A falácia de David Coimbra (sobre como as descrições não andam soltas rolando pelo mundo)

pedras21

David Coimbra saiu em defesa de Paulo Santana e partiu para o ataque contra quem se indignou com o artigo “O céu de Punta”. Para David Coimbra, Santana teria feito apenas uma descrição ao dizer que “não há negros em Punta”. A descrição seria a seguinte:

“Finalmente, é incrível, mas não há sequer um negro em Punta del Este. A 150 quilômetros de Punta, em Montevidéu, há milhares de negros. Mas em Punta nenhum empregado, nenhuma empregada doméstica negra, nem camareiras de hotel. Foi feita em Punta uma segregação racial pacífica e não violenta. Há mais negros na Dinamarca e na Noruega do que em Punta del Este. Ou melhor, não há sequer um só negro ou uma só negra em Punta.”

Paulo Santana, na opinião de seu colega de RBS, teria sido “mais uma vítima das correntes inquebráveis de ódio das redes sociais”. Mas, além das redes sociais, David Coimbra parece ter outro adversário: a lógica. A sua tese não para em pé por uma simples razão: não se trata de uma “simples descrição”. Ele reproduz o trecho acima sem relacioná-lo com o conjunto do artigo que define Punta del Este como “um paraíso encravado no inferno do Uruguai”. No texto, Santana vai elencando aquelas que seriam algumas das principais delícias desse paraíso: os cassinos, os pêssegos, as ruas e avenidas limpíssimas, as árvores, o trânsito pacífico, a ausência de acidentes de trânsito. E ele encerra a lista, dizendo: “Finalmente, é incrível, mas não há sequer um negro em Punta del Este”.

A indignação provocada pelo artigo de Paulo Santana, portanto, não é resultado das “correntes inquebrantáveis de ódio das redes sociais”, mas sim da estrutura do texto em questão e do significado que ela exala. Em resumo, apresenta Punta del Este como um paraíso, lista algumas das delícias desse paraíso e encerra a lista com a observação sobre a ausência de negros em Punta, observação esta colocada na mesma lista dos pêssegos, cassinos e avenidas limpíssimas. É disso que se trata. Na linguagem, as descrições raramente são inocentes, mas são feitas em um determinado contexto e relacionadas com outras afirmações. Elas não andam soltas rolando pelo mundo, como David Coimbra as apresenta. Punta del Este é um paraíso, possui pêssegos, avenidas e cassinos maravilhosos e, finalmente, não tem negros. Essa é a descrição de Punta apresentada pelo texto de Paulo Santana.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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3 respostas para A falácia de David Coimbra (sobre como as descrições não andam soltas rolando pelo mundo)

  1. O pior de tudo é que ele, paulo santana, é descendente de negros. Mas faz o discurso dos seus patrões da rbsglobo, que não aceitam por norma interna, que se admitam negros nas diretorias de suas empresas.  

  2. Sandra maciel disse:

    Faz tempos que esses vassalos dos Siroskis-acho q é assim q se escreve- perderam a vergonha, agora estão nojentos.A liberdade de imprensa pra eles é liberalidade de ofender, dizer bandalheira e por aí a fora.

  3. Luiz disse:

    Troque “negros” por “judeus” e vamos ver como serão as reações.

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