Marcas do genocídio que acompanhou a criação do Rio Grande do Sul seguem presentes

No século XVII, viviam na região que é hoje o RS pelo menos 40 povos indígenas diferentes. Quatro séculos depois, restam quatro grupos e pouco mais de 30 mil indígenas vivendo no Estado. (Foto: Roberto Liebgott)

No século XVII, viviam na região que é hoje o RS pelo menos 40 povos indígenas diferentes. Quatro séculos depois, restam quatro grupos e pouco mais de 30 mil indígenas vivendo no Estado. (Foto: Roberto Liebgott)

A história do Rio Grande do Sul costuma ser contada, em suas versões mais tradicionais e ufanistas, cultuando um tempo mítico forjador da alma e do caráter do gaúcho, um povo altivo, guerreiro e livre. “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”, canta o hino rio-grandense. Essa narrativa, porém omite que o nascimento do que conhecemos hoje por Rio Grande do Sul envolveu, entre outras coisas, o massacre de milhares de indígenas que habitavam o território antes da chegada de portugueses, espanhóis e brasileiros de outras regiões. Não há dados precisos, mas as estimativas falam em um milhão de indígenas vivendo em uma área que abrangia também pedaços do território do Uruguai, Argentina e Paraguai. No século XVII, viviam aqui pelo menos 40 povos indígenas diferentes. Quatro séculos depois, restam pouco mais de 30 mil indígenas vivendo no Estado.

Em entrevista ao Sul21, Roberto Liebgott, coordenador do Conselho Indigenista Missionário – Cimi-Sul, fala sobre a dura realidade das comunidades indígenas no Estado, reduzidas hoje aos povos Guarani, Kaingang, Charrua e Xokleng. Além da luta pela demarcação de áreas de ocupação tradicional, os povos indígenas enfrentam preconceito, racismo e a oposição de setores ligados ao agronegócio que tentam transformá-los em inimigos dos pequenos agricultores, especialmente na região Norte do Estado. Liebgott chama a atenção ainda para a dramática realidade de milhares de indígenas que vivem acampados em margens de rodovias.

“Há pelo menos 22 acampamentos  no Estado, onde alguns milhares de indígenas vivem uma grave situação de moradia, saneamento básico, assistência em saúde e educação. Essa é uma realidade dolorosa e devastadora para o nosso Estado, um Estado que se diz economicamente importante e intelectualmente avançado”, diz o coordenador do Cimi. (Íntegra da entrevista)

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Uma ideia sobre “Marcas do genocídio que acompanhou a criação do Rio Grande do Sul seguem presentes

  1. Ronald Kaingang

    Li a entrevista e gostei dos argumentos, mas não conseguirei descansar enquanto não comentar.
    Os gaúchos gostam de se tratar por chê e sequer tem lembrança do que isso significa. Nunca ouviram falar do povo Mapuche nas escolas… Assim como nós, kaingangs, o povo mapuche, também conhecido como araucanos, vive na araucania. Ou seja, tem sua cultura ligada a araucária. Os grupos localizados entre os rios Biobío e o Toltén (atual Chile) conseguiram resistir com êxito aos conquistadores espanhóis na chamada Guerra de Arauco, uma série de batalhas que durou 300 anos, com longos períodos de trégua. A coroa de Espanha reconheceu a autonomia destes territórios em 1641, por meio do Tratado de Quilín. Mas as oligarquias rurais locais se uniram e declararam a independencia do Chile e da Argentina. Ato continuo, dividiram o territória mapuche e os atacaram. Obrigaram os a viver em reservam, como fizeram conosco no Brasil com a diferença de que Portugal nunca havia assinado nenhum tratado de paz. Ma-pu-che, a autodenominação desse povo, significa “gente da terra”, sendo que CHE significa gente e GAUCHO quer dizer “homem solteiro”. Por fim é importante saber disso para não se confundir com GUACHO, que em mapundungum (o idioma mapuche) filho sem mãe…
    A questão indígena não é exclusiva do Brasil, nem da América. Os Jogos Mundias dos Povos Indígenas, ocorridos em 2015, mostraram isso. Povos originários do mundo todo participaram e o conflito pela terra e por direitos é um relato constante. O mundo “civilizado” criou um pensamento ideológico que julga hegemônico e verdadeiro, que se impõe como o avanço e considera as antigas culturas e nações como atraso. Será?

    Resposta

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