O riso e o escárnio de Bolsonaro

leticiapereznova

(*) Ativista dos direitos humanos, da democratização da comunicação e de muitas outras causas, Leticia Perez, junto com sua esposa Kátia, foi pioneira na conquista da regulamentação do casamento igualitário em todo o Brasil. No final de 2011, após o STF reconhecer a união estável homoafetiva, Leticia e Kátia obtiveram uma vitória histórica: ganharam a ação em que o STJ reconheceu o casamento civil do casal, abrindo um precedente que culminou, em 2013, com a regulamentação do casamento igualitário em todo o Brasil. Leticia perdeu a batalha contra o câncer na última sexta-feira, mas suas palavras seguem presentes nas lutas que enfrentou e que permanecerão atuais por muito tempo. Esse texto foi publicado originalmente em 11/12/2014, no RS Urgente. Republicamos aqui como uma pequena homenagem a Leticia.

 “O homem é grotesco, a condição humana é grotesca”
Georges Minois

Jair é um sujeito que gosta de fazer do riso, da ironia e do escárnio ferramentas do seu plano macarrônico de poder.

No medievo o riso aparecia como um aparelho de supressão do outro, para que os sujeitos através da ironia pudessem consolidar preconceitos e construir uma sociabilidade por exclusão.

A ironia dos bufões fazia com que se instaurassem tragédias. Não havia comédia, apenas a violência e o escárnio.

Há o riso da alegria, do prazer e da liberdade. Mas, o riso de Jair é grotesco como o de Roma no século I. Não é uma mera brincadeira, ele tem o propósito de gerar mal estar, inquietação e até medo. Maria do Rosário sabe disso. Ela acerta quando afirma que as falas e atitudes de Jair são técnicas de submissão do outro, usadas na ditadura.

O contraponto se faz ao entendermos que esta atuação grotesca é digna de um bufão que ao rir (sorrir) o faz de si mesmo, de seus pares, de seu país. Tal como nos mosteiros da idade média, esse cacarejo estúpido não apenas rompe o silêncio simbólico do tema ( imposto por uma sociedade machista estúpida e patriarcal que depende do falo para se auto definir), mas torna visível o terrível ruído daqueles que, ao hesitarem de se posicionar criticamente, se comportam como animais adestrados em um circo de horrores. São assim os deputados e seus partidos (PMDB, PP, PSD, PSC, DEM, PDT, PTB e etc)

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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