MST cobra do governo federal agilidade na reforma agrária

Durante o encontro, Patrus Ananias usou o boné do MST e ouviu a cobrança do Movimento para o governo federal agilizar a desapropriação de novas áreas para assentar as 2,3 mil famílias que vivem em acampamentos no RS. (Foto: Leandro Molina)

Durante o encontro, Patrus Ananias usou o boné do MST e ouviu a cobrança do Movimento para o governo federal agilizar a desapropriação de novas áreas para assentar as 2,3 mil famílias que vivem em acampamentos no RS. (Foto: Leandro Molina)

Por Catiana de Medeiros (*)

Dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul se reuniram na tarde de terça-feira (2) com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, em Candiota, na região da Campanha, para tratar sobre a reforma agrária no estado. A agenda aconteceu na sede da cooperativa de sementes agroecológicas Bionatur, localizada no Assentamento Roça Nova, com a presença de assentados, acampados, lideranças e autoridades regionais.

Durante o encontro, Patrus Ananias usou o boné do MST e ouviu a cobrança do Movimento para o governo federal agilizar a desapropriação de novas áreas para assentar as 2,3 mil famílias que vivem em acampamentos no RS.

“Conforme levantamento do MST, existem cerca de 300 fazendas hipotecadas no Brasil. São estas áreas que precisam ser garantidas para a reforma agrária”, disse o deputado estadual Edegar Pretto (PT), que participou do encontro com o ministro.

Os assentados também apresentaram demandas na área de infraestrutura. De acordo com os Sem Terra, cerca de 80% dos assentamentos da região da Campanha não tem água potável ou de boa qualidade para o consumo humano, além de sofrer com problemas nas estradas, que dificultam o escoamento da produção, sobretudo a leiteira, e o transporte escolar.

Os dirigentes do MST ainda cobraram apoio do governo federal para ampliar experiências orgânicas e agroecológicas que já são realizadas nos assentamentos e pediram a implantação de novos cursos via Programa Nacional de Educação na reforma agrária (Pronera) no estado.

“Queremos continuar e manter nossos filhos no campo, mas para isto não basta ter terra para produzirmos alimentos saudáveis. Nós também precisamos de moradia, educação, centros comunitários e ter condições para continuar a nossa luta”, afirmou Vicente Willes, da direção estadual do MST.

Após ouvir os assentados e receber a pauta de reivindicações, Patrus Ananias falou sobre a relação franca e de diálogo que o MDA procura manter com os movimentos sociais, admitiu que a reforma agrária está aquém do planejado em 2015 e prometeu “dar uma atenção especial” este ano à situação das famílias Sem Terra.

Para o dirigente nacional do MST pelo RS, Ildo Pereira, é importante que o ministro faça esse reconhecimento dos problemas da reforma agrária. “A avaliação do Movimento é que precisamos, acima de tudo, que haja disposição do governo federal para novos assentamentos, e se for preciso travaremos lutas mais radicais para que de fato ocorra este avanço”, declarou.

Patrus Ananias finalizou dizendo que fazer reforma agrária e pagar preço de mercado por terra improdutiva para assentar os Sem Terra não é tarefa fácil. “Mas se queremos investir na agricultura familiar temos que superar isso de forma serena e madura e assentar as famílias em condições dignas”, concluiu.

Bionatur

Antes da reunião, os assentados apresentaram ao ministro a estrutura da Bionatur que, além de atuar no estado gaúcho, também está presente em Minas Gerais (MG). Segundo o coordenador Alcemar Inhaia, a meta até 2018 é expandir a experiência agroecológica para Santa Catarina e Paraná, e aumentar para 8 toneladas a produção de sementes – atualmente, são produzidas 4 toneladas. Neste sentido, também está sendo ampliada a Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS). No RS, 150 famílias das regiões Sul, Campanha e Missões estão envolvidas nos trabalhos da cooperativa. Já em Minas Gerais, são cerca de 40 famílias.

(*) Jornalista do MST.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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