OAB está contra Constituição e direito de greve dos bancários, critica sindicato

No 16º dia da greve, o sindicato contabilizou um novo crescimento de agências fechadas: 297 na área de abrangência do SindBancários e 982 em todo o Estado. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

No 16º dia da greve, o sindicato contabilizou um novo crescimento de agências fechadas: 297 na área de abrangência do SindBancários e 982 em todo o Estado. (Foto: Maia Rubim/Sul21)

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) e a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo Financeiro do Estado do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS) criticaram nesta quarta-feira (21) a decisão da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) que ajuizou ação civil pública pleiteando que os bancos mantenham o atendimento mínimo de 30% às partes e advogados, nos Foros de todo o Estado, durante o movimento grevista. As entidades qualificaram a ação como um “ataque frontal e violento ao direito de greve, assegurado na Constituição Federal a todos os trabalhadores”.

Em nota oficial, as duas entidades afirmam que “a mesma OAB que defendeu e patrocinou o golpe de estado que afastou a Presidenta Dilma, se posiciona contra a Constituição Federal ao defender a restrição ao direito de greve que nem os banqueiros ousam tentar restringir tão diretamente porque usam os interditos proibitórios para tentar esta restrição. A OAB ataca o direito do trabalho. A OAB não procurou o diálogo com as categorias profissionais envolvidas no conflito. A OAB não ataca os banqueiros que não cumprem a lei. A OAB quer restringir, violar o direito de greve, ataca o direito dos trabalhadores grevistas”.

A OAB, criticam ainda os sindicatos, defende que os grevistas façam greve, mas atendam aos advogados. “Corporativismo como estratégia ou como tática, sem qualquer compromisso com a defesa da Constituição Federal, sem qualquer compromisso com a defesa do direito do trabalho, sem qualquer compromisso com a conjuntura nacional que discute a precarização dos direitos trabalhistas como estratégia dos poderosos”.

As entidades garantem que seguirão defendendo o direito de greve da classe trabalhadora, obedecendo ao devido processo legal. “A OAB está contra o direito de greve dos bancários, contra o direito de greve assegurado na Constituição. A OAB escolheu atacar os trabalhadores e seus direitos. E nós vamos defender estes direitos.  Cada um com o seu papel na história”, afirmam o SindBancários e a Fetrafi.

Em assembleia realizada no início da tarde desta quarta, o SindBancários denunciou a estratégia de ataque à greve adotada pelos bancos nos últimos dias. Na avaliação do sindicato, o sinal dessa ofensiva já pode ser percebido nas duas últimas mesas de negociação. Sem apresentar nova proposta, os representantes da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) apostaram no enfraquecimento da greve por meio de pressões executadas junto às superintendências regionais do Trabalho e outras medidas. O Santander ingressou com um interdito proibitório, chamou a Brigada Militar e pressionou bancários a trabalhar, segundo relato do sindicato.

Sem a apresentação de novas propostas de reajuste salarial por parte da Fenaban, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, fez um chamado pelo fortalecimento do movimento e pela participação na luta em defesa dos direitos com outras categorias de trabalhadores. No 16º dia da greve, o sindicato contabilizou um novo crescimento de agências fechadas. Ao todo, foram 297 na área de abrangência do SindBancários e 982 agências em todo o Rio Grande do Sul. A assembleia de organização da greve definiu o calendário de lutas até a próxima segunda-feira. Nesta quinta-feira, a partir das 4 horas, haverá saída de piquetes móveis da frente da Casa dos Bancários para participação no Dia Nacional de Lutas, Protestos e Paralisações, chamado pelas centrais sindicais.

O calendário aprovado na assembleia desta quarta é o seguinte:

Quinta-feira, 22/9

4h: Saída dos Piquetes Móveis para participação no Dia Nacional de Lutas, Protestos e Paralisações da Casa dos Bancários (General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre).

8h: Saída de Piquetes Móveis para convencimento de colegas a participarem da greve.

Sexta-feira, 23/9

8h30: Panfleteação de carta aberta à população com a participação dos Bankemon e piquetes móveis.

Meio-dia: Almoço Coletivo dos Bancários na Casa dos Bancários (General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre).

Segunda-feira, 26/9

8h30: Saída dos Piquetes Móveis de fortalecimento da GREVE  da Casa dos Bancários (General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre).

11h: Ato de Repúdio à OAB-RS.

14h: Assembleia de Organização da GREVE na Casa dos Bancários (General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre).

(*) Publicado originalmente no Sul21

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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