Feminicídio e a morte de Peterson

Em solenidade no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff sanciona a Lei do Feminicídio (Valter Campanato/Agência Brasil)

Em solenidade no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei do Feminicídio (Valter Campanato/Agência Brasil)

Leticia Perez

Ódio é ódio. Não façamos de conta que a gente não vê. Um homem quando espanca, estupra e mata mulheres (muitas vezes filhas e companheiras) é uma criatura sem remorso que beira a bestialidade. A violência, muitas vezes é alimentada com pequenas doses de um combustível inflamável que vai se acumulando e corroendo o que havia de humano no agressor. Tal combustível vem de casa (do exemplo ou da falta dele), das ruas, de uma cultura (como no caso da Índia) e, sobretudo, da sociedade midiática. Não posso afirmar que apenas razões externas fazem de um sujeito um agressor. Há razões internas que variam de patologias psiquiátricas à disfunções orgânicas (como no caso dos psicopatas). Mas há na vida real um grande impeditivo: a certeza da punição.

No dia em que comemoramos a sanção da Presidenta Dilma da Lei do Feminicídio, choramos a perda de um menino que morreu por um crime bárbaro de ódio e homofobia. Estes dois fatos nos dizem muito sobre o paradoxo que é o Brasil hoje.

Tenho fé de que muitas vidas de mulheres serão salvas com a nova lei. Tenho orgulho deste avanço que ajuda a desconstruir a sociedade machista e patriarcal que subjuga mulheres, crianças e diferentes ao patamar de coisa, de propriedade, de objeto e de descarte.

Tenho medo de ser LGBT e de ter família num país que se nega a assumir as mortes e violência por homofobia. Medo de que, assim como Peterson, os meus sofram violência simplesmente porque eu existo.

O meu medo não me paralisa. O meu medo me move. Sigo na luta. Sigo acreditando que podemos mudar isso. Eu e minha esposa já demos o primeiro passo quando pela primeira vez na história do Brasil foi concedida uma autorização para casamento pelo Estado brasileiro, que depois propiciou que todos os cartórios do país pudessem realizar casamentos homoafetivos.

Acredito na democracia, na liberdade e no Brasil por isso luto e faço uso de tudo o que o estado de direito me deve.

Por fim, sei que venceremos. Porque o tempo, o tempo não para.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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