Um seminário para lembrar os 100 anos da Revolução Russa

Seminário é composto de seis encontros de estudos e debates sobre os 100 anos da Revolução Russa. (Divulgação)

Jacques Távora Alfonsin

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHG/RGS), o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da URGS (IFCH/UFRGS), a Fundação Mauricio Grabois (FMG) e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ), com mais de uma dezena de outras entidades, abriram em Porto Alegre, dia 8 de maio, um seminário composto de seis encontros de estudos e debates sobre os 100 anos da Revolução Russa.

A cada sexta-feira, até o último encontro, dia 12 de junho, temas como os da primeira mesa, “O legado dos cem anos da Revolução Russa”  vão entrar no debate: “A URSS, o movimento comunista internacional e a luta anticolonial”, dia 15 de maio, “Razões e lições do colapso soviético”, dia 22  de maio, e “A crise do capitalismo – Civilização ou Barbárie?”, dia 29 do mesmo maio; no dia 5 de junho,  “Socialismo hoje – Cuba, Vietnã, China”; e no dia 12 do mesmo junho, “A luta pelo Socialismo no século XXI”.

Pela oportunidade e importância dos temas propostos a cada um dos encontros e pelo conhecimento das pessoas convidadas para as mesas de debate, pode-se prever que a iniciativa das entidades promotoras, a julgar pela mesa de abertura do dia 8, já se constitui num grande sucesso.

O teatro de Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul foi reservado para sediar o evento, mas, pelo interesse manifestado pelo grande número de inscritas/os, que o teatro não comporta receber, já foram avisados as/os interessadas/os, já inscritos ou que ainda vão se inscrever, que os próximos encontros vão se dar em auditório bem mais amplo, o da Fetrafi  (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul), na rua Cel. Fernando Machado, 820).

Já se pode antecipar também, pelo que se ouviu na primeira mesa de discussão, a qualidade das propostas de análise histórica da revolução, seus efeitos posteriores sobre a constituição do Estado social, a criação e o desenvolvimento dos direitos sociais, o empoderamento das organizações de trabalhadoras/es, dos direitos das mulheres, da justiça do trabalho, do anti racismo, entre  muitas outras conquistas que, se não nasceram todas lá, receberam daquela inconformidade revolucionária um poderoso impulso.

O espaço para a crítica positiva ou negativa da revolução ficou aberto para as/os presentes e, pelo teor das perguntas endereçadas aos expositores da primeira mesa, com ampla participação do auditório. Na abordagem do legado da revolução, por exemplo, tema da primeira mesa, o professor e historiador da UFRGS, Luiz Dario Teixeira Ribeiro, tratou de demonstrar a desproporção existente entre o que se prega como defeitos da revolução de 1917 quando comparados com os seus méritos, nisso se  ocultando todo o mal e a injustiça social gerada pelo capitalismo, seu alvo principal de antes e de depois dela.

O mesmo é de se esperar, tanto sobre os temas quanto sobre as/os expositoras/es e a participação do público, nas próximas reuniões do Seminário. Entre outras/os expositoras/es de reconhecido saber sobre os temas, podem ser lembradas/os o professor e historiador, também da UFRGS, Enrique Serra Padrós (UFRGS), que falará na segunda mesa, sobre A URSS, o comunismo e a luta anticolonial; a terceira mesa, sobre razões e lições do colapso soviético, vai ouvir contribuição de Valter Pomar da Universidade do ABC; a quarta contará com a palavra do economista Luiz Gonzaga Belluzo, da Unicamp, colunista da Carta Capital, sobre a atual crise do capitalismo, como civilização ou barbárie; a quinta,  sobre Socialismo hoje, Cuba, Vietnã e China, vai ouvir o ex-deputado do PC do B e também historiador Raul Carrion.

A mesa de encerramento do Seminário, prevista para ser realizada no salão de atos da UFRGS, contará com exposição do ex-governador e ex-ministro da Justiça Tarso Genro, que vai falar sobre A luta pelo Socialismo no século XXI.

É evidente que uma iniciativa desse porte fica sempre muito longe de esgotar toda a matéria do conhecimento e da disputa científica, filosófica, sociológica, econômico-política e ideológica relacionada com revolução de 1917. Parece de todo relevante, mesmo assim, valorizar-se o propósito de, com os estudos e debates sugeridos pelas promotoras e co-promotoras do Seminário, serem melhor esclarecidas, por exemplo, as razões pelas quais, vencido um século, a sua história permanece gerando tanta admiração, seguimento, luta e paixão por gente pobre, oprimida e explorada, bem ao contrário de tanto ódio cevado por gente rica, endinheirada, egoísta, indiferente  à vida e ao destino de multidões lançadas à miséria pelos próprios vícios dos quais, com raríssimas exceções, esta é portadora.

Se outro resultado o Seminário sobre a Revolução Russa não colher, a conscientização e a politização dos seus participantes sobre essa verdade, já terá alcançado um êxito extraordinário.

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