Ataque aos trabalhadores é pauta de protesto em Passo Fundo no 7 de setembro

O Ato Unificado foi idealizado pelo Coletivo Feminista Maria, Vem Com as Outras! (Fotos: Erviton Quartieri Jr.)

O Ato Unificado foi idealizado pelo Coletivo Feminista Maria, Vem Com as Outras! (Fotos: Erviton Quartieri Jr.)

Por Ingra Costa e Silva

Sete de setembro é o dia em que se comemora um dos fatos históricos mais importantes do país. A Independência do Brasil mudou os rumos da nação a comemoração da data reforça a importância de lutar por um país justo, ético e igualitário, onde todos tenham acesso à educação, saúde e segurança de qualidade. Em todos os municípios do país a data é marcada por desfiles de autoridades, militares, comunidade escolar entre outras entidades que prestam serviço ao município. Em Passo Fundo, as homenagens tiveram início às 8h30min, promovidas pela Secretaria Municipal de Cultura e Liga da Defesa Nacional – Núcleo Passo Fundo.

Mas a exemplo do que se deu em diversas partes do país, muitas brasileiras e brasileiros usaram a data para, além de exaltar o amor à pátria, mostrar que estão dispostos a sair às ruas para pedir a saída de todos os políticos corruptos que tomam conta dos espaços de poder.

Ao término do tradicional desfile, aproximadamente cem pessoas que haviam se concentrado na Praça do Teixeirinha marcharam pela Avenida Sete de Setembro,  pedindo Fora Temer, Fora Sartori e Fora Todos os Corruptos. O Ato Unificado foi idealizado pelo Coletivo Feminista Maria, Vem Com as Outras!, que após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff chamou uma primeira reunião em busca de construir a discussão sobre a conjuntura política nacional. A reunião foi maior do que o esperado e outras entidades que entenderam como ilegítima a chegada do atual presidente, Michel Temer, ao poder se agregaram ao grupo na construção de um Ato Unificado no dia 7 de setembro.

Os manifestantes adentraram a Avenida Sete de Setembro depois que o desfile encerrou, portanto a programação do evento oficial não foi alterada. O local foi escolhido para o protesto por ser o momento e local em que a população festeja o amor ao país, que de acordo com os organizadores, enfrenta tempos difíceis na política e que já estão interferindo diretamente na vida dos trabalhadores.

Assim como aconteceu em inúmeras cidades do país, "Fora Temer!" esteve presente no 7 de setembro, em Passo Fundo.

Assim como aconteceu em inúmeras cidades do país, “Fora Temer!” esteve presente também no 7 de setembro, em Passo Fundo.

Thainá Teixeira, integrante do Coletivo Feminista, Maria Vem Com as Outras!, disse que o grupo viu a necessidade de  organizar uma unidade para lutar por todos os trabalhadoras, jovens e povo pobre que são diretamente atingidos pelos ataques do governo tanto a nível estadual como nacional. Lembra ainda que cerca de 70% das pessoas mais pobres do mundo são mulheres sendo, portanto, as principais atingidas pela crise. “É importante uma ação dessas frente a conjuntura que estamos vivendo, uma crise do sistema capitalista que atinge diretamente as trabalhadoras. A questão das terceirizações, dos cortes da CLT que estão sendo implementadas, por exemplo, atingem primeiramente as mulheres”, afirmou a historiadora, lembrando do destaque midiático exaltando que a mulher, no governo Temer, tem lugar certo, bela recatada e do lar. Afirmou ainda que somente com organização é possível mudar a realidade e convidou todos a curtirem a página do coletivo no Facebook, que deve organizar mais ações nesse sentido.

Enquanto as autoridades iam embora do novo Altar da Pátria, uma massa composta por cidadãos indignados das mais variadas áreas de atuação e classe social, juntamente com o Coletivo Feminista Maria,Vem Com as Outras!, Plural Coletivo Sexodiverso, Anel, UJS, Pastoral da Juventude, Conlutas, CPERS, DACG, União Juventude Rebelião, Unidade Popular pelo Socialismo, PSTU, PSOL, PT, PCdoB, JPT, Refundação Comunista e outras entidades entraram na avenida empunhando cartazes contra o presidente Michel Temer e o governador José Ivo Sartori. Com palavras de ordem contra os atuais representantes, lembraram dos ataques que os trabalhadores estão sofrendo por parte dos governos que cortam direitos e parcelam salários.

Davi Rodrigues da Silva, da Pastoral da Juventude, disse ser fundamental estar inserido em todos os espaços populares e sociais mantendo a linha de justiça e dignidade. “O sistema político, situações de injustiça e opressão é o que não constrói uma sociedade diferente, com amor e aonde a dignidade de cada um seja respeitada. Para nós é um ato profético estar aqui, porque a profecia é o ato de denunciar aquilo que oprime. Mas ao mesmo tempo não podemos ficar na denúncia pela denúncia. A partir disso devemos criar anúncio para vida nova, denunciar e ao mesmo tempo criar espaço para a juventude desenvolver consciência crítica e poder participar dessa construção”, assinalou.

Manifestantes criticaram políticas dos governos Temer e Sartori.

Manifestantes criticaram políticas que retiram direitos, promovidas pelos governos Temer e Sartori.

Mariá Teixeira, representante do Diretório Acadêmico Carlos Gomes da Faculdade de Artes e Comunicação, explicou que o DA aderiu ao ato em nome de todos os estudantes que acreditam que o atual governo representa um retrocesso para a educação e cultura do Brasil. “Começaram por uma tentativa de extinguir o MinC, que só se manteve pela organização e força mobilizadora dos trabalhadores da área. A gente sabe também que no âmbito estadual, Sartori representa o mesmo retrocesso. É preciso que tomemos a frente, unificar o ato com a demais entidades, para que sejamos a força transformadora do nosso país”, pontuou.

A professora da rede estadual Pollyana Ferreira afirmou a importância dos seus pares participarem ativamente dos atos contra a retirada de direitos da categoria. “Temos direitos já conquistados que serão cortados se a gente não se organizar. Por isso temos que participar de todos os atos contra os inimigos da classe trabalhadora. Fora Temer num primeiro momento, Fora Sartori, porque ambos têm o mesmo projeto que ataca diretamente o trabalhador”.

O PSTU assinalou por sua vez que o partido se fez presente porque, na sua visão, qualquer saída para a crise do país envolve a união do povo, dos trabalhadores e a sua saída às ruas para questionar os governos. O partido acredita que seguindo o eixo Fora Temer, Fora Sartori, Fora Todos os Corruptos, se torna possível aprofundar a discussão dos movimentos sociais sobre a importância da unidade da classe trabalhadora.

O estudante Bruno Almeida, da União Juventude Rebelião, lembrou que os estudantes estão sentindo os cortes implementados pelos governos que atingem diretamente as bolsas de auxílio permanência como PROUNI, FIES e PRONATEC e também os programas Ciências Sem Fronteiras, as bolsas de fomento à pesquisa (CNPq) e por isso a importância da sua participação no ato. “A gente sabe, por exemplo, que a juventude periférica não tem acesso à cidade e com esses cortes somos tirados, cada vez mais, dos grandes centros e do acesso ao ensino superior, aos trabalhos que vão além do chão da fábrica. A juventude é o braço que mobiliza e se junta na luta da classe trabalhadora para que não nos contentemos somente com migalhas“, disse.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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