Doação de máquinas de gráfica do DMAE para Centro Marista causa polêmica

Máquinas do parque gráfico do DMAE foram doadas para Centro Social Marista (Cesmar). (Foto: Guilherme Santos/Sul21) Foto: Guilherme Santos/Sul21

Máquinas do parque gráfico do DMAE foram doadas para Centro Social Marista (Cesmar). (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O parque gráfico do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), que chegou a atender várias áreas da Prefeitura de Porto Alegre, foi objeto de uma polêmica nesta quinta-feira (21), envolvendo a doação de equipamentos e sua possível extinção. Servidores e a direção do departamento apresentaram relatos diferentes sobre a doação das máquinas e a relação desta com o futuro da unidade.

Segundo relato de servidores, a unidade vem sendo desativada nos últimos anos e hoje mantém seis funcionários e uma máquina de impressão Xerox em funcionamento. Nos últimos anos, esses funcionários lutam para manter a gráfica em funcionamento e consideram a doação das máquinas como um “golpe final”. “Como participei de todo o processo de construção da gráfica, pedi à minha coordenadora que não me desse o castigo de ser a pessoa que iria fechar a porta e apagar a luz. Como estou com um problema de saúde, felizmente, não presenciei a cena da retirada das máquinas”, disse Gerson Luis Medeiros, operador de artes gráficas que este ano completará 33 anos de trabalho na Prefeitura.

Gerson Medeiros acompanha a trajetória da gráfica há muito tempo. Ela nasceu há mais de 35 anos, relata, com a finalidade de imprimir as contas de água do DMAE. Ele começou a trabalhar na unidade em 1988, no final do governo Collares (PDT). A partir do governo Olívio Dutra (PT), a gráfica passou a atender também outras unidades da Prefeitura. “Naquele período, nós apresentamos um projeto de ampliação da gráfica, para que ela se tornasse um parque gráfico do município. O projeto foi aceito e, no início dos anos 90, ela passou a atender diversas áreas, por meio de um convênio firmado entre a Prefeitura e o DMAE. Imprimíamos material para diferentes secretarias como Saúde, Educação e Cultura, onde fizemos um trabalho riquíssimo, incluindo a impressão de cartazes de espetáculos, exposições e alguns livros. Produzir ali era muito mais barato do que nas gráficas do mercado”.

Após viver seu apogeu no ciclo de 16 anos de governos petistas em Porto Alegre, a gráfica começou a enfrentar problemas a partir do governo José Fogaça (PMDB), relata ainda o servidor. Segundo Gerson Medeiros, quando Flavio Presser assumiu a direção do DMAE começaram as tentativas de acabar com o parque gráfico. “Começaram a impor entraves burocráticos que dificultaram o trabalho da gráfica. Em função dessas dificuldades, a gráfica foi perdendo espaço e passou a produzir somente material para a Secretaria da Saúde. Depois, passamos a produzir só para o DMAE e, há cerca de três anos, paramos completamente. Tentamos provar que éramos financeiramente viáveis e que produzíamos a um preço mais barato, mas não adiantou. Nunca conseguimos uma única audiência com Presser para defender a nossa posição

Nos últimos três anos, conta ainda Medeiros, os seis servidores da unidade passaram a viver uma situação surreal. “As máquinas ficaram paradas e colocaram uma máquina lá dentro, que poderia ser operada por uma única pessoa. Começamos a viver um processo de depressão e tensão entre nós. Nos sentíamos prisioneiros. Era um regime semiaberto ao contrário. Podíamos dormir em casa, mas ficávamos presos durante o dia. Só não sucumbi porque tive um grande apoio em casa. Abri um processo administrativo solicitando que fôssemos aproveitados em outra área onde pudéssemos desenvolver um trabalho digno. Nos sentíamos como ratos presos num porão, numa situação deprimente. Demoraram horrores para responder e indeferiram o pedindo dizendo que só podíamos trabalhar em nossa área, ou seja, como operadores gráficos”.

Ainda na gestão de Presser, acrescenta, cogitou-se a doação dos equipamentos do parque gráfico para o sistema Senai/Fiergs. Um representante da Fiergs chegou a visitar o parque gráfico para ver os equipamentos. Gerson Medeiros conta que telefonou para um superior questionando a doação daquele patrimônio para a Fiergs. No fim, a doação acabou não ocorrendo. O servidor ressalta que a direção atual do DMAE pegou um processo de desmonte do parque gráfico já consolidado e concebido na gestão de Flávio Presser. “Hoje estamos no céu perto do que era”, resume Medeiros que ainda não sabe qual será o destino dele e dos outros cinco servidores que trabalham na unidade. O prédio, segundo ele, passará a abrir trabalhadores terceirizados do setor de manutenção do departamento.

DMAE nega extinção do parque gráfico

A assessoria de imprensa do DMAE negou que o parque gráfico esteja parado há cerca de três anos ou que esteja em processo de desativação. Segundo o departamento, há planos para a sua modernização, inclusive com a compra de uma nova máquina de impressão digital. Além disso, assegurou que os servidores que atuam na unidade devem permanecer no mesmo local. A assessoria confirmou que o destino das máquinas foi o Centro Social Marista (Cesmar), localizado em Porto Alegre.

(*) Publicado originalmente no Sul21

 

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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