Desigualdade e corrupção

Sérgio Gischkow Pereira, desembargador aposentado. (Foto: Divulgação)

Sérgio Gischkow Pereira, desembargador aposentado. (Foto: Divulgação)

Por Sérgio Gischkow Pereira (*)

É inacreditável  deva principiar este texto afirmando que a corrupção deve ser combatida com todos os meios legais,  sem diferenciação entre os partidos (!).  Por que proclamar tal  obviedade? Porque, na  irracionalidade que prevalece hoje no debate político, não faltará alguém para  dizer que, como considero a preocupação com a igualdade muito mais importante, isto decorre de  despreocupação com os corruptos.

É doloroso suportar a constante assertiva de que a corrupção é o maior problema brasileiro. Evidente que não é. Mais uma vez se está enganando o povo. Corrupção é caso de Polícia, de Ministério Público e de Poder Judiciário. Só quem não acompanha qualquer espécie de noticiário, não percebe a corrupção explodindo no mundo inteiro. E não digam mais que nossos grandes corruptos não são punidos.

O grande problema nacional é a desigualdade social e econômica. Dar ênfase excessiva à corrupção é tentar ocultar da população aquilo que é muito mais grave. Esta técnica foi empregada contra Getúlio (1954) e Goulart. Não houve corrupção nos governos militares e de FHC? A desigualdade brutal não permite a igualdade de oportunidades, a igualdade de educação, a alimentação adequada, a igualdade no acesso à saúde, à moradia decente, ao salário digno, etc .  É a desigualdade que gera a criminalidade que infesta nossas ruas e residências diariamente. Os crimes dos que estão bem de vida têm outras causas, que não há espaço para aqui examinar.

Aliás, parece que o desespero por um rápido impeachment visa segurar a Lava Jato, antes que apanhe os políticos de quase todos os partidos. Quanto ao povo, deve se manifestar nas ruas também pela vinda do imposto sobre as grandes fortunas (está na Constituição Federal), pela efetividade da participação dos trabalhadores nos lucros e na gestão das empresas (também está), contra a flexibilização das leis trabalhistas, contra uma carga tributária que mais afeta  pobres, pelo aumento do imposto sobre as heranças, pela celeridade da reforma agrária, pela feitura de uma justa reforma urbana, contra os altos juros e o decorrente rentismo desenfreado e outros temas assemelhados.

(*) Desembargador aposentado

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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