UFRGS repudia censura e comenta decisão de não veicular entrevista de cientista político

Nota afirma que “Universidade é autônoma e, muito além de ser um local restrito ao ensino, também discute e provoca debates na sociedade”. (Foto: Divulgação)

Nota afirma que “Universidade é autônoma e, muito além de ser um local restrito ao ensino, também discute e provoca debates na sociedade”. (Foto: Divulgação)

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgou uma “resposta à imprensa” sobre o episódio da não veiculação de uma entrevista do cientista Benedito Tadeu César, concedida ao programa “Entrevista Coletiva”, da rádio da universidade. O programa, que deveria ser transmitido no final da manhã desta quinta-feira (08), foi censurado pelo diretor da emissora, André Prytoluk, que alegou “problemas com a legislação” pela menção feita pelo cientista político à palavra golpe e ao nome de partidos políticos. O tema do programa era a situação da conjuntura política nacional.

Assinada por Édina Rocha, vice-secretária de Comunicação da UFRGS, a nota diz que a Universidade “repudia todo e qualquer ato de censura ou de cerceamento da liberdade de expressão”, e atribui a decisão de não veicular a entrevista “ao entendimento de que seria necessária uma avaliação mais apurada” para não infringir a lei que restringe a “propaganda contrária ou favorável a candidatos, partidos e coligações”. Segue a íntegra da nota:

Resposta à imprensa

Em relação ao episódio da não-veiculação do Programa “Entrevista Coletiva”, nesta quinta-feira, dia 8 de setembro, pela Rádio da Universidade, a UFRGS esclarece que repudia todo e qualquer ato de censura ou de cerceamento da liberdade de expressão. Considera que a Universidade é autônoma e, muito além de ser um local restrito ao ensino, também discute e provoca debates na sociedade.

Afirma-se que a atitude em questão deve-se ao entendimento de que seria necessária uma avaliação mais apurada a fim de prevenir que qualquer material veiculado pela emissora venha a infringir a lei nº 9504, no artigo 45 que restringe o tratamento privilegiado ou a propaganda contrária ou favorável a candidatos, partidos e coligações.

Destaca-se, ainda, que a Rádio da Universidade é um fórum legítimo para promoção do ensino e da aprendizagem completa.

“Me jogaram aos leões”

Em sua página no Facebook, André Prytoluk justificou sua decisão de não veicular a entrevista dizendo que a lei em questão “proíbe falar bem ou mal de qualquer partido no período eleitoral”. “O entrevistado fez juízo de valor a dois partidos que foram nominalmente citados. Me jogaram aos leões”.

O entrevistado em questão, Benedito Tadeu César respondeu, também no Facebook, que as justificativas do diretor da rádio foram além dessa explicação: “O diretor da rádio foi tão venal que, quando questionado por mim, pela professora e pelos alunos, afirmou textualmente: “Está é uma rádio pública e as emissoras públicas são chapa branca. Eu vou cumprir o meu dever. Eu prezo o meu cargo”, relatou o cientista político.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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