O RS e o fundo do poço

fundo-do-poco

Em entrevista ao jornal Metro, nesta segunda-feira (18), a senadora Ana Amélia diz que “o Estado está como um poço que secou”. Cabe perguntar, como um “Estado que está como um poço que secou” cresce acima da média nacional, tem uma das menores taxas de desemprego do país, recupera os salários dos servidores, recompõe carreiras do Estado e constroi o maior parque eólico da América Latina? E como a reprise do filme do choque de gestão pode ajudar o Estado?

O Estado do Rio Grande do Sul vive um dos melhores momentos de sua história recente. Não é nenhum ufanismo acrítico afirmar isso e tampouco implicar negar a existência de muitos problemas que são reais, como o do endividamento crônico do Estado. E, mesmo para este, avizinha-se um início de solução com a votação do projeto de reestruturação da dívida, que deve ocorrer em novembro no Senado.

Alguns números e dados sobre o presente do RS:

A Região Metropolitana de Porto Alegre apresentou o menor índice de desemprego do país em 2014: 3,5%. O PIB do RS teve uma alta de 3,2% no primeiro trimestre de 2014 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Rio Grande do Sul é hoje referência nacional na capacitação de mão de obra. Em três anos foram qualificados mais de 184 mil trabalhadores em 350 municípios gaúchos. Pela primeira vez, o Estado está investindo 12% na Saúde, como pede a Constituição. O Complexo Eólico Campos Neutrais, que está sendo construído no extremo Sul do Estado, será o maior da América Latina.

Apesar do problema da dívida, o Estado recuperou sua capacidade de investir, após o desastroso período de quatro anos onde o governo de Yeda Crusius aplicou o choque de gestão do déficit zero. Além de recuperar a capacidade de investir, o atual governo começou a recompor os salários arrochados do funcionalismo público e a realizar concursos em diversas áreas.

Outro dado da realidade é que uma parte significativa da população do Estado não tem acesso a essas informações.

Pesquisas recentes mostram a senadora Ana Amélia Lemos em primeiro lugar na preferência do eleitorado. A população do Rio Grande do Sul estaria disposta a aguentar mais um governo partidário do Estado mínimo e do choque de gestão? A candidata do PP vem tentando se distanciar do governo de Yeda Crusius (PSDB), do qual seu partido participou ativamente. Mas está ficando difícil para a candidata sustentar esse disfarce. A cada nova entrevista, Ana Amélia reforça que pretende diminuir o tamanho do Estado, demitir funcionários e extinguir secretarias.

Em entrevista ao jornal Metro, nesta segunda-feira (18), a senadora repete essas promessas, dizendo que “o Estado está como um poço que secou”. Cabe perguntar, como um “Estado que está como um poço que secou” cresce acima da média nacional, tem uma das menores taxas de desemprego do país, recupera os salários dos servidores, recompõe carreiras do Estado e constroi o maior parque eólico da América Latina?

O que a candidata do PP oferece é a reedição das fórmulas já tentadas nos governos de Antonio Britto e Yeda Crusius. Para o seu sucesso eleitoral, é fundamental que ela negue isso e procure se apresentar como porta-voz do “novo”, da “mudança” e da “esperança”, palavras lançadas ao vento de modo vago e paradoxal. Considerando seus antecedentes históricos, o novo não é novo, a mudança é repetição do que não funcionou e a esperança é a promessa de retrocesso.

O principal capital dessa candidatura é a sua visibilidade midiática via RBS. A empresa nega ter simpatias programáticas por seus jornalistas-candidatos, mas a afinidade ideologica é gritante, e sistematicamente ocultada. O que a população sabe sobre as escolhas, políticas, candidatos e governantes defendidos pela RBS nas últimas décadas que defenderam o Estado mínimo, as privatizações, a sacralização do mercado e a criminalização do setor público? Qual a responsabilidade da RBS e de seus candidatos pela situação do Rio Grande do Sul? Segundo eles, nenhuma. São, na acepção literal da palavra, irresponsáveis.

O mesmo mantra do Estado mínimo é repetido agora, prometendo economizar recursos, diminuir os gastos com o custeio da estrutura administrativa, enxugar a máquina, cortar secretarias e demitir funcionários. Mais uma vez, como ocorreu recentemente com o “novo jeito de governar” de Yeda Crusius, essa proposta é apresentado como sinônimo do “novo ” e da “mudança”. Esse filme foi exibido durante quatro anos, entre 2007 e 2010, e revelou-se um fracasso de crítica e público, indicando que o fundo do poço sempre pode ser mais fundo.

Anúncios

Sobre rsurgente

Jornalista, Porto Alegre (RS), Brasil.
Esse post foi publicado em Política e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s