Governo Sartori aprova na Assembleia reajuste do salário mínimo abaixo da inflação

Sindicalistas protestaram contra proposta do governo Sartori, advertindo que ela vai provocar mais estagnação na economia gaúcha e penalizar trabalhadores mais vulneráveis. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Sindicalistas protestaram contra proposta do governo Sartori, advertindo que ela vai provocar mais estagnação na economia gaúcha e penalizar trabalhadores mais vulneráveis. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A base aliada do governo José Ivo Sartori (PMDB) conseguiu aprovar nesta terça-feira, por 38 votos a 3, (1) a proposta de reajuste de 9,6% do salário mínimo regional, encaminhada pelo Executivo à Assembleia Legislativa. A proposta aprovada é inferior ao reajuste da inflação no período, que ficou na casa dos 11,31%. A oposição decidiu apoiar uma emenda apresentada pelo deputado Elton Weber (PSB) que propôs a manutenção do reajuste de 9,61% agora e mais um acréscimo de 1,55% em 1° de maio, assegurando ao menos a reposição da inflação.

A base governista, no entanto, conseguiu aprovar requerimento de preferência apresentado pelo deputado Alexandre Postal (PMDB), líder do governo Sartori na Assembleia, definindo que as emendas não seriam analisadas. A votação do requerimento de Postal terminou empatada, com 25 votos a favor e 25 contra. A presidenta da Assembleia, Silvana Covatti (PP), exerceu o voto de minerva, em favor da proposta do governo. Quatro deputados não participaram dessa votação: três do PTB (Aloísio Classmann, Luiz Augusto Lara e Maurício Dziedricki) e um do PP (Adolfo Brito).

A aprovação do requerimento de Postal, suprimindo o debate das emendas apresentadas, provocou o protesto de representantes de sindicatos e centrais sindicais que estavam nas galerias da Assembleia. A bancada da oposição também protestou contra a decisão e as bancadas do PT e do PSOL resolveram não participar da votação. Logo após a aprovação da proposta do Executivo, a deputada Stela Farias (PT) disse que, ao aumentar impostos e promover a maior redução do salário mínimo regional em 13 anos, o governo Sartori vai paralisar a economia gaúcha. Jeferson Fernandes, também do PT, observou que é a primeira vez, desde que foi criado o salário mínimo regional, que um governo envia à Assembleia uma proposta de reajuste que sequer repõe a inflação. Na mesma linha, o deputado Pedro Ruas (PSOL) lamentou que o governo do Estado, depois de aplicar uma política de arrocho contra os servidores públicos, arroche agora também os trabalhadores que recebem salário mínimo com um reajuste abaixo da inflação.

As centrais sindicais reivindicavam um reajuste de 11,68%, o mesmo índice anunciado em janeiro pela presidenta Dilma Rousseff para o salário mínimo nacional. Lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e de outras entidades sindicais passaram o dia na Assembleia tentando convencer os parlamentares a aprovar um índice superior ao apresentado pelo Executivo. Mas a base do governo Sartori fechou com a proposta e tratou de impedir a avaliação da emenda de Elton Weber, avaliando que ela poderia causar a derrota do projeto enviado pelo governador.

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo também chamou a atenção para os efeitos do reajuste do mínimo regional para a economia do Estado. Segundo Nespolo, trata-se de um instrumento de distribuição de renda, de aquecimento da economia e de redução das desigualdades. Esse reajuste, defendeu o sindicalista, já deveria estar vigorando desde o dia 1° de fevereiro, data-base do mínimo regional. “Os trabalhadores gaúchos serão penalizados, perdendo para a inflação”, advertiu. O dirigente da CUT anunciou após a votação que as entidades sindicais farão uma denúncia pública para expor os nomes dos deputados que votaram contra os trabalhadores e os que faltaram à votação.

Guiomar Vidor, presidente da CTB-RS, também criticou a proposta aprovada na Assembleia, dizendo que nada justifica um reajuste inferior à inflação do período, uma vez que os empresários e o governo já repassaram esses índices aos produtos, serviços e impostos. “É uma desconsideração do governo com os mais de 1,3 milhão de trabalhadores que dependem desse reajuste”, afirmou Vidor.

(*) Publicado originalmente no Sul21

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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