MST denuncia prisão de militante em Veranópolis pela Polícia de Goiás

Segundo MST, José Valdir Misnerovicz foi preso dia 30, em Veranópolis, numa operação desencadeada pela Polícia Civil de Goiás articulada com a Polícia do Rio Grande do Sul. (Foto: Facebook/Reprodução)

Segundo MST, José Valdir Misnerovicz foi preso dia 30, em Veranópolis, numa operação desencadeada pela Polícia Civil de Goiás articulada com a Polícia do Rio Grande do Sul. (Foto: Facebook/Reprodução)

A direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Goiás divulgou nota oficial nesta quarta-feira (1°) denunciando a prisão do militante José Valdir Misnerovicz, em Veranópolis (RS), numa operação desencadeada pela Polícia Civil de Goiás articulada com a Polícia do Rio Grande do Sul. A prisão ocorreu na segunda-feira (30), quando Misnerovicz estava em Veranópolis. Segundo o MST, essa prisão ocorre “no contexto de recrudescimento das forças conservadoras, perseguição aos movimentos de luta democrática e instauração de um clima de criminalização dos seus militantes” no Estado de Goiás.

A delegacia de Polícia de Veranópolis confirmou a prisão, mas não quis fornecer maiores informações sobre a operação, dizendo que isso ocorrerá por meio da chefia de Polícia do Estado do Rio Grande do Sul “nos próximos dias”. O departamento de Comunicação da Polícia Civil gaúcha afirmou ao Sul21, na tarde desta quarta-feira, que ainda não tinha informações sobre o caso.

Natural de Alpestre (RS), Graduado em Geografia (Licenciatura e Bacharelado) pela Universidade Estadual Paulista Mesquita Filho, José Valdir Misnerovicz atua nos movimentos sociais do MST e Via Campesina nacional e internacionalmente exercendo funções de articulador político e de organização de base. Também é membro do coletivo internacional da campanha global permanente pela reforma agrária da Via Campesina e já integrou a equipe nacional permanente do MST de negociação com o Governo Federal.

No dia 14 de abril, o juiz Thiago Brandão Boghi, da Comarca de Santa Helena, município da região de Rio Verde (GO), requereu a prisão de quatro militantes do MST, sob a alegação de que os mesmos fariam parte de uma “organização criminosa”. Segundo o MST, o juiz e a polícia emitiram intimações para depoimento, a fim de atrair os militantes à delegacia, de onde seriam levados presos. O agricultor Luiz Batista Borges, integrante do acampamento Padre Josimo Tavares, foi preso ao se apresentar na delegacia de Rio Verde. Os militantes Natalino de Jesus, Diessyka Lorena e Valdir Misnerovicz não foram localizados na ocasião.

Ainda segundo o MST, esta é a primeira vez que o movimento é criminalizado com base na lei 12.850/2013, que diz respeito às organizações criminosas. Na avaliação do movimento, esta lei, supostamente criada para atuar contra lavagem de dinheiro e trafico, pode ser considerada a “legitimação de um verdadeiro estado de exceção”. Com base nela, os inquéritos correm sigilosos e podem contar com delação premiada, infiltração de agentes, quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico e escuta ambiente, entre outras medidas. No dia 20 de maio, a direção do MST de Goiás divulgou nota denunciando a criminalização dos movimentos sociais que estaria em curso naquele Estado.

Gilvan Rodrigues, da direção do MST de Goiás, denunciou a existência de um “pré-estado de sítio em Goiás”. “Sabemos que as tropas estão em prontidão, mas para atuar contra os movimentos sociais”, afirmou, apontando o contexto de quebra institucional em curso, com o golpe em nível federal. Gilvan citou a movimentação de tropas militares no estado, por determinação do Governador para que ficassem aquarteladas e “de prontidão para eventuais conflitos”.

Confira a íntegra da nota divulgada nesta quarta pela direção do MST de Goiás:

NOTA DO MST-GOIÁS SOBRE A PERSEGUIÇÃO POLÍTICA AOS LUTADORES DA REFORMA AGRÁRIA

O MST no estado de Goiás vem a público denunciar a escalada da repressão contra a luta pela terra. Na segunda-feira (30/05), o intelectual e militante pela Reforma Agrária José Valdir Misnerovicz que se encontrava em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, foi surpreendido por uma operação articulada entre a Polícia Civil do Rio Grande do Sul e de Goiás para sua prisão. Esse fato soma-se a prisão do agricultor Sem Terra Luiz Batista Borges que está recluso no Centro de Prisão Provisória em Rio Verde desde o dia 14 de abril, alvo do mesmo processo que busca criminalizar o MST o enquadrando como organização criminosa, com base na Lei 12.850/2013.

Acusamos o poder judiciário e as forças policiais de Goiás de realizarem uma evidente perseguição política contra a justa luta popular pela Reforma Agrária. A tentativa das forças reacionárias do estado, articuladas também pelos senadores Eunício de Oliveira (PMDB/CE), Ronaldo Caiado (DEM/GO), pelo Secretário de Segurança Pública de Goiás, José Elinton Junior e por parcela do Judiciário goiano é de tornar ilegal a luta pela terra no estado. Compreendemos estes fatos como uma movimentação das forças conservadoras deflagradas pelo golpe federal, inaugurando um novo período de repressão e criminalização graves contra os movimentos populares.

Afirmamos que essas ações, contudo, fracassarão! As organizações, movimentos, entidades, juristas e intelectuais progressistas tem manifestado profunda solidariedade contra essa ofensiva do latifúndio e do agronegócio. As famílias Sem Terra não retrocederão um passo sequer. Ao contrário, manterão a luta contra a concentração de terra e pela justiça social em Goiás.

(*) Publicado originalmente no Sul21.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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