Comunicador da RBS culpa marxismo pela violência e sugere morte de filhos de governantes e de jornalistas

“Carta aberta” foi lida ao vivo na edição da última sexta-feira do programa Pretinho Básico.

“Carta aberta” foi lida ao vivo na edição da última sexta-feira do programa Pretinho Básico.

O comunicador Alexandre Fetter, do programa Pretinho Básico, da rádio Atlântida (Grupo RBS), defendeu que jornalistas e formadores de opinião que criticam excessos da Brigada Militar, filhos e parentes de políticos e governantes sejam as próximas vítimas da violência que assola o Rio Grande do Sul, “que sejam eles a sangrar e a deixar suas famílias enterradas”, afirmou em uma “carta aberta” lida ao vivo no programa da última sexta-feira.

Fetter acusou deputados de “defender bandidos publicamente com o interesse velado de perpetuação no poder”, sem esclarecer que deputados seriam estes. Esses políticos, acrescentou, “estão advogando para miseráveis e ignorantes que são maioria neste país e que neles vão seguir votando”. O comunicador atacou também jornalistas e formadores de opinião, afirmando:

“Não é possível que jornalistas ou formadores de opinião sigam em seus espacinhos públicos batendo na Brigada Militar, na Polícia, em suas práticas de defesa da sociedade, denegrindo (sic) e manchando a imagem da instituição. Tenho mais do que vergonha destas pessoas, tenho nojo destas pessoas, gente que eu adoraria citar o nome, colegas de profissão que trabalham ali no morro do lado, trabalham aqui, um pouquinho acima, mas não dá, infelizmente. Para mim, que gente assim sejam as próximas vítimas, que sejam eles a sangrar e deixar suas famílias enterradas”.

Os “ideais marxistas” também foram apontados por Fetter como responsáveis pela criminalidade. Esses ideais, segundo ele, estariam “entranhados nas faculdades de Direito e Jornalismo, nos poderes, especialmente Legislativo e Judiciário” e, entre outros problemas, “não permitem que a polícia mate…”.

O comunicador da RBS também chamou o governador Sartori de “figura patética” e defendeu que as próximas vítimas de violência sejam filhos e parentes dos atuais governantes: “eu quero que sejam amigos, parentes e familiares destes que estão patrocinando o massacre urbano lá de dentro de seus gabinetes, com segurança particular na porta”. “Que sejam vocês as próximas vítimas, seus parentes, seus filhos, seus pais, suas mães”.

O jornalista André Machado, que trabalhou na RBS e hoje está na rádio Bandeirantes reagiu indignado, em sua página no Facebook, às declarações de Fetter:

“Nunca imaginei que, em meio a uma grave crise de segurança que vivemos, um comunicador fosse ao radio desejar a morte de alguém. No caso específico, o comunicador Alexandre Fetter, do Pretinho Básico da Atlântida, sugeriu que familiares meus e de outros colegas sejam assassinados. A morte que marcou a minha vida de ontem para hoje foi da admiração que tinha pelo Fetter e pela sua história na comunicação. Como não sou rancoroso como os que trabalham nesta linha burra de dividir a sociedade entre “Eles e Nós”, aceito um pedido de desculpas.”

“Sério Alexandre? Você quer mesmo que eu seja a próxima vítima? Que minha família chore? E isto porque desejo um mundo mais igual e com uma sociedade mais justa? Passa seriamente pela sua cabeça que quando alguém questiona um excesso da Brigada Militar está defendendo bandidos ou denegrindo (sic) a corporação? Com esta lógica simplista poderia eu imaginar que o Fetter não quer uma polícia, mas um grupo de extermínio. Não seria o único, mas sério que é assim que se imagina vai ter paz?”

 

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3 ideias sobre “Comunicador da RBS culpa marxismo pela violência e sugere morte de filhos de governantes e de jornalistas

  1. Marcelo R. Fogaça

    Isso não é verdade, eu escutava o programa e estava bem claro: Ele lia um e-mail de um ouvinte indignado, ou seja, não era a opinião dele. Não que ele precise de advogado, mas que a verdade fique clara.

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    1. rsurgente Autor do post

      Você está enganado, Marcelo. Não era email de ouvinte nenhum. O vídeo disponível na página do programa no Facebook é muito claro. Ele abre o programa dizendo aos seus colegas: “Vocês permitem que eu faça um editorialzinho do programa para que a gente esclareça para a nossa audiência, especialmente de fora do Rio Grande do Sul, o que está acontecendo…” E começa a leitura do editorialzinho escrito na primeira pessoa. Termina dizendo “eu quero poder indicar as próximas vítimas”….E conclui: “Era o que tinha a dizer e não vou continuar fazendo o programa se vocês me permitem”…

      Resposta
  2. Pingback: Ponto de Vista: Entretenimento de horror e o abandono da ética – objETHOS

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