“Nenhum deles nos representa. PSDB e PMDB são golpistas e querem entregar pré-sal”, diz Pont

Raul Pont: “Há argumentos fartos e suficientes para sustentar tal posição. O PMDB e o PSDB estão na linha de frente do golpe contra a presidenta Dilma”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Raul Pont: “Há argumentos fartos e suficientes para sustentar tal posição. O PMDB e o PSDB estão na linha de frente do golpe contra a presidenta Dilma”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O PT de Porto Alegre realizou nesta terça-feira (4) uma reunião de sua Executiva Municipal para fazer uma primeira conversa sobre o resultado da eleição municipal e sobre qual deve ser a postura do partido no segundo turno na capital gaúcha, que será disputado entre as candidaturas de Nelson Marchezan Jr. (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB). A postura praticamente unânime até aqui é que o partido não apoie nenhum dos dois candidatos. Essa posição já foi expressa pelo candidato à Prefeitura, Raul Pont, no final da tarde de domingo, em conversa com militantes na sede municipal do PT. Nesta quarta, o Diretório Municipal do partido se reunirá, às 18h30min, para um encontro de balanço das eleições, definição de posicionamento frente ao segundo turno e perspectivas de futuro.

Nesta terça, Pont reafirmou ao Sul21 a posição que manifestou no final da tarde de domingo. “Creio que todo mundo dentro do PT está alinhado com essa posição de não apoiar ninguém no segundo turno. Nenhuma das duas candidaturas nos representa e não temos nenhum compromisso com elas. Há argumentos fartos e suficientes para sustentar tal posição. O PMDB e o PSDB estão na linha de frente do golpe contra a presidenta Dilma e são os grandes articuladores de propostas como a que pretende entregar o pré-sal para petroleiras norte-americanas e as que retiram direitos da população”, assinalou.

Sobre o resultado da eleição de domingo, Pont destacou que a avalanche de brancos, nulos e, principalmente, abstenções, evidenciaram o peso do processo de criminalização da política e, em especial, do PT. Esse fenômeno, acrescentou, mostra também a crise do atual sistema de representação política, onde partidos inexpressivos acabam disputando a administração de grandes cidades, como está ocorrendo em Curitiba com o PMN e a candidatura da Rafael Greca. “Estamos vivendo um quadro de profunda instabilidade”, resumiu.

Falando sobre a derrota que o PT sofreu em nível nacional, o ex-prefeito de Porto Alegre ressaltou que o desempenho do partido no Rio Grande do Sul também foi afetado, mas representou uma das menores derrotas no país. “Mantivemos 38 prefeituras, mais a prefeitura de Butiá, que depende de uma decisão judicial, e disputaremos o segundo turno em Santa Maria e em Canoas, onde o partido tem o candidato a vice. O número de vereadores caiu um pouco, mas não foi muito. Tínhamos pouco mais de 600 e elegemos 475 vereadores. Estamos presentes em 77 municípios do Estado com prefeito ou vice eleitos. Tivemos 650 mil votos, entre vereadores e voto em legenda, e 815 mil votos para prefeito”.

“Considerando o que ocorreu em outros estados e o processo de criminalização ao qual fomos submetidos”, acrescentou, “o nosso desempenho aqui no Rio Grande do Sul não foi dos piores”. “Durante a campanha, a gente ouvia praticamente todos os dias xingamentos ao partido nas ruas. Mas, se o PMDB e o PSDB têm mais envolvidos na Lava Jato do que nós, por que esses partidos não receberam o mesmo tratamento?” – questionou.

Raul Pont reconheceu que o estrago político, em nível nacional, foi grande. “Ficamos com 15 ou 16% das prefeituras em todo o país, mas que representam uma população de apenas 5%. O estrago foi grande em São Paulo, no Rio, mas também no Norte e Nordeste. Vai levar algum tempo para recuperar o que foi perdido”. Diante desse quadro, ele defendeu a necessidade de uma mudança no curto prazo dentro do Diretório Nacional. “O atual Diretório está eleito até o próximo PED (Processo de Eleições Diretas), que só ocorrerá no ano que vem. Nós propusemos fazer um congresso antecipado para dezembro, mas a direção nacional até agora não aprova essa proposta. Estão sinalizando antecipar para o final do primeiro trimestre o processo do PED. Nós achamos que isso é insuficiente. Não dá para adiar o tanto debate que precisa ser feito dentro do partido”, defendeu.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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