“Passei a responder através dos blogs e das redes porque esta forma de colunismo é uma armadilha”

 Em nota publicada neste domingo no site PTSul, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, respondeu à colunista política Rosane de Oliveira, do jornal Zero Hora, que neste domingo afirmou que o governador será “incoerente ou irresponsável” na solução para o tema do piso nacional do magistério. A nota afirma:

Pela segunda vez neste mês, um articulista de ZH utiliza o espaço do jornal para fazer ataques diretos a políticos do governo do Estado, reportando-se diretamente à pessoa do governador. Neste domingo, foi a vez da jornalista Rosane de Oliveira “sentenciar” que Tarso Genro será “incoerente ou irresponsável”, na solução para o pagamento do piso nacional do magistério. A colunista desconsidera o fato de que o governo da Unidade Popular Pelo Rio Grande adotou uma outra posição para retirar o estado da crise, que não a do governo anterior de criação do “déficit zero”, que diminuiu as funções do Estado, sucateou a administração pública e congelou salários.

Neste sábado, ao ler a coluna, quando voltava de mais uma edição da Interiorização de Governo, em Rio Grande, o governador fez algumas considerações sobre o novo episódio de ideologização da notícia, através do falseamento da verdade.

1- Sobre o Colunismo Político predominante
“É um certo tipo de colunismo político que ainda não se esgotou no país, mas que tende rapidamente a esgotar-se pela falta de credibilidade, pois ele vem perdendo a sua capacidade de transmitir informações e críticas fundadas. Ele perdeu a “fala” universal, que caracterizou os grandes colunistas políticos do país, com capacidade de informar e criticar com seriedade e passou a defender posições ideológicas dissimuladas, “adaptando” ou inventando os fatos, para contentar um público determinado –aquele que este tipo de jornalismo cativa, com seus malabarismos factuais e lugares comuns: os que adoraram as ideias do neoliberalismo que está levando a Europa à ruína e que, aqui, foram retratados no famoso “déficit” zero. Aliás, não é de graça que a colunista de política da Zero Hora é a mais saudosa do “déficit zero”, que não só paralisou o estado, mas aplicou um brutal arrocho salarial nos servidores, situação que agora estamos começando a reverter”.

2- As constantes criações de factóides e inverdades
“O mesmo estilo de jornalismo político que “define” que o governador será incoerente ou irresponsável, é o mesmo que inventou, por exemplo, que eu defendi uma posição contrária aos sistema de PPPs no caso da RS 10, quando, na verdade, defendi e defendo a PPP e tenho negociado com os prefeitos a adaptação para baratear a proposta. Nunca fui contrário a PPPs. O que sou contrário é que elas sejam apenas um negócio bom para as empresas e não atendam o interesse público. Sou, inclusive, um dos elaboradores da atual lei que rege as parcerias público-privadas no país, cuja redação foi comandada pelo Fernando Haddadd quando ele era Secretário do Ministério do Planejamento e eu era ministro do CDES, no primeiro governo Lula. Este tipo de jornalismo inventa, por exemplo, que prometi “mundos e fundos” para os servidores e que prometi pagar o piso dos professores imediatamente. Isso é uma deslavada inverdade, pois está gravado nos debates e está escrito numa carta remetida ao CPERS que nós criaríamos as condições para pagar o piso e que isto ocorreria de forma processual. Esta foi e é a minha posição.

Nunca prometi “mundos e fundos”, mas uma política de recuperação salarial que está sendo implementada, e que, aliás, está sendo criticada pela oposição, representada na coluna de ZH de domingo pelo presidente do PP e ex-secretário de Relações Institucionais do governo anterior, Celso Bernardi. Este jornalismo, recentemente, também inventou que a nossa proposta de aumento para uma parte da categoria dos professores era a mesma da governadora Yeda. E o fez rapidamente, sem ter a mínima noção do que é uma transação judicial. Omitiu deliberadamente que a posição do governo não exigiu nenhuma renúncia de direito pelos servidores do magistério; que a nossa posição não retira a proposta de alcançar o piso até 2014; que ela não exigiu a alteração do “quadro de carreira” e que o aumento atual constituiu-se, apenas, em mais um aumento -um adiantamento de aumento ao magistério. Ao dizer isso -que a nossa proposta era igual a da governadora Yeda- a colunista revela duas coisas: primeiro, que não se informou sobre o que estava acontecendo e, segundo, que se apressou a forjar uma suposta informação que confirmaria a nossa “incoerência”. Na verdade, quando ela fala em incoerência, quer é lembrar que o bom era o “déficit zero”. Por isso sua análise das nossas medidas salariais envolve dois extremos: critica os aumentos excessivos aos servidores e diz, ao mesmo tempo, que os aumentos -no caso dos professores- são insatisfatórios”.

3- Sobre a estratégia, pouco compreendida ou não aceita pela oposição ao nosso governo, de consolidar o Estado como indutor do desenvolvimento ecônomico e social
“A nossa estratégia, até agora, está dando certo: usar os recursos próprios para reorganizar a máquina pública que estava destruída e melhorar os salários dos servidores; buscar recursos do Governo Federal para investimentos -inclusive através do recebimento da dívida da União com a CEEE; buscar financiamentos no BID, no Banco Mundial e no BNDES; aumentar, com meios técnicos adequados, as receitas sem aumentar impostos; estabelecer uma política de relações internacionais para atrair investimentos produtivos; retomar o crescimento no estado tendo como ponto de partida a base produtiva local, voltados para a renovação da nossa base tecnológica; fazer um “déficit” responsável sem cair na armadilha neoliberal de reduzir políticas de proteção e promoção social, deixando os pobres a ver navios”.

4- A utilização das redes socias e dos blogs para responder à grande mídia
“Eu passei a responder através dos “blogs” e das redes, porque esta forma de colunismo que estamos falando é, também, uma armadilha: constrói fatos para promover a sua visão de mundo, de Estado e de política, e também quer monopolizar o debate, frequentemente só publicando parte das respostas daqueles que são alvos da suas invenções. Quando se tratam de matérias que contam fatos verdadeiros e que pendem, sobre ela, uma interpretação política, ideológica ou econômica, acho adequado que se responda pelo próprio jornal, quando ele permite a resposta, como, aliás, é o caso da Zero Hora”.

5- Direito de resposta também em tom crítico
Tenho respeito pela colunista Rosane de Oliveira. Acho que ela cumpre rigorosamente o seu papel crítico, que é esperado pelo jornal a que serve, que, como sabemos, não pode ser considerado simpatizante do projeto que nós, do PT e da esquerda, representamos. Mas ela merece, da nossa parte, a atenção e respeito que temos com todas as forças políticas democráticas do estado. Nem acho que se trata de má-fé, mas de miopia ideológica: se os fatos não tem confirmado que o Tarso é incoerente, mas, ao contrário, tem confirmado que temos aplicado o nosso programa de governo de forma coerente, é preciso “adaptar” os fatos e repetir a acusação de incoerência para, ao final, consolidar uma “verdade” pela repetição. E também, imediatamente, para salvaguardar a defesa do “déficit zero”, que sempre foi apresentado pela colunista como um exemplo de boa gestão pública”.

6- Sugestão
“Assim como fui cobrado como governador, também defendo que a colunista seja mais responsável e não crie falsas incoerências ou irresponsabilidades. Recomendo à ela, por exemplo, que leia todas as colunas do falecido Carlos Castello Branco, do Márcio Moreira Alvez e do grande Newton Carlos, paradigmas da seriedade no jornalismo político”.

Sobre maweissheimer

Bacharel e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalho com Comunicação Digital desde 2001, quando foi criada a Agência Carta Maior, durante a primeira edição do Fórum Social Mundial. Atualmente, repórter no site Sul21 e colunista do jornal Extra Classe.
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15 respostas para “Passei a responder através dos blogs e das redes porque esta forma de colunismo é uma armadilha”

  1. Muito bom Governador Tarso Genro, o senhor foi perfeito em sua resposta brilhante à imprensa mentirosa que ainda existe neste Estado e por todo o país!

  2. msilvaduarte disse:

    fico particularmente feliz com essas declarações. é uma espécie de desfecho, mesmo que simbólico, de uma batalha iniciada há alguns anos por um grupo de blogueiros gaúchos, que sempre denunciou esse tipo de jornalismo, principalmente a estratégia que o governador chamou de “armadilha”.

  3. Muito bem Governadaor Tarso Genro! Sou sua fã incondicional

  4. Sueli disse:

    Muito bem ! vamos prás redes…

  5. Raimundo Neto disse:

    Lê os textos de Tarso me faz bem, aliás, faz bem demais. Seriedade e coerência é a marca do Professor Tarso Genro, mestre nas letras e na arte política.

  6. Parabens por expor a verdade, onestidade não é o forte da RBS, vamos trabalhar com as redes, sabemos que: Ieda, Britto, Fogaca e Ana Amelia são srvidores deste Grupo.

  7. Claudio CALMO disse:

    Jogo de cena do Governador Tarso Genro, reclama pela democratização e transparência da mídia golpista, mas enche os cofre destes mesmos monopólios com farto recursos públicos de públicidade. Isonomia na distribuição das verbas de publicidade é letra morta do programa de governo do então candidato Tarso Genro.

  8. Alexandre Lopes Fagundes disse:

    Sr. Governador Tarso Genro, acredito que o Sr. esteja causando graves problemas de saúde entre os joralistas/colunistas da Zero Hora RS, pois eles devem estar com problemas nas suas respectivas colunas cervicais causados por suas respostas referentes aos casos de pescadores que alguns destes “profissionais” vem contando nas suas colunas(que ironia, o negócio é com a coluna mesmo) digo isto porque de tanto levar nos dedos creio que em sua maioria devam estar digitando com o nariz!!!

  9. Márcio disse:

    Excelente, governador. Parabéns.
    Eles estão com saudades da época em que se construíam mansões aqui no RS.
    Essa turminha da RBS já causou estragos demais ao RS nas últimas décadas.
    É hora de responder à altura!

  10. Não é necessário escrever mais nada, o Raimundo resumiu o que penso.Parabéns!

  11. Mara Feltes disse:

    É nestes momentos que me orgulho do voto que dei ao G
    overnador Tarso Genro, demorou fazer enfrentamento ao jornalismo tendencioso que incomoda as gaúchas e gaúchos sérias/os.

  12. proletariors disse:

    Esperamos que a partir deste posicionamento, venha-se a espraiar os recursos da publicidade pública para mais mídias livres, não é companheiro Tarso 😉

  13. Fernando Rübenich disse:

    Excelentíssimo Governador
    Segundo o advogado Rudi Cassel, em alguns órgãos o servidor enfrenta o absurdo de não se considerar como público o tempo de empresa pública e sociedade de economia mista porque as regras de transição das Emendas Constitucionais 41/2003 e 47/2005 aumentaram em 100% (20 anos) e 150% (25anos) o tempo de serviço público necessário para alcançar a aposentadoria, violando a isonomia.

  14. luizmullerpt disse:

    CPI do Cachoeira e do PIG no Congresso e o Tarso botando quente com o PIG Guasca. Só espero que tanto cá como lá, bancos e empresas públicas repensem os altos gastos com publicidade nestes órgãos mentirosos e golpístas.

  15. Renata Luiza Vortisch disse:

    Porque será que a RBS e os meios de comunicação a ela ligados são tão desfavoráveis ao atual governo??? Será que não gostam de ouvir a verdade???Parabéns Governador Tarso pela brilhante resposta!

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