O verdadeiro programa de Ana Amélia para o RS em 10 pontos

amelialemosana

Na política, como na vida, o que não é dito é tão importante quanto o que é dito. A candidata do PP ao governo do Rio Grande do Sul adotou algumas palavras como esperança, confiança e transparência que acabam funcionando como uma cortina de fumaça que encobre as propostas que, de fato, apresenta para o Estado. Na verdade, o programa de governo apresentada por Ana Amélia Lemos resgata alguns conceitos fundamentais do choque de gestão aplicado por Yeda Crusius (PSDB).

Mais do que esperança, a tesoura é um dos principais instrumentos dessa proposta. A senadora promete extinguir secretarias, demitir servidores, diminuir gastos e o tamanho do Estado, o que chama de “moderno modelo de gestão”. E não assume nenhum compromisso em manter políticas como o Plano Safra, o RS Mais Igual e o Mais Médicos.

Da leitura do programa de governo da senadora, pode-se extrair dez pontos que ajudam entender o que ela propõe para o Estado:

1. Corte de Secretarias e demissão de servidores: promete corte do número de secretarias e demissoes de servidores em cargos de comissão. Não define quais secretarias serão cortadas nem quantos servidores serão demitidos.

2. Ao invés de reajustes salariais, “recompensas”: Ao invés de reajustes salariais, a senadora quer instituir um sistema de “recompensas” para quem “trabalhar melhor e produzir bons resultados”. Ela não esclarece quais critérios serão usados para dizer “quem trabalha melhor”.

3. Ausência de proposta de melhoria salarial para os professores: Não há nenhuma proposta de reajuste para os professores (que receberam 76,68% de aumento no atual governo). O Plano de Resgate da Educação Pública promete apenas “sinceridade e vontade” para “atacar os problemas levantados”.

4. Terceiração da saúde no atendimento à população de baixa renda: Na área da Saúde, não há nenhum compromisso com a destinação de 12% da receita líquida do Estado, hospitais regionais e o Mais Médicos. Quando se trata da população de baixa renda, o programa de Ana Amélia ou se omite ou empurra a responsabilidade para “instituições da sociedade civil”.

5. Diagnóstico da economia usando índice criado pela RBS: Ao falar sobre a situação da economia gaúcha, o programa da senadora usa um índice encomendado pela RBS e recua até 1985 para fazer comparações com o desempenho da economia nacional. E omite que o PIB gaúcho vem crescendo acima da média nacional. Em 2013, cresceu 5,8%, índice superior ao do Brasil que foi de 2,3%, e o maior entre todos os estados brasileiros.

6. Silêncio para micros, pequenos e médios: nenhuma proposta para micro, pequenas e médias empresas, pequenos e médios agricultores, programas de inovação ou microcrédito.

7. Na Previdência, promete o que já existe: promete criar “fundo para garantir o pagamento das aposentadorias dos novos ingressantes no serviço público”. Esse fundo já existe; foi criado pelo atual governo.

8. PAC, Simples Gaúcho, Plano Safra??? Não cita nem assume compromissos com políticas em curso como o PAC, Simples Gaúcho, Plano Safra, RS Mais Igual e Política Industrial.

9. Flexibilização radical da legislação ambiental: a candidata apresenta como modelo o Estado de Santa Catarina, onde, segundo ela, um licenciamento sai em 30 dias.

10. Retorno do antigo modelo de pedágios: desmonte da Empresa Gaúcha de Rodovias e retorno ao antigo modelo de pedágios, implementado pelo governo de Antonio Britto.

Sobre maweissheimer

Bacharel e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalho com Comunicação Digital desde 2001, quando foi criada a Agência Carta Maior, durante a primeira edição do Fórum Social Mundial. Atualmente, repórter no site Sul21 e colunista do jornal Extra Classe.
Esse post foi publicado em Política e marcado , . Guardar link permanente.

2 respostas para O verdadeiro programa de Ana Amélia para o RS em 10 pontos

  1. I. disse:

    O povo gaúcho adora suas tradições. Inclusive aquela de não deixar nenhum governador esquentar a cadeira. Eita povo tradicionalista!

  2. Nelson disse:

    Bueno. Nada de novo. Apenas a já velha e surrada receita neoliberal. É preciso recolocar o Estado a serviço dos lucros das grandes corporações, nacionais e estrangeiras.

    Pior é sabermos que esta proposta tem enormes chances de receber o voto da maioria dos gaúchos. Gaúchos que são, por natureza, espertos. Afinal, os burros, analfabetos, despolitizados, estão no Nordeste, não é mesmo?

    Fazendo um histórico das duas últimas décadas, apenas, vamos nos dar conta de que os gaúchos espertos alçaram ao Piratini gente como Antônio Britto, o ente que demoliu quase que por completo com nosso Estado, e a indizível Yeda Crusius, que procurou dar sequência ao “bom trabalho” do Britto.

    É bom repetir: os burros são os nordestinos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s