Sartori não admite que procurem falhas em seu passado: entre a vitimização e a arrogância

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A propaganda do candidato José Ivo Sartori (PMDB) acusa a campanha de Tarso Genro de “vasculhar o passado dele, atrás de falhas”. A estratégia de vitimização anda de mãos dadas com uma arrogância incompatível com um agente público que preza as regras mais básicas do jogo democrático. Qual é mesmo o problema em descobrir falhas de um agente político? Sartori é imune a elas? Apontá-las é um desrespeito ao candidato? Ou será justamente o contrário? Será que não é a interdição do olhar sobre a trajetória de um político a arrogância maior? Ainda mais quando disfarçada de vitimização e embalada pela ausência de propostas concretas.

A vida pública de um agente político não deve ser um livro aberto para que a sociedade “vasculhe” falhas e acertos? Um agente público pode se incomodar que “vasculhem” sua trajetória política e administrativa? Poucas coisas são mais arrogantes em um político q se apresentar como imune a falhas e “denunciar” quem olha para seu passado. Qualquer pessoas que “vasculhar” um pouco da passagem de Sartori pela prefeitura de Caxias, encontrará algumas coisas que poderiam ser consideradas como “falhas” ou, pelo menos, a sociedade deveria ter o direito de avaliá-las. Para isso, é claro, é preciso não interditar esse olhar e não se fazer de vítima quando alguém o pratica.

Vejamos algumas coisas que a propaganda de Sartori não mostra sobre sua passagem pela prefeitura de Caxias e sobre as quais demonstra se sentir ofendido quando alguém ousa mencioná-las:

Perda de recursos da segurança: A prefeitura de Caxias devolveu R$ 646.929,44 à Secretaria Nacional de Segurança Pública, que faziam parte de um programa de desenvolvimentos de ações ligadas à formação e capacitação dos guardas municipais e a prevenção em segurança pública.

Tarifaço da água: Em janeiro de 2009, a prefeitura de Caxias do Sul anunciou um aumento de 116% na tarifa da água, além de aumentar também o número de pagantes da taxa básica. Além de mais do que dobrar a tarifa básica da água, a administração Sartori aumentou o universo de contribuintes obrigados a pagar a taxa. O aumento de 116% tem um agravante. Ela foi maior para quem era mais pobre. Os 116% se deram porque a prefeitura extinguiu as faixas de 5m³ até 9m³ e estabeleceu uma tarifa mínima de 10m³.

O reajuste de 116% foi decretado no último dia útil de dezembro de 2008 pelo então vice-prefeito Alceu Barbosa Velho. O Ministério Público anunciou abertura de investigações sobre o aumento. Diante da forte reação da sociedade, o Executivo foi obrigado a rever o aumento.

Desvio de recursos do Fundo de Recursos Hídricos: Em 12 de dezembro de 2011, por meio da lei nº 7.381, a administração Sartori desvirtuou a utilização de recursos do Fundo Municipal de Recurso Hídricos, destinado exclusivamente à aquisição de áreas estratégicas para manutenção e recuperação das bacias de captação e de futuros mananciais. Esses recursos foram utilizados para o pagamento de juros e amortização, de operações de crédito, contratadas para custear a implantação de sistema de abastecimento público de água.

O Ministério Público ajuizou ação de inconstitucionalidade e, em 2 de abril de 2012, a cobrança foi declarada inconstitucional pelo Pleno do Tribunal de Justiça. O Município entrou com recurso no STF em Brasília, e manteve a cobrança até outubro de 2012. O recurso continua pendente de julgamento.

Cobrança indevida na conta da água: O Ministério Público de Caxias do Sul, ajuizou uma ação junt a 2ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública de Caxias do Sul, que foi julgada procedente condenando o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Samae) e o Município, a devolução dos valores cobrados indevidamente na conta de água dos consumidores, destinados ao Fundo Municipal de Recursos Hídricos, valores estes que importam em mais de R$ 15 milhões de reais. A Prefeitura apelou da sentença, e atualmente o processo está aguardando encaminhamento ao TJ-RS.

Gastos em publicidade – Em 2012, ano em que ocorreram as últimas eleições municipais, em apenas 6 meses a prefeitura de Caxias do Sul gastou mais de 2,2 milhões em publicidade. Esse número é um pouco inferior ao gasto em todo o ano de 2011 (R$ 2,5 milhões) porém é o mesmo que foi gasto durante todo o ano de 2010. O blog Polenta News apresenta o detalhamento desses gastos.

Déficit de mais de 10 mil vagas em creches e pré-escolas: O governo de Alceu Barbosa Velho (PDT) herdou da administração Sartori um déficit de 10,7 mil vagas em creches e pré-escolas. Segundo balanço do Tribunal de Contas do Estado, a cidade precisaria criar 10,7 mil vagas – 6.048 em creches e 4.687 na pré-escola. O problema é maior na pré escola, já que até 2016 os municípios são obrigados a matricular todas as crianças de quatro e cinco anos nesta etapa do ensino. A secretária de Educação de Caxias, Marlea Alves, disse na época que a prefeitura não investia os valores repassados pelo Fundeb nas creches e pré-escolas porque estava usando todo o montante para pagar os servidores da educação.

Falta de negociação na greve dos Médicos: A greve iniciou em abril de 2010 quando o sindicato médico pediu um reajuste salarial de 300%. O governo Sartori optou pela via judicial entrando na justiça pedindo a ilegalidade da greve. Inicialmente a prefeitura ganhou. O sindicato recorreu e suspendeu a liminar e a greve recomeçou em agosto de 2010. Em novembro de 2010 ela foi considera ilegal e a greve foi suspensa. O sindicato médico recorreu e derrubou a decisão da ilegalidade em abril de 2011, quando ela recomeçou. A prefeitura começou a descontar os dias parados em junho de 2011.

Somente com intervenção do MP nas negociações houve a abertura de negociações entre prefeitura e sindicato médico. Só em outubro de 2011 saiu uma primeira proposta, que não foi aceita pela categoria. A proposta final só apareceu em 19 de dezembro e o acordo foi firmado em 27 de dezembro.

A maior consequência da greve foi a superlotação do Pronto Atendimento 24 horas, chamado de Postão. Por decisão judicial os médicos tinha que manter 50% dos profissionais em atendimento nas UBS e 70% na emergência. Mas isso nem sempre acontecia e a espera por atendimento no Postão era de várias horas até um dia inteiro (ocorrendo, inclusive, a morte de uma mulher na espera).

Uma das características dessa greve foi a omissão de Sartori nas negociações. Quem fazia a frente era sempre seu chefe de gabinete, Edson Nespolo (PDT) e a secretária de Saúde, Maria Antoniazzi (DEM). Foram 8 meses de greve contínua mas o movimento grevista durou 20 meses.

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Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
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3 respostas para Sartori não admite que procurem falhas em seu passado: entre a vitimização e a arrogância

  1. Esperança Vasconcellos Ferreira disse:

    Por isso que ele não quer que investigue seu passado.Mas o povo temo direito se saber o passado do candidato! Mas isso é típico de quem não tem como explicar seus atos,se fazer de vitíma.No Sartori tudo é uma piada,agora ele quer um abraço.

  2. Luis antonio disse:

    Tudo isso sem contar mais alguns detalhes.
    – A morte de mais de uma dezena de pessoas por atropelamento na BR-116 pela prefeitura “não se coçar” em fazer passarelas, e o dinheiro federal estava a disposição.
    -A quase perda da escola técnica federal por não demonstrar interesse em escolher um terreno.
    -O IPAM do município quebrado e outras cositas más.

  3. Sebastião Tarcizio Vieira Jacques disse:

    Já dizia um velho amigo
    Nos pagos de André da Rocha
    Quando pega o rabo do bicho
    Até o garrão ele afrouxa

    Não te empolgues com esse loco
    Nessa disputa tirana
    Por que o sapo é pitoco
    E lagarto não tem pestana!

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