‘Pacote de Sartori é aplicação direta e mecânica das políticas do governo golpista’

Sociólogo Emir Sader participou de aula pública na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Sociólogo Emir Sader participou de aula pública na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O pacote enviado pelo governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), à Assembleia Legislativa é a aplicação direta e mecânica das políticas do governo golpista de Michel Temer, fato que vem se repetindo também em outros estados do país. A afirmação é do sociólogo Emir Sader que participou na tarde desta quinta-feira (1°) de uma aula pública na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini. Sob forte calor, uma sala de aula foi improvisada na frente do palácio com a presença de servidores de fundações ameaçadas de extinção pelo governo Sartori, lideranças sindicais e da deputada Stela Farias (PT).

Emir Sader, que veio a Porto Alegre participar do seminário “Comunicação, Democracia e Resistência”, promovido pela CUT e outras entidades sindicais, fez uma avaliação da atual conjuntura do país e projetou alguns dos principais desafios que estão colocados para todos os setores que resistiram contra o golpe e lutam agora contra a implementação de sua agenda política, como a PEC 55, que congela por até 20 anos investimentos em serviços públicos essenciais como saúde, educação e segurança. Um dos temas principais de sua exposição foi a conexão entre os governos Temer e Sartori.

Os traços centrais dessa conexão, segundo o sociólogo, são a venda de patrimônio público, como já está ocorrendo com a Petrobras em nível nacional, e o ataque a direitos dos trabalhadores dos setores público e privado, inclusive com demissões como foi anunciado por Sartori no Rio Grande do Sul. “A única coisa que não está sendo congelada é o pagamento de juros. Este é um governo de banqueiros. São eles que estão no comando promovendo esse ataque violento contra os serviços públicos e os direitos sociais e trabalhistas”, assinalou.

“Estão fazendo as reformas que querem fazer de modo acelerado porque tem o Congresso na mão”, acrescentou Emir Sader que chamou a atenção para os efeitos negativos da falta de representação dos trabalhadores urbanos e rurais e dos movimentos sociais no Congresso Nacional. “Os movimentos sociais não têm o hábito de eleger bancadas. Hoje, por exemplo, só temos três trabalhadores rurais no Congresso, enquanto a bancada do agronegócio tem dezenas de representantes. É preciso mudar esse cenário”, defendeu.

Além de aprovar essas reformas a toque de caixa, assinalou ainda o sociólogo, o governo Temer quer empurrar a agenda do ajuste fiscal também para os estados. “Os governadores do Nordeste já recusaram essa proposta, mas ela está se alastrando pelo país, como está ocorrendo aqui no Rio Grande do Sul. Para eles, o desemprego é uma variável de controle da inflação. Não estão preocupados com os efeitos disso na vida das pessoas. O governo Temer já suspendeu mais de 1,1 milhão de benefícios do Bolsa Família. É um governo de vingança, de revanche contra tudo aquilo que foi conquistado em termos de direitos na última década”.

Diante deste cenário, defendeu Emir Sader, uma das principais tarefas é conversa com os setores que estão sendo diretamente atingidos pelas políticas do golpe. O sociólogo parabenizou a mobilização dos servidores gaúchos e disse que ela precisa ser ampliada para os setores da população que serão os mais prejudicados pelas políticas do governo Sartori. “Nossa função é chegar aos que são vítimas dessas políticas e mobilizá-los contra elas. Essas medidas têm duas pontas: elas demitem servidores e extinguem serviços públicos, e também tiram benefícios das pessoas. Precisamos juntar essas duas pontas e articulá-las”, resumiu.

Lembrança da CRT

Após a fala de Emir Sader, representantes de sindicatos e das fundações ameaçadas de extinção pelo governo Sartori falaram sobre os serviços que essas entidades prestam à população. Gilnei Porto Azambuja, presidente do Sindicato dos Telefônicos do Rio Grande do Sul (Sinttel), lembrou que a lógica adotada pelo governo Sartori é a mesma que foi aplicada em governos anteriores do PMDB no Estado, como os de Pedro Simon e Antônio Britto.

“Em 1994, a CRT era uma empresa estruturada e estava lançando os primeiros aparelhos celulares quando foi privatizada por Britto. Nós chegamos a ocupar a Assembleia Legislativa, mas eles fugiram e votaram escondidos no Plenarinho. Mas essa política de sucateamento começou antes, com o governo Simon, que vendeu a Aços Finos Piratini para a Gerdau”. Gilnei Azambuja lembrou ainda que a Oi, que ocupou o lugar da CRT, hoje é uma empresa com R$ 65 bilhões de dívida e em processo de recuperação judicial. “E se isso acontecesse com uma empresa pública, o que diriam?” – questionou.

A presidenta do Centro de Professores do Estado (CPERS Sindicato), Helenir Aguiar Schürer, denunciou o que considera ser uma fabricação artificial de uma crise para justificar a venda de patrimônio público no Rio Grande do Sul. “É mentira que não tem dinheiro. Até 2014 recebíamos rigorosamente em dia. A crise atual é uma crise construída para vender o Estado”, afirmou, fazendo um chamado aos parlamentares da Assembleia. “Os deputados que estão do nosso lado tem que vir aqui para a praça e engrossar a nossa mobilização”.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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