Melo ou Marchezan: um falso dilema

PMDB e PSDB são dois dos protagonistas centrais do ataque à democracia em curso no Brasil.

PMDB e PSDB são dois dos protagonistas centrais do ataque à democracia em curso no Brasil.

A democracia está sob ataque no Brasil inteiro e o PMDB e o PSDB são dois dos protagonistas centrais desse ataque. É possível tratar da eleição municipal em Porto Alegre ou em qualquer outra cidade, deixando essa questão de lado? Já há quem defenda que a esquerda deve votar no Sebastião Melo (PMDB) em Porto Alegre, pois ele seria o “mal menor”. Será? Nestes dias, está em análise no Congresso, apenas para citar um exemplo, a mudança do modelo de exploração do pré-sal. PMDB e PSDB estão juntos neste tema, do mesmo modo que ocorre com projetos que precarizam e/ou retiram direitos, que propõe a ampliação das terceirizações, o aumento do tempo mínimo para aposentadoria, entre outras coisas.

Militantes do MST estão presos em Goiás acusados de integrarem uma “organização criminosa”. A criminalização de movimentos sociais cresce em todo o país, inclusive aqui no Rio Grande do Sul, onde temos até jornalista que foi preso e indiciado por estar cobrindo uma ação da Brigada Militar em uma ocupação estudantil. Em nível nacional, instaura-se um estado de exceção para justificar uma luta contra a corrupção que é dirigida apenas contra um setor do espectro político nacional. Esses são apenas alguns exemplos do que está ocorrendo no país, envolvendo diretamente os dois partidos em questão.

O argumento apresentado para defender o voto em Melo como um “mal menor” só é aceitável caso desconsideremos o que PMDB e PSDB estão fazendo no país, ou seja, se abstrairmos o “mal maior” que estão cometendo contra a democracia, contra um projeto de nação soberana e contra a integração latino-americana. Porto Alegre não é uma ilha. O centro do debate político no país hoje é o golpe à democracia e a direitos que segue em curso. Os dois partidos que estão no segundo turno em Porto Alegre são protagonistas desse ataque à democracia. Cabe destacar que o golpe é um processo em andamento, passou para uma nova fase, de desmonte de tudo o que foi construído na última década em termos de conquistas sociais.

Neste sentido, a abstenção, voto nulo ou branco não se reduz a uma recusa. Não se trata de uma expressão de raiva, de pensar com o fígado ou algo do tipo. Ele tem um conteúdo político positivo que é, justamente, o da defesa da democracia contra os que a ameaçam. Neste sentido, não se trata de propor um debate do tipo Melo “ou” Marchezan. Melo “e” Marchezan estão do mesmo lado da trincheira na guerra contra a democracia em curso no Brasil.

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6 ideias sobre “Melo ou Marchezan: um falso dilema

  1. Rogério Marroni

    Nesta análise ficou de fora a percepção de que a eleição de Melo para a prefeitura não o projetará para o governo do estado em 2018, pois o PMDB, com o governo que Sartori tem feito, não emplacará nenhum candidato, deixando algum espaço para um candidato da esquerda.

    Se Marchezan for eleito prefeito, será projetado para o governo do estado. Não há garantia disso, mas esta é uma diferença importante a ser considerada.

    Li artigo onde Benedito Tadeu César e Célia Pinto fazem este manifesto a favor do voto nulo e que se consideram cientistas políticos, sem analisar cenários futuros. Será que não é importante?

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  2. Nelson

    Se morasse em Porto Alegre, eu anularia meu voto.

    De outra parte, a passagem dos dois para o segundo turno constitui mais uma prova do quão falaciosa é esta afirmação de que os gaúchos compomos o estrato mais politizado do país.

    O PMDB está aplicando um golpe duplo em nós gaúchos, com Temer no Planalto e com Sartori no Piratini.

    Já o PSDB,que já nos golpeou à vontade quando comandava o Governo Federal, segue nos golpeando ao apoiar a derrubada da Dilma e o “Ponte para o Futuro” do PMDB.

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  3. Maria Neves Ribeiro Aquino

    Isto é um crime para a cidade de Porto Alegre, um grande desrespeito para a cidade que já foi um exemplo de governar para o o Mundo.É muito simples lavar as mãos,mas também é muita covardia. Golpista é fácil derrubar, ainda mais que a maioria do povo está percebendo que tudo não passou de golpe,é só montar uma estratégia eficiente. Se analisarmos melhor o golpe, o PT estava totalmente despreparado para governar, vinha cometendo os mesmos erros que cometeu em cidades e estados por onde governou. Agora combater o Fascismo? Só com armas em punho,a prova disso é a morte do Plínio coordenador de campanha do Melo.E o pior de tudo é que o PT não reconhece que errou, não desce do pedestal aonde se colocou( se achando sempre o melhor) Quer fazer mudanças só na parte de cima esquecendo que o PT nasceu das classes trabalhadores,portanto das bases.A reforma do PT tem começar do principio, ou seja nas base,politizando su militância e não criando cabos eleitorais.

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