Estudantes de RI liberam acesso ao prédio da Economia, mas mantém estado de ocupação

Estudantes decidiram liberar acesso ao prédio para retomada das aulas, mas mantém agenda de mobilização e debates dentro das dependências da faculdade. (Foto: Divulgação)

Estudantes decidiram liberar acesso ao prédio para retomada das aulas, mas mantém agenda de mobilização e debates dentro das dependências da faculdade. (Foto: Divulgação)

Alunos e alunas do curso de Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) decidiram suspender a ocupação da unidade, iniciada no dia 7 de novembro, mantendo uma agenda de atividades, debates e mobilização dentro do prédio contra a PEC 241-55 que congela investimentos em áreas essenciais como saúde e educação por um período de até 20 anos.

A assembleia do dia 7 reuniu os dois diretórios estudantis da FEC: DAECA (Diretório Acadêmico de Economia, Contábeis e Atuariais) e CERI (Centro Estudantil de Relações Internacionais) para definir uma posição frente a PEC e estratégias de mobilização. As duas entidades aprovaram posição contrária a PEC, mas só o CERI aprovou, por ampla maioria, a ocupação da faculdade. Após uma primeira votação tumultuada, o DAECA resolveu fazer uma consulta pública fora da assembleia, que acabou decidindo contra a ocupação do prédio.

Para não ficar ocupando o prédio sem a participação dos outros cursos que compõem a FCE, os alunos e alunas de Relações Internacionais decidiram interromper a ocupação, liberando o acesso ao prédio e retomando as aulas nesta segunda-feira (21). A mobilização contra a PEC, porém, continua com uma série de atividades, reuniões e aulas públicas nos próximos dias. “Decidimos conceder acesso ao prédio, mas mantendo o estado de reivindicação de um espaço que é nosso por direito para retomar o objetivo da ocupação e inseri-la na agenda de lutas contra a PEC e todos os retrocessos que estão por vir. Escolhemos dar início a uma nova tática de luta, que só se mostrou possível pela mobilização resultante da etapa de ocupação”, afirma nota publicada na página da ocupação no Facebook.

Essa nova etapa buscará envolver professores, estudantes e servidores em um diálogo sobre as consequências da PEC para o país. No domingo, um grupo de professores foi até a ocupação para ajudar os estudantes a limpar os espaços utilizados na mobilização. Na manhã desta segunda-feira, estudantes que participaram da ocupação passaram em salas de aula para conversar com seus colegas e com os professores que estão sendo convidados a tratar desse tema em suas aulas. Na terça à tarde, às 17h30min, será realizado um debate com o professor Pedro Fonseca, no auditório da FCE, sobre o atual momento político e econômico do país. Na quarta, às 17h, ocorrerá um debate, no pátio de estacionamento da unidade, com três professores que têm posições distintas sobre a PEC 241/55. Na sexta, haverá uma roda de conversa sobre o movimento estudantil no século XXI, que reunirá diferentes gerações de militantes.

A suspensão da ocupação, segundo integrantes do CERI, não significa uma interrupção da luta contra a PEC. “Ocupar é um dos métodos legítimos de luta e articulação. A ocupação simbolizou o momento de exceção que vivemos no país – paramos a Faculdade de Ciências Econômicas para mobilizar o debate sobre a PEC 241-55 e para tomar alguma atitude vide os retrocessos postos no horizonte. A UFRGS não é uma mera prestadora de serviços de ensino, pesquisa e extensão. Enquanto capital social, ela é patrimônio de todos os brasileiros e brasileiras, uma vez que é (ou deveria ser) um espaço de transformação da realidade social”, diz ainda a nota publicada pelo movimento.

A ocupação da FCE, acrescenta, foi uma atitude em defesa da universidade pública e de uma educação emancipadora. E conclui: “Ressaltando a manutenção do estado de exceção em que nos encontramos, passaremos em sala de aula para esclarecer aos alunos e alunas os motivos da ocupação. Convidamos a comunidade a se somar à agenda de atividades que será parte da rotina da FCE e reforçamos que é dever de cada uma e cada um que afirma ser contra a PEC tomar partido nas formas de mobilização. As instituições não são neutras: a FCE segue em luta!”.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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