Quem morre nos “confrontos” com a polícia militar?

Elton Brum da Silva foi assassinado pelas costas, com um tiro de fuzil, por um policial militar, durante a execução judicial de um mandado de reintegração de posse, no dia 21 de agosto de 2009, em São Gabriel.

Elton Brum da Silva foi assassinado pelas costas, com um tiro de fuzil, por um policial militar, durante a execução judicial de um mandado de reintegração de posse, no dia 21 de agosto de 2009, em São Gabriel.

“Confronto entre PM e sem terras deixa dois mortos no Paraná”: essa foi a manchete corrente na maioria dos portais no final da tarde desta quinta-feira. São curiosos os “confrontos” entre movimentos sociais e a Polícia Militar. Na esmagadora maioria dos casos, os mortos nestes “confrontos” estão sempre do mesmo lado: o dos movimentos sociais. Entre esses “confrontos” contabilizam-se fuzilamentos pelas costas, como o que vitimou o sem terra Elton Brum, no dia 21 de agosto de 2009, no interior do Rio Grande do Sul. Elton foi assassinado pelas costas com um tiro de espingarda calibre 12. Em um primeiro momento, oficiais da Brigada Militar declararam que Elton tinha sido vítima de um “mal súbito”. A mentira não durou muito tempo, com a confirmação, pelo hospital de São Gabriel, que o “mal súbito” tinha sido de chumbo.

Em outro “confronto” com a polícia militar, no dia 30 de setembro de 2005, o sindicalista Jair Antonio da Costa, de 31 anos, foi morto por asfixia, por policiais militares, durante um protesto de sapateiros contra a crise no setor coureiro-calçadista, em Sapiranga. Durante a manifestação, Jair Antonio da Costa foi jogado no chão e agredido por policiais militares. O resultado preliminar do exame de necropsia no corpo do sindicalista revelou que ele foi vítima de asfixia mecânica, provocada por contusão hemorrágica de laringe e traumatismo cervical. Cinco policiais que participaram da agressão foram afastados temporariamente de suas funções. Jair da Costa chegou ao Hospital Beneficente Sapiranguense com parada cardiorrespiratória, escoriações nos joelhos, no ombro esquerdo e com a pele roxa. Os médicos tentaram reanimá-lo durante uma hora, sem sucesso. Testemunhas relataram que Costa foi perseguido, derrubado no chão e algemado pelos policiais. Seus companheiros de sindicato disseram que ele foi espancado e asfixiado com um cacetete.

Até hoje, os autores das mortes de Jair da Costa e Elton Brum não foram julgados.

Nesta quinta-feira, mais um “confronto” com a polícia militar acabou com mortes de sem terra. Horas depois dos assassinatos, a PM do Paraná dizia que não admitiria “represálias” por parte dos sem terra. Claro que não. A tradição destas forças de segurança é exigir que os movimentos sociais, em situações de “confronto”, apanhem e morram calados.

Um dia antes do assassinato dos sem-terra no Paraná, o presidente do PT da cidade de Mogeiro, no agreste paraibano, Ivanildo Francisco da Silva, foi assassinado com um tiro de espingarda calibre 12 dentro de casa, no assentamento Padre João Maria. O assassinato ocorreu por volta das 22h, mas o crime só foi descoberto quinta pela manhã, quando sua mulher voltou da casa do pai e encontrou o marido morto ao lado da filha de um ano. “Ele foi executado na presença de uma filha de um ano e um mês, que passou a noite inteira ao lado do corpo”, disse o deputado estadual Frei Anastácio (PT).

Mais um “confronto”, com as vítimas de sempre…

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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