O susto e os dribles de Sartori

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O governador eleito José Ivo Sartori (PMDB) disse, em entrevista publicada na edição desta quarta-feira (24) do jornal Zero Hora, que está assustado com a situação financeira do Estado. “Sabíamos das dificuldades, mas não sabia que a situação era tão difícil assim. Vai muito além. Acho que mais assustado do que eu está o secretário da Fazenda”. O susto não foi suficiente, no entanto, para Sartori orientar sua base na Assembleia Legislativa a não aprovar a criação de novos gastos para o Estado, como o aumento de salário para governador, vice, secretários e deputados, e a criação de uma aposentadoria especial para deputados. O “assustado” futuro secretário da Fazenda, Giovani Feltes (PMDB), assim como a futura primeira-dama Maria Helena Sartori, também deputada do PMDB, poderiam ter votado contra essas medidas em função da situação financeira do Estado. Mas, neste caso, o susto não foi suficiente.

Durante a campanha eleitoral, Sartori disse mais de uma vez que tinha consciência da realidade financeira do Estado e que sabia o que devia ser feito, o que incluiria, entre outras proezas, ter a capacidade de trocar o pneu com o carro andando, seja lá o que isso signifique no caso da situação financeira do Estado. Mas ainda não foi desta vez que o governador eleito disse o que pretende fazer. Com respostas minimalistas e evasivas, Sartori exercitou a prática daquilo que ele próprio disse a jornalistas da RBS TV alguns dias antes: “Pode perguntar, que não vou responder. Vou driblar”.

O governador eleito fala como se não fosse uma obrigação do governante dizer claramente à sociedade o que vai fazer e o que pretende fazer. Ao justificar a extinção da Secretaria Estadual de Comunicação, Sartori disse que não precisaria de porta-voz, ou seja, supostamente, ele vai se comunicar diretamente com a sociedade. Mas a julgar pela retórica vazia sartoriana exercitada à exaustão na campanha e pelas primeiras entrevistas, a população terá que adivinhar as intenções do novo governo.

Algumas delas, na verdade, já podem ser “adivinhadas”, a julgar pelas primeiras medidas encaminhadas pela base política de Sartori na Assembleia: cortes de secretarias, extinção de políticas públicas (como as executadas pela Secretaria das Mulheres, por exemplo) e aumento dos próprios salários.

Com essas medidas, talvez dê para entender melhor a brincadeira de Sartori com os jornalistas: “Pode perguntar, que não vou responder. Vou driblar”. A questão é saber: quem será driblado, exatamente?

Charge: Kayser

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