8 de março: a vida, a terra, a esperança e a justiça são mães

Foto: MPA/Divulgação

Foto: MPA/Divulgação

Jacques Távora Alfonsin

No exato momento em que você, leitor/a, passar os olhos sobre este texto, estão nascendo em média 3 novas vidas humanas por segundo, no mundo todo, 180, se contadas por minuto. Os dados são da ONU e atestam que a o amor pela vida e a sua reprodução ainda não se deixou vencer pela advertência de na terra não haver mais espaço para ninguém.

No dia internacional da mulher, ela nos dá essa importante lição. Um ser que abriga no próprio corpo, durante nove meses, uma outra vida humana, ensina como deve ser fecunda e íntima a alteridade, o amor pela/o outra/o. Cada nascimento necessita do seio que alimenta, da acolhida que abriga, do cuidado que não perde a paciência, persevera nas adversidades. faz o milagre diário do carinho que não cansa. Desde a doação sem reservas, o gosto pela convivência segura, pacífica, tranquila, própria da coragem incondicional para enfrentar qualquer ameaça, doença, desânimo, dúvida, hesitação, contrariedade, não se desvia da aparente mas sempre dolorosa impressão de falta de perspectivas para solução das inevitáveis dificuldades inerentes à fragilidade dos seres humanos.

É que, embora a nova vida abra a possibilidade infinita de novos amores, novas liberdades, novas alegrias, novos sentidos e prazeres, ela necessita de tempo e de lugar. Esses precisam se adaptar à ela e a garantia da partilha de ambos envolve três outras mulheres mães – a terra, a esperança e a justiça.

Se a mãe terra já está apropriada por um número de vidas indiferentes às novas, ou até desejosas de ampliar o espaço que já ocupam, com capacidade econômica para isso, vai faltar lugar para as novas, vai faltar até casa e comida para elas.

É a hora do sangue do parto, circulando na nova vida, passar a correr nas duas outras mulheres mães. A mãe esperança não se deixar abater e a mãe justiça não se deixar prorrogar. A primeira fornece o sangue de não permitir o tempo e o espaço ser negado a qualquer vida e a segunda o sangue da dignidade, incompatível para ser usado na transfusão em favor da injustiça, necessitada de poder e força para dominar e oprimir.

Não vai faltar alguém que prefira essa acomodação e até recorde ter sido em defesa da mãe justiça que mais de uma centena de mulheres morreram queimadas por reivindicarem o direito a melhor condições de vida, acontecimento lembrado a cada 8 de março.

Quem assim procede não conhece direito nenhuma dessas mulheres mães, a vida, a terra, a esperança, e a justiça. O que há de comum entre elas, por sua própria condição feminina, é justamente amarem sem medida a humanidade toda, pois não existe um só ser humano ou de natureza que elas não tenham parido.

Se todas essas vidas são suas filhas, nem a perspectiva da morte, em defesa delas, lhes retira a disposição de correrem o risco. Se hoje essas filhas e filhos se encontram divididas/os e separadas/os até pelo ódio e pela fortuna, isso lhe dói muito e entristece, mas não lhe retira a disposição de ver toda a sua vida amorosa refletida na partilha suficiente da terra para todas/os, na esperança indormida de conviverem fraternalmente e na justiça garantida de a paz ser alcançada como seu principal fruto. Mesmo ao custo do sangue.

Salve 8 de março, dia internacional da mulher.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s