Centro Cultural da CEEE suspendeu evento sobre Che Guevara por razões políticas, diz associação

O lançamento do livro e o espetáculo musical, previstos, anteriormente, para o Centro Cultural Érico Veríssimo, ocorrerão dia 6 de junho, às 19 horas, no Solar dos Câmara. (Divulgação)

A Associação Cultural José Martí/RS foi obrigada a mudar o local do lançamento do livro “Canto épico a la ternura”, do jornalista e professor cubano Santiago Feliú, que estava marcado para ocorrer no Centro Cultural Érico Veríssimo. A transferência do local, segundo a associação, ocorreu pelo rompimento do contrato assinado pelo centro cultural. Segundo o vice-presidente da Associação José Martí, Ricardo Haesbaert, a CEEE suspendeu o contrato “por ordem do Secretário Estadual de Minas e Energia”, o que caracteriza “uma retaliação e oposição ideológica dignas de um estado de exceção”.

O rompimento do contrato, disse ainda a entidade, ocorreu no dia 26 de maio, “após as entidades realizadoras assumirem gastos, como de publicidade e divulgação, causando problemas e indignação pelo fato de o Centro Érico Veríssimo ser até então um espaço democrático de expressão cultural no Estado”. O lançamento do livro e o espetáculo musical, previstos, anteriormente, para o Centro Cultural Érico Veríssimo, ocorrerão dia 6 de junho, às 19 horas, no Solar dos Câmara, localizado na Rua Duque de Caxias, 968, na Assembleia Legislativa do Estado.

Santiago Feliú está em Porto Alegre para o lançamento da segunda edição do seu livro em homenagem à obra e ao pensamento de Che Guevara, assassinado na Bolívia, há 50 anos. Com 285 páginas, a obra tem 158 canções, de autoria de 100 músicos de 17 países íbero-americanos, compostas e interpretadas após a morte do guerrilheiro. A segunda edição do livro está sendo publicada no Brasil pela Associação Cultural José Martí/RS, com o apoio do Coletivo dos Jornalistas Brasileiros Amigos de Cuba/RS, e faz parte das atividades realizadas em todo o mundo para lembrar o ideário de Che, que ocorrerão durante 2017, com a passagem de 50 anos da sua morte.

O lançamento do livro contará com a apresentação dos músicos gaúchos Leonardo Ribeiro, Ernesto Fagundes, Paulinho Fagundes, Liane Schuler, Demétrio Xavier, Marisa Rotemberg, Ciro Ferreira, Mário Falcão e Pablo Lanzoni, que interpretarão canções de compositores brasileiros e outros latino-americanos, registradas na obra de Feliú. Ainda no mês de junho, a obra será lançada em Florianópolis, Baixada Santista e Belo Horizonte, pelas entidades estaduais de solidariedade a Cuba.

Em 1995 Feliú recebeu o Prêmio Ibero-americano de Ética pela investigação jornalística sobre Che Guevara, e pela importância das suas obras audiovisuais foi selecionado, em 2010, para fazer parte da União de Escritores e Artistas de Cuba – UNEAC. Ainda sobre Che, publicou a obra “Latinoamérica le Canta al Che Guevara” (1995), e realizou oito documentários sobre a vida e o pensamento do guerrilheiro.

Além de participar de programas e entrevistas em Porto Alegre, o jornalista Santiago Feliú terá encontros com estudantes da comunicação da Unisinos, com cartunistas, educadores e comunicadores que atuam em movimentos sociais. Ele participará também da Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba, viajará a Gramado para a inauguração da Associação José Martí do Município e participará de um debate no Sindicato dos Jornalistas do RS, com os jornalistas Moisés Mendes e Celso Schröder. Feliú também ministrará uma aula aos alunos da turma de cooperativismo Fidel Castro, no Instituto de Educação Josué de Castro, em Veranópolis, a convite do MST.

Além de jornalista e professor, Santiago Feliú é escritor e repórter da Revista Tricontinental – Órgão oficial da Organização de Solidariedade dos Povos da África, Ásia e América Latina – OSPAAAL. Fez parte da equipe de imprensa de Fidel Castro em suas viagens oficiais, e foi fundador da primeira Escola no Campo de Cuba (ESBEC) “8 de octubre”, en 1969. É graduado no Instituto Pedagógico Enrique José Varona, com ênfase em Historia e Marxismo, com pós – graduação e mestrado em Movimiento Obrero Internacional, e foi diretor de Vocacional LENIN e outras ESBEC, em Havana. Como diplomata representou Cuba nos seguintes países: Panamá (1987); Colombia. (1994); Bolivia. (1999/2003) e na Guatemala (2005 /2010).

O Sul21 entrou em contato com o Centro Cultural Érico Veríssimo e com a assessoria de imprensa da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) para ouvir a posição das instituições sobre o ocorrido, mas até o fechamento dessa matéria não obteve retorno.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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