O que é governar bem? (para pensar antes de votar)

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Flávio Koutzii

Os grandes governantes são aqueles que, em meio a uma situação de crise, encontram brechas e seguem em frente. Os burocratas, por sua vez, diante da crise, ficam paralisados e não saem do lugar. A eleição deste ano no Rio Grande do Sul está confrontando dois projetos que expressam muito bem essa diferença. O futuro do Estado está diante de um discurso da potência e outro da impotência. Tarso Genro, quando assumiu o governo do Estado em 2011, não ficou reclamando da falta de dinheiro e se conformando em rolar a dívida com a barriga. Ao invés disso, teve a audácia, a coragem e a determinação de tomar medidas para enfrentar a barreira da dívida. Fez, assim, o que define os grandes governantes: descobriu brechas na crise e encontrou um caminho para avançar.

O projeto representado pelo governador Tarso Genro é confrontado hoje por uma candidatura que encarna a paralisia dos governantes burocratas adeptos do Estado mínimo e dos choques de gestão. Os gaúchos e gaúchas ainda tem na memória o desastroso governo de Yeda Crusius (PSDB) que, diante da crise, optou pela paralisia e pelo sucateamento do Estado. É esse o caminho proposto agora também pelo candidato do PMDB, José Ivo Sartori. Não é à toa que os mesmos partidos que sustentaram o governo Yeda, estão juntos agora com Sartori. Em recente conversa com professores, o candidato dessa aliança PMDB-PSDB deixou claro qual seria o seu estilo de governar: “se me derem dinheiro”, poderemos melhorar o salário dos professores. Ora, um bom governante não fica esperando que lhe deem dinheiro, mas vai atrás, encontra brechas e constroi alternativas.

O candidato Sartori vem dizendo também que não é para ficar olhando pelo espelho retrovisor. Ao culto da paralisia, soma-se aqui à aversão pela memória e pelo passado. A busca de alternativas e saídas para crise exige justamente o contrário dessa postura. É preciso olhar para trás e ver como o Estado ficou quando a burocracia neoliberal paralisante tomou conta do governo e como ele avançou, como ocorreu nos últimos quatro anos, quando não parou por causa das dívidas e encontrou novos caminhos. Essa é a diferença entre a potência e a impotência, entre o bom governante e o burocrata, entre a iniciativa e a paralisia.

É nisso que consiste governar bem. Não basta se conformar com uma situação de crise financeira e dizer que, “se me derem dinheiro”, farei alguma coisa. Contra essa postura conformista, o govero Tarso Genro mostrou nesses últimos quatro anos como é possível avançar em meio às dificuldades e não ficar paralisado pela crise. O Rio Grande do Sul passou a crescer acima da média nacional, com um dos menores desempregos do país, investindo pesadamente em tecnologia, em qualificação profissional, no combate à desigualdade, na recuperação dos salários dos servidores e na qualificação dos serviços públicos. O Estado deixou de ficar de costas para o Brasil e assumiu protagonismo internacional. Tarso não ficou esperando que “lhe dessem dinheiro”. Com ousadia, construiu alternativas e trilhou novos caminhos. É fácil dizer “vou manter o que está bom e mudar o que não está”. O que define o bom governante é justamente criar o novo em meio à crise e não ficar sentado, paralisado, aguardando que o dinheiro e as soluções caiam do céu.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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