Trinta Anos Estes Dias

Em 1985, com a candidatura de Raul Pont, PT ultrapassou a marca dos dois dígitos em Porto Alegre. Quatro anos mais tarde, conquistaria a prefeitura com Olívio Dutra e Tarso Genro.

Em 1985, com a candidatura de Raul Pont, PT ultrapassou a marca dos dois dígitos em Porto Alegre. Quatro anos mais tarde, conquistaria a prefeitura com Olívio Dutra e Tarso Genro.

Saulo Bartini

Talvez porque o mundo esteja muito louco e terrivelmente convulsionado é possível deixar sem registro uma data muito significativa ao menos para alguns milhares de nós que fizemos uma opção de esquerda.

Há trinta anos e alguns dias – no 15 de novembro de 1985 – Porto Alegre dava mais de 10% dos votos para o PT na eleição à Prefeito de Porto Alegre. Pela primeira vez rompíamos a barreira dos dois dígitos. Ultrapassamos o partido da ditadura e chegamos em terceiro lugar numa eleição ganha por Alceu Collares, do PDT. Collares venceu, nós comemoramos. O PT dava o primeiro grande passo concreto para disputar a hegemonia da capital. E aqueles milhares de nós que cantávamos e comemorávamos o terceiro lugar e aqueles suados 68.429 votos.sabíamos que algo muito potente estava nascendo. O PT mostrava-se viável para além dos movimentos sindical e popular. O partido da estrela começava a galvanizar setores médios, lideranças sindicais e comunitárias.

Iniciava-se naquele momento eleitoral uma trajetória que levou à conquista da Prefeitura de Porto Alegre, do Governo do Estado e à incorporação na máquina pública de milhares de militantes sociais. Muitas experiências, políticas e projetos foram gestados e ganharam vida Brasil e mundo afora. Notadamente o Orçamento Participativo implantado anos depois na gestão Olívio Dutra em Porto Alegre.

E, talvez, ali também tenha nascido o caminho sinuoso que hoje cobra o seu preço. O processo eleitoral se mostrava permeável. Era possível disputar e ganhar nacos do poder oferecido pela política institucional. E por aí – majoritariamente – fomos milhares de nós. Pelo Rio Grande e pelo Brasil afora houve sem dúvidas grandes e importantes experiências administrativas que melhoraram a vida de milhões de brasileiros e que nos trouxeram até aqui. Aquele projeto que em 1985 começava a ganhar forma exerceu tal magnetismo que somente 30 anos depois parece dar sinais de esgotamento.

Não tomamos o poder, é fato. Mas trouxemos para a política temas que até hoje pautam o debate nacional e internacional: direitos das mulheres, negros, sexualidade, meio ambiente, participação popular, distribuição de renda, universalização da saúde e da educação.
Nestes 30 anos e alguns dias não houve nenhuma derrota política que significasse um retrocesso definitivo. Mas hoje aquele projeto de Partido que nasceu em 1982 e se mostrou viável em 1985 está sob ataque. Sofrendo seus piores percalços.

O futuro está em aberto. Mas enganam-se os que pensam que o PT está morto. Mesmo que semi-destruído, fragilizado e incapaz de se manter hegemônico eleitoralmente o PT permanecerá como um espectro que atua sobre nossas vidas e estará presente e será significativo por um longo período. Porque a potência social galvanizada e liberada pelo PT na vida política nacional dificilmente será reaglutinada em outras legendas. Quem viver verá.

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