pelos governos Sartori e Temer. “É um projeto que visa a transferência dos recursos públicos e da renda pública para a iniciativa privada. Sartori acaba de fechar duas mil turmas de alunos em escolas públicas municipais. Cada serviço público que é diminuído representa a transferência de recursos públicos para a iniciativa privada. Essa é a agenda de Marchezan, Temer e Sartori”.

Acompanhada por integrantes da Guarda Municipal postados em frente à porta de entrada da prefeitura, a manifestação ocorreu sem incidentes. Municipários de várias categorias anunciaram a realização de reuniões setoriais nos próximos dias para debater os rumos da mobilização. Duas propostas se repetiram nas intervenções: a necessidade de unificar as lutas das categorias de servidores com os setores da sociedade que estão sendo atingidas pelas políticas da atual gestão, e, caso o prefeito Marchezan, não recue nestas medidas, a organização de uma greve geral. O ato desta terça teve a intenção de ser um recado claro nesta direção.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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