Governo Sartori: Medidas de covardia, momentos de autoritarismo

Ex-prefeito de Santa Maria, Cézar Schirmer, foi nomeado pelo amigo José Ivo Sartori para a Secretaria Estadual da Segurança.  (Foto: Maia Rubim/Sul21)

Ex-prefeito de Santa Maria, Cézar Schirmer, foi nomeado pelo amigo José Ivo Sartori para a Secretaria Estadual da Segurança. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

Miguel Idiart Gomes (*)

O artigo intitulado “Medidas de coragem. Momento para estadistas”, publicado num jornal da capital gaúcha pelo Secretário de Estado da Segurança Pública, Cezar Schirmer (PMDB), é uma afronta ao povo gaúcho. Estamos vivenciando nesses últimos dias do ano um Estado de Sítio, um instrumento burocrático e político sobre o qual o chefe de Estado solicitada “proteção”.

A questão é que o aparato de segurança não é pra população e sim para o fechamento da Assembleia gaúcha, no intuito de reprimir qualquer participação política, seja na interlocução com os parlamentares, contrários ao pacote do governo, ou na repressão com bombas, balas de borracha e gás lacrimogênio.

O secretário Schirmer escreve sobre medidas de coragem e de momento de estadistas. Pois bem, a coragem seria a Tropa de Choque contra o povo na Praça da Matriz? Ou a coragem seria a extinção de seis órgãos de inteligência, de ciência e tecnologia, do meio ambiente?

O secretário sugere que o momento é pra estadistas, aqueles que tem liderança e grande habilidade e discernimento pra governar. Enquanto isso o governador Sartori (PMDB) foi pra Brasília, para acompanhar votação do projeto que reestrutura a dívida dos Estados.

Com o discurso de modernizar o Estado, a população sofre com índices alarmantes de insegurança e sem uma política de segurança pública.

Em entrevista a outro jornal, o secretário argumenta que a BM atua para “defender a democracia na Assembleia”, mas não relatou a repressão nas ruas contra homens e mulheres que protestavam, pacificamente, na Praça da Matriz. Foram centenas de fotos e de vídeos que circulam nas redes sociais registrando diversos abusos da polícia contra a população. E uma cena simbólica, pessoas se abrigando na Catedral Metropolitana com medo da Choque, lembrando a época da ditadura militar.

Em outra manifestação no jornal Sul 21, o secretário defende a repressão: “Foi feito com meu consentimento e com meu apoio, por uma razão óbvia, o Parlamento é um dos pilares da democracia. A Brigada está ali para não deixar invadir o Parlamento.” Mais uma vez deixou de comunicar que a “Casa do Povo” está fechada.

A história registrará, para sempre, a memória daqueles que enfrentaram as bombas e gases, e fizeram ressurgir no Rio Grande um movimento de resistência ao projeto neoliberal alinhado com o golpismo de Temer.

(*) Estudante de Ciências Sociais

 

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Uma ideia sobre “Governo Sartori: Medidas de covardia, momentos de autoritarismo

  1. Cristina De Borba Figueiró

    Sou advogada, e estive na frente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul nos 4 dias da votação do pacote do Governo Sartori. Eu presenciei a repressão do batalhão de

    choque. A Casa do povo fechada como numa ditadura. Os deputados encastelados dentro do parlamento gaúcho, e os manifestantes apanhando e tomando bomba na praça da Matriz. Foi um aparato policial montado para defender o projeto do governo. Um absurdo em um Estado Democrático de Direito. E o ápice desta aberração foi um helicóptero que no último dia das votações, sobrevoou a praça com um policial armado com uma arma apontada para o povo para causar terror em quem estava protestando

    Resposta

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