Em protesto, esposas de brigadianos “passam o chapéu” em frente ao Palácio Piratini

“Para escancarar a situação dramática vivida pelos servidores, as manifestantes passaram literalmente o chapéu para motoristas que passavam diante do Palácio Piratini”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

“Para escancarar a situação dramática vivida pelos servidores, as manifestantes passaram literalmente o chapéu para motoristas que passavam diante do Palácio Piratini”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

– Olha, pai! Consegui 50 reais!

O anúncio feito pela menina ao pai, um integrante do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar que acabara de desembarcar da viatura, em frente ao Palácio Piratini, ilustra a situação vivida pelos servidores públicos do Rio Grande do Sul nesta segunda-feira (31), quando foi confirmado um novo e mais drástico parcelamento de salários pelo governo do Estado. Cada servidor público recebeu 600 reais. O restante do salário deverá ser pago em até quatro parcelas ao longo do mês, conforme anúncio feito pelo governador José Ivo Sartori (PMDB).

Desde o início da manhã, quando Sartori fez o anúncio do novo parcelamento em uma coletiva de imprensa, um grupo de esposas de servidores da Brigada Militar organizou uma manifestação de protesto em frente ao Palácio. Com faixas, cartazes, apitos, buzinas e bonecos, elas protestaram contra as medidas do atual governo para o funcionalismo público. Esposas, filhas, mães e avós de servidores da Brigada passaram o dia em frente à sede do Executivo gaúcho, na Praça da Matriz, protestando e pedindo o apoio da população. Para escancarar a situação dramática vivida pelos servidores, as manifestantes passaram literalmente o chapéu para motoristas que passavam diante do Palácio. No final da tarde, o protesto ganhou ares de buzinaço em frente ao Palácio, com muitas manifestações de apoio.

“Estamos aqui desde às oito horas da manhã para acompanhar o pronunciamento do governador Sartori e para protestar contra esse parcelamento de 600 reais. Tem muita gente que hoje foi ao banco e não tinha nem esse valor. Tem gente que recebeu 100 reais e outros que não receberam nada por causa dos empréstimos e do Banricompras. O nosso desespero hoje aqui é muito grande”, disse Claudete Valau, presidente da Associação das Esposas e Policiais Femininas de nível médio da Brigada Militar. “Quem está aqui hoje são as mães dos filhos dos brigadianos. A gente não sabe nem o que vai colocar na mesa para os nossos filhos. Sem falar do aluguel, da luz, da água, do gás. No caso de quem paga aluguel, eu tenho certeza que o dono do imóvel vai até aguentar um mês, mas no segundo ele já vai começar a chiar”, acrescentou.

Claudete Valau observou que o segundo parcelamento acabou agravando a situação vivida no mês anterior, quando o pagamento de várias contas já havia sido atrasado. “Pagamos algumas contas com juros. Agora de novo. Isso é uma bola de neve que vai aumentar cada vez mais. Como é que fica? Nossos maridos receberam menos de um salário mínimo, numa falta de respeito absurda por parte do governo. 600 reais é piada, né?”. A presidente da Associação definiu como “clima de velório” o ambiente dominante nos quarteis nesta segunda-feira:

“A coisa está terrível. Hoje eu vim pra cá com o coração na mão. Nós passamos por dois colegas que sabiam que a gente vinha estava vindo para o Palácio, e eles choraram na nossa frente. Eles disseram para nós: ‘Dona Claudete, a gente está desmotivado para trabalhar. O clima é de velório dentro dos quarteis. A gente não sabe o que fazer. A vontade é de nem sair para as ruas, mas se a gente fizer isso, temos que responder aos nossos superiores”.

(*) Publicado originalmente no Sul21

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