Direção nacional pode perder legitimidade se não convocar congresso, diz PT de Porto Alegre

PT realizará ato dia 27 em Porto Alegre para divulgar manifesto em defesa de congresso extraordinário e de mudanças urgentes no partido. (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

PT realizará ato dia 27 em Porto Alegre para divulgar manifesto em defesa de congresso extraordinário e de mudanças urgentes no partido. (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

A Executiva Municipal do PT de Porto Alegre aprovou nesta quarta-feira (19), por unanimidade, uma resolução afirmando que, caso não seja convocado imediatamente um congresso extraordinário, se abrirá uma crise de legitimidade da direção nacional que poderá resultar no não reconhecimento da mesma enquanto instância dirigente. Segundo o presidente do PT de Porto Alegre, Rodrigo Oliveira, na avaliação de importantes e inúmeros quadros partidários, é unânime a necessidade do PT mudar imediatamente. “O sentimento de descontentamento com a postura burocrática da direção nacional transborda pelo país afora e só um Congresso, com ampla autonomia, pode repactuar as diferentes posições partidárias”, afirma.

O que está em jogo, diz ainda Rodrigo Oliveira, “é a manutenção da maior força de esquerda do Brasil e a vitalidade de nossa articulação para resistir frente aos ataques à democracia, ao Estado de Direito e às conquistas sociais”. Para ele, a direção nacional do PT deveria renunciar no próximo Diretório Nacional, marcado para os dias 9 e 10 de novembro, convocando imediatamente um Congresso Plenipotenciário. Caso contrário, adverte o presidente municipal do partido, o PT “corre sérios riscos de um grande racha”. “Não podemos deixar que a situação chegue a esse ponto, um verdadeiro sonho para o establishment que comandou o golpe no país”, acrescenta.

Segue a íntegra da Resolução aprovada pela Executiva Municipal do PT de Porto Alegre:

RESOLUÇÃO DA EXECUTIVA DO PT DE PORTO ALEGRE SOBRE A URGÊNCIA DO CONGRESSO

1. O último Diretório Municipal do PT de Porto Alegre, reunido em 5 de outubro, expressou mais do que sua posição sobre o 2º Turno das eleições na cidade. As falas de nossa militância convergiram em uma necessidade imediata: para resistir ao Golpe, ampliar a mobilização para preservar nossos direitos e lutar pela democracia, é preciso resgatar o PT;

2. Não existe um caminho previamente traçado para esta jornada, que deve ser trilhada coletivamente. O cerco e a perseguição imposta ao Partido e a seus quadros exige de nós muito debate político, diálogos horizontais pela base, capacidade de autocrítica para projetar o futuro e um olhar para fora, em contato com a sociedade;

3. Neste sentido, o PT de Porto Alegre se soma ao Diretório Estadual do PT/RS que aprovou um manifesto claro: “o Partido precisa debater o que fazer e escolher uma nova direção. Precisamos realizar imediatamente um congresso partidário. Um congresso que tenha início nas bases, no encontro de nossa militância consigo mesma. Um congresso que discuta como recuperar o apoio do PT na classe trabalhadora brasileira, razão de nossa existência como organização e partido político. É preciso debater como reatar os laços com a classe trabalhadora, através de respostas políticas e organizativas. Com conteúdo e com programa. Com ação prática reconectando o partido com a voz das ruas e dos movimentos sociais na luta por direitos duramente conquistados. Não basta trocar os dirigentes, é preciso debater a linha política da direção. Por isto é um erro querer primeiro eleger a direção no PED e depois fazer o Congresso. Por isto é um equívoco trocar o debate pelo voto em urna. A realização de mais um PED não é suficiente. Defendemos a renovação da direção em todos os níveis, a começar pela necessária renovação da direção nacional do PT. Mas quem deve decidir como renovar a direção é um Congresso plenipotenciário do Partido”. Para o ato político de divulgação deste manifesto, dia 27 próximo, o PT Porto Alegre convoca, desde já, sua militância;

4. Na opinião da Executiva de Porto Alegre, não existem condições para a realização de eleições no PT sem a precedência de profundo debate político, numa instância congressual. Se o Diretório Nacional dos dias 9 e 10 de novembro decidir por esse caminho, da recusa ao debate pleno com a militância partidária, sucumbirá ao tradicionalismo político que o PT nasceu para contestar e corre o risco de perder o nosso reconhecimento enquanto instância dirigente;

5. Como acreditamos em um Partido construído pela base, começaremos desde já o debate sobre o PT que queremos, durante o mês de novembro, com um conjunto de reuniões pelas Zonais, Secretarias, Núcleos e Setoriais, a ser organizado pela SORG e divulgado ainda durante o mês de outubro. Será um amplo debate para acolher as aspirações de nossa base social;

6. Finalmente, o resultado da eleição em Porto Alegre nos impõe a necessidade de avançar na organização partidária, na relação entre partido e bancada, e no entrelaçamento com nossa base social. Assim, realizaremos, na primeira quinzena de dezembro, um Seminário de Planejamento coletivo envolvendo esta Executiva, mandatos de vereadores e vereadora, mandatos de deputados estaduais e federais com domicílio em Porto Alegre, além dos principais sindicatos e entidades do movimento popular. A organização ficará sob responsabilidade da Executiva e da Liderança da Bancada Municipal.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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